Resenhas - Séries

Resenha de Série: OUTRA VIDA – 1ª Temporada


Another Life – Season 1 (2019)
Elenco: Katee Sackhoff, Justin Chatwin, Samuel Anderson, Selma Blair, Blu Hunt, A.J. Rivera, Jake Abel, Alex Ozerov, Alexander Eling, Jessica Camacho, JayR Tinaco, Elizabeth Faith Ludlow, Tyler Hoechlin, Lina Renna
Roteiro: Vários
Direção: Vários
Cotação: 1,5/5

Após um misterioso artefato chegar à Terra, a nave Salvare, comandada por Niko Breckinridge (Sackhoff), é enviada na primeira missão interestelar da humanidade até o seu planeta de origem, para descobrir as intenções dos alienígenas. Na Terra, o seu marido (Justin Chatwin) tenta fazer o primeiro contato com o artefato.

Premissa interessante, não? Mas infelizmente é difícil encontrar algo para gostar em Outra Vida (Another Life), série sci fi da Netflix  com 10 episódios protagonizada por Katee Sackhoff (Battlestar Galactica), que estreou no streaming dia 25 de julho último.

Em vários momentos notamos as limitações orçamentárias da série, criada pelo showrunner Aaron Martin, porém de modo geral é uma produção bem acabada, com cenários e efeitos visuais bem bacanas. E aqui se encerram os pontos positivos do programa, que de resto  leva aos limites a paciência do espectador – só assisti toda a temporada porque sou MUITO teimoso, caso não fosse teria parado já na metade do episódio inicial. Quando a coisa melhora um pouco, lá pelos dois últimos episódios, o estrago já está feito

O roteiro é uma desavergonhada coleção de clichês extraídos de uma infinidade de filmes e séries de ficção científica, sendo Alien e A Chegada os mais óbvios. Não há personagens que cativem, e à exceção de Niko a tripulação da nave tem menos de 30 anos (e a explicação para isso, dada de forma rápida e rasteira, é risível), e tudo parece uma grande desculpa para mostrar flertes, pegações e sexo a três mesmo em momentos de crise. Pelo menos isso leva à única situação inédita mostrada na série – a comandante abusar sexualmente da inteligência artificial da nave.

A equipe, que apesar de jovem deveria ser em tese composta por cientistas racionais, tem comportamentos absurdos, típicos de adolescentes descerebrados. Num episódio, por exemplo, ao explorar um mundo aparentemente estéril, a tripulação é contaminada por um micro-organismo letal. Mesmo assim num episódio seguinte, ao chegar em outro planeta repleto de vida (onde portanto as chances de contaminação seriam ainda maiores), eles não tomam qualquer precaução para evitar a repetição do incidente.

Isso tudo entre outras tantas incoerências científicas – e sobre isso é bom destacar que em nenhum momento se explica como a humanidade, de uma hora para outra, desenvolveu a tecnologia para viajar mais rápido que a luz (até a chegada do artefato as missões espaciais se limitavam ao sistema solar), ou a que permite uma nave a anos-luz de distância se comunicar com a Terra (e vice-versa) em tempo real via hologramas.

Adicione-se a tudo isso um elenco péssimo (moldado de acordo com a atual e obrigatória representatividade), que parece (?) feito quase todo de sobras de outras séries sci fi e de fantasia rodadas no Canadá, e o desastre fica completo. A única explicação para Katee Sackhoff ser a estrela da série é o fato de ela ser uma das produtoras, porque sua atuação careteira e exagerada arruína praticamente todas as cenas em que aparece. E quanto a Justin Chatwin… bem, só tenho uma coisa a dizer: Dragon Ball – Evolution. Lamentável ver a decadência de Selma Blair, sofrível no papel da midiática Harper Glass – isso provavelmente já em decorrência dos sintomas da esclerose múltipla da qual foi diagnosticada este ano.

Como se tudo isso não bastasse o último episódio fica em aberto, com um gancho para a segunda temporada que, pelo jeito, dificilmente vai acontecer. Afinal, acho que a Netflix não jogaria dinheiro fora renovando uma série que está com apenas 6% de críticas positivas no agregador Rotten Tomatoes. Ou não?

Jorge Saldanha

9 comentários em “Resenha de Série: OUTRA VIDA – 1ª Temporada

  1. Concordo com tudo.

    Mais uns série cuspida pela Netflix que não será continuada, vai parar no cemitério de promessas com Nightflyers e outras, sem contar filmes.

    Em nenhum episódio posterior parecia querer corrigir falhas anteriores.

    Quer dizer, talvez a comunidade force a barra de forma suficiente, mesmo pelo elenco péssimo, tudo pela continuidade totalmente fora de tópico de “casais”, que só servem para tirar tempo e foco que poderia ser importante, como por exemplo explicar a tecnologia ou outras coisas com flashbacks.

    Star Trek Discovery, tão preocupada com o mundinho perdeu a oportunidade de corrigir falhas em episódios.

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  2. Fernando Rosa

    Eu assisti no menor tempo possível, não porque gostei, mas porque queria ver até onde esta porcaria chegaria. Se desse intervalo entre os episódios certamente não voltaria mais pra terminar.
    Me parece que reuniram um comitê e fizeram uma lista de clichês de sci-fi e o roteiro foi construído deliberadamente para incluir todos. Claro que o clichê mais comum não poderia faltar: tripulação formada exclusivamente por pessoas disfuncionais.
    Me dá tristeza perceber que anunciaram uma série baseada no filme O Enigma do Horizonte e que tem tudo pra ser mais uma destas coleções de clichês.

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  3. Wallace

    Perfeita análise. Alguém poderia dizer q os clichês foram homenagens a filmes e séries de ficção. Nem isso! A série é muito ruim mesmo!

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  4. Will Yujin

    Vcs são muito exigentes…rsrsrs Eu, particularmente, acho uma série boa e que instiga a curiosidade do que vai acontecer para o episódio seguinte. Tem uma inteligência artificial participando do elenco (o que não é muito comum) tem exploração em outros planetas, tem alguns lances “diferentes” mas isso que é bom, não é?….enfim, gostei…

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    • Inteligência artificial no elenco, seja na forma de robôs, androides, hologramas, etc. está longe de ser original. Se for fazer uma lista aqui ela será bem grande kkk

      Curtido por 1 pessoa

  5. afonsoaero

    Ok. Concordo que a série não é boa. Mas quanto aos clichês, quase tudo nas séries de TV e filmes de cinema atuais não passa de um monte de clichês. São poucas, poucas mesmo as produções que oferecem algo de original (Black Mirror é uma delas). O que me irrita mesmo é a disfuncionalidade da tripulação. Parece que não aprenderam nada com o fracasso retumbante de Defying Gravity, que tinha um argumento bem parecido com esse e uma boa produção, mas que a tripulação formada por um bando de desajustados beirando a psicose, tornou tudo tão implausível que afastou até os fãs mais condescendentes.
    Na série (Another Life), o única coisa que achei de uma certa originalidade, foi a ideia de ter tripulantes reserva em hibernação. No caso de morte ou incapacidade de um membro da tripulação, acorda-se um substituto.
    Aliado a isso e, se a gente fizer uma concessão camarada à lógica, e assistir à série como diversão pura, dá pra levar.

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  6. O artigo e os comentários já disseram tudo… Só para reforçar: Another Life é uma porcaria!!!! O pior é a avaliação da netflix estar próxima de 5 estrelas??!!!

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