Resenhas - Séries

Resenha de Série: SEE – 2ª Temporada


See – Season 2 (2021)
Elenco: Jason Momoa, Hera Hilmar, Sylvia Hoeks, Dave Bautista, Alfre Woodard, Archie Madekwe, Nesta Cooper, Christian Camargo, Yadira Guevara-Prip, Tom Mison, Eden Epstein, Olivia Cheng, Hoon Lee
Criação: Steven Knight
Direção: Vários
Cotação: 3,5/5

ATENÇÃO: caso você ainda não tenha assistido a segunda temporada de See, o texto a seguir contém SPOILERS!

Depois de atrasos na produção provocados pela pandemia, finalmente a segunda temporada de See estreou no Apple TV+, com Jonathan Tropper (Warrior) substituindo o criador da série, Steven Knight, nas funções de showrunner. Não sei se foi por causa da troca ou se já havia um planejamento prévio por parte de Knight, mas o fato é que nesta nova temporada See busca rumos mais ambiciosos, expandindo o universo pós apocalíptico apresentado em seu primeiro ano e agregando na história disputas de poder palaciano que remetem a Game of Thrones. Isso se reflete até mesmo nos novos e dinâmicos créditos de abertura, acompanhados de um tema musical mais épico composto por Bear McCreary.

A trama continua a partir do rapto da filha de Baba Voss (Jason Momoa), Haniwa (Nesta Cooper), pelas forças do general do Império Trivantiano Edo Voss (Dave Bautista), irmão mais novo de Baba. Boa parte da história é dedicada a revelar o passado de Baba, e descobrimos que Edo quer se vingar do irmão por ele ter matado o pai de ambos, o que explica porque Baba fugiu e se refugiou na aldeia dos Alkennys. Conhecemos Trivantis, a capital do Império, com um visual que remete aos filmes da franquia Mad Max, e lá Haniwa encontra seu interesse amoroso, Wren (Eden Epstein), uma jovem tenente do exército Trivantiano que, assim como ela, consegue enxergar (como então ficamos sabendo, o sentido da visão está retornando à humanidade, e não apenas restrito aos filhos de Jerlamarel). Baba é capturado por Edo, mas com a ajuda de Wren ele escapa com Haniwa e se reencontra com sua esposa Maghra, que juntamente com a irmã, a Rainha Sybeth Kane (Sylvia Hoeks) e seu outro filho Kofun (Archie Madekwe), está na nova capital de Paya, Pennsa.

Baba Voss (Jason Momoa) e Edo Voss (Dave Bautista)

E é lá, em Pennsa, que se desenrolam as citadas disputas pelo poder. Sybeth seduz Kofun para que a engravide, já que ela acha que um filho com o dom da visão a manterá no trono de Paya. A Rainha obriga Maghra a se casar com o nobre local, Harlan (Tom Mison), como forma de fortalecer a posição da família Real – o que, com a chegada de Baba, gera uma situação delicada. Mas não demora para Maghra virar o jogo: com a ajuda do redivivo ex-General Caçador de Bruxas Tamacti Jun (Christian Camargo), é revelado que Sybeth, e não os Trivantianos, foi a responsável pela destruição da antiga capital de Paya, Kanzua.

Sybeth é destronada e aprisionada, mas não sem antes, em uma jogada traiçoeira, garantir que Trivantis declare guerra contra Paya. Sybeth é poupada da morte apenas por estar grávida de Kofun, e a agora Rainha Maghra, com a ajuda de Baba, Tamacti, seus filhos e de aliados de última hora, deverá defender seu reino em uma climática batalha que chega no episódio final da temporada – que também traz o inevitável embate final entre Baba e Edo.

No seu segundo ano, See, que já tinha um elenco muito bom, o qualifica ainda mais com a adição do carismático Dave Bautista – o grande vilão que faltou na temporada inicial. Há um perfeito entrosamento dele com Momoa, que por sua vez continua dando a Baba Voss uma caracterização convincente não só como o guerreiro que abre crânios com suas lâminas, mas também como pai e marido protetor. Ao final, com trajes de samurai, Baba remete a Zatoichi, o famoso espadachim cego dos filmes japoneses. No elenco coadjuvante Tom Mison se sai bem como o simpático Harlan, e Jonathan Tropper trouxe de Warrior os ótimos Olivia Cheng e Hoon Lee.

Mas apesar do ótimo elenco, os roteiros mal lapidados e que tiram da manga soluções simplistas e clichês (como criar o romance relâmpago entre Haniwa e Wren para que esta ajude, por amor, a jovem e Baba a fugirem de Trivantis, ou ainda convenientemente fazer Tamacti Jun passar para o lado dos heróis) impedem que a série atinja o potencial dos seus temas e do mundo pós apocalíptico onde se desenrola. Também, não faz muito sentido que guerreiros cegos utilizem armas de longa distância como arco e flecha, sem falar que alguns conseguem compensar a cegueira, no combate, com a audição e o olfato, enquanto outros parecem totalmente incapazes de fazer isso.

Há personagens importantes que necessitariam maior atenção (Alfre Woodard, por exemplo, andava tão mal utilizada que resolveram matá-la de uma vez no final da temporada), e a Rainha Kane, sempre falando em cantato, acaba por ser pouco mais que uma caricatura de sua colega Cersei, de Game of Thrones. Aliás, espero que See, já renovada para a terceira temporada, não siga o caminho daquela famosa série da HBO, que em suas últimas temporadas priorizou a ação estilo blockbuster e não a qualidade dos roteiros.

A duas temporadas de See estão disponíveis no serviço de streaming Apple TV+.

Jorge Saldanha

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