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Resenha de Série: EXPRESSO DO AMANHÃ – 2ª TEMPORADA


Snowpiercer – Season 2 (2021)
Elenco: Daveed Diggs, Jennifer Connelly, Sean Bean, Mickey Sumner, Sheila Vand, Iddo Goldberg, Alison Wright, Rowan Blanchard, Lena Hall, Annalise Basso, Mike O’Malley, Katie McGuinness, Steven Ogg, Aleks Paunovic
Criação: Josh Friedman, Graeme Manson
Direção: Vários
Cotação: 3,5/5

ATENÇÃO: caso você ainda não tenha assistido a 2ª temporada de Expresso do Amanhã, o texto a seguir contém SPOILERS!

Em 2013 foi lançado o filme de ficção científica Expresso do Amanhã, dirigido pelo sul-coreano Bong Joon Ho (O Hospedeiro, Parasita) e baseado nos quadrinhos franceses pós-apocalípticos Le Transperceneige (O Perfuraneve). Na trama, após um experimento para reduzir o aquecimento global ter provocado uma Era do Gelo sem precedentes, o que restou da humanidade ocupa o trem autossuficiente de 1.001 vagões chamado Snowpiercer. Movido por um motor perpétuo, o trem circula o globo congelado sem nunca parar, e seus vagões são divididos por classes sociais, indo da primeira até o “Fundo”, onde estão os passageiros clandestinos. Em contraponto ao luxo das classes mais abastadas, os habitantes do Fundo vivem oprimidos, em condições de miséria, e um  movimento revolucionário começa a tomar forma.

Apesar de bem recebido pela crítica o filme nunca ganhou uma continuação no cinema, e o próprio Bong Joon Ho, sabendo que ainda havia muitas histórias por contar naquele universo restrito, resolveu adaptá-lo como série de TV. Assim, em 2020 o canal TNT (no Brasil, Netflix) lançou a 1ª temporada de Expresso do Amanhã, com novo elenco e personagens, porém mantendo a trama básica do longa de 2013. O protagonista agora é Andre Layton (Daveed Diggs), Fundista que entra em confronto com Melanie Cavill (Jennifer Connelly), responsável pelos anúncios de voz diários e que comanda com mão de ferro o Snowpiercer. Layton acaba se tornando o líder da rebelião que, eventualmente, toma o controle do trem e substitui o regime de classes militar por uma democracia, após formar alianças estratégicas nos vagões das classes superiores e por fim com Cavill.

A temporada inicial teve um ritmo irregular, com muitos personagens secundários e poucos realmente interessantes. Layton, seja pela atuação de Diggs ou pelos roteiros, não convencia como líder revolucionário e estrategista, e a trama foi literalmente carregada por Cavill, a personagem mais cheia de nuances da série e muito bem interpretada pela cinquentona (e ainda linda) Connelly. Foi introduzida a investigação do assassinato de um passageiro da primeira classe, conduzida por Layton, que apesar de lhe garantir livre acesso a todos os vagões do trem para firmar suas alianças, também quebrou o ritmo da narrativa. No episódio final temos uma reviravolta com a chegada de outra locomotiva que se atraca à traseira do Snowpiercer – o protótipo Big Alice, comandado por Joseph Wilford (Sean Bean), o engenheiro inventor do motor perpétuo, que era dado como morto.

A 2ª temporada inicia exatamente onde a anterior se encerrara, com Wilford dando as caras e deixando bem claro que pretende assumir o controle dos dois trens. Aos poucos vamos descobrindo que o cativante Wilford, tido pelas classes mais privilegiadas como o genial e justo criador da Locomotiva Eterna, é na verdade um sujeito despótico e sádico, e que Melanie roubara dele o Snowpiercer para afastar os sobreviventes do seu jugo, mesmo tendo que também abandonar sua filha, Alex (Rowan Blanchard), no processo. A partir da chegada da Big Alice, cuja maquinista é exatamente a jovem Alex, que Expresso do Amanhã ganha a boa dinâmica que faltou em sua temporada inicial.

Com Melanie em processo de redenção, Wilford assume a posição de vilão, mas que, apesar dos pesares, tinha motivações plausíveis para os seus atos. Ele só vai realmente ganhar ares desprezíveis quando, para prolongar sua posição de poder, tenta sabotar a missão de coleta de dados que busca comprovar que a nova Era do Gelo está acabando e a Terra poderá novamente ser habitável, tornando o Snowpiercer descartável. Digna de nota, aliás, a atuação perfeita de Sean Bean no papel.

Já Layton, agora o líder do Snowpiercer, tem mais imposição e enfrenta desafios para conter as tentativas de Wilford para assumir o controle. Estas incluem criar anonimamente crises e sabotagens para depois resolvê-las, assumindo a posição de um “Salvador da Pátria” entre os seus seguidores (qualquer semelhança com conhecidos líderes políticos atuais pode não ser mera coincidência). Já Melanie busca redimir-se do seu passado e tenta a reconciliação com a filha. Posteriormente ela parte na arriscada missão científica que a leva até uma estação meteorológica isolada, sem saber se sobreviverá ao ambiente enregelante para rever Alex.

Os esforços de Wilford são bem sucedidos e ele assume o poder absoluto, porém o episódio final traz outra reviravolta, numa situação inversa à da temporada inicial – agora, Layton e seus aliados é que estão prontos para retomar o controle do Snowpiercer. A série, desenvolvendo melhor seus personagens (velhos e novos) e com uma trama mais focada e empolgante, mas sem esquecer a discussão social, já foi renovada para a 3ª temporada. Uma pena que, dado o aparente desfecho da missão de Melanie, Jennifer Connelly não mais estará a bordo da Locomotiva Eterna. Será?

Jorge Saldanha

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