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Resenha de Série: Ms. MARVEL


Ms. Marvel (2022)
Elenco: Iman Vellani, Matt Linz, Zenobia Shroff, Yasmeen Fletcher, Rish Shah, Mohan Kapur, Saagar Shaikh, Alysia Reiner, Aramis Knight, Mehwish Hayat, Laurel Marsden
Criação: Bisha K. Ali
Direção: Vários
Cotação: 2,5/5,0

Não durou muito a minha empolgação com MS. MARVEL (2022). Na verdade, a empolgação não foi apenas minha. Nos canais do YouTube que cobriam a série, a animação predominava. Mas o medo de que a série perdesse o rumo a partir do momento em que se tornasse uma história tradicional de super-herói, com direito a luta com vilão, etc., estava no ar. A minissérie começou com dois episódios adoráveis, que nos ambienta na rotina de vida da adolescente Kamala Khan (Iman Vellani) e sua dificuldade de pertencimento, sendo ela uma paquistanesa vivendo em Nova Jersey. Até há um gostinho das antigas histórias do Homem-Aranha nos quadrinhos.

Comecei a ler os quadrinhos da heroína, talvez a mais importante da Marvel surgida na última década, mas confesso que não me animei muito com as histórias, por mais simpáticas que fossem. Os próprios poderes da personagem, de fazer crescer os braços, pernas, corpo e até de se transformar em alguma coisa ou pessoa me pareceu muito Homem-Borracha. Enfim, os poderes talvez tivessem algo de simbólico do sentimento da personagem, mas isso não os torna exatamente geniais por isso.

Para a versão do MCU, não achei de todo ruim a mudança nos poderes e nas origens. Para começar, a Marvel no cinema por enquanto não trouxe os Inumanos – a não ser pela aparição do Raio Negro em DOUTOR ESTRANHO NO MULTIVERSO DA LOUCURA. Mas isso era em um outro universo. Ou seja, por mais que os estúdios da Casa das Ideias já tenham fabricados um monte de filmes e agora também de séries, não dá tempo de aplicar tantos personagens que fazem parte de décadas de histórias em quadrinhos nas telas.

Iman Villani como Kamala, a grande revelação de Ms. Marvel

Então, a solução foi trazer uma nova origem para Kamala Khan, ou para os poderes dela, no caso. Assim, tudo começa quando ela ganha um bracelete, herança de sua bisavó. Mais adiante seremos apresentados a um flashback dessa sua bisavó, interpretada por uma atriz paquistanesa muito bonita chamada Mehwish Hayat. Aliás, muita gente reclamou desse longo flashback da personagem, mas para mim foi um alívio diante de uma trama totalmente desinteressante e mal planejada.

O bracelete começa a manifestar o poder de trazer uma espécie de luz materializada, algo parecido com o que o Lanterna Verde faz com seu anel. Aos poucos, Kamala vai aprendendo a usar esse poder e no começo é divertido, pois ela não tem controle ainda sobre ele. Com a ajuda do amigo Bruno, que tem um quê de gênio, ela começa a treinar e depois descobre coisas sobre sua família e sobre suas possíveis origens.

Falando em família, achei muito interessante a série ter trazido um pouco dessa cultura paquistanesa, que é bastante invisibilizada. Há uma série de filmes e produções para a televisão que faz sucesso apenas entre quem é originário do país. Assim, a cena do casamento do irmão, por exemplo, tão colorida e cheia de alegria, é mostrada com muito respeito àquela cultura. Há também um interesse em trazer um pouco da história do Paquistão e a questão do surgimento do país a partir de um marco chamado Partição, que separou o território que antes pertencia à Índia, na época ainda sob o controle dos ingleses.

Enfim, não sei se vale a pena contar sobre as cenas de ação mal dirigidas, ou sobre o roteiro desinteressante – cheguei a ver um comentário numa rede social que dizia que o roteirista deveria ser preso. No fim das contas, a série serve apenas como apresentação de uma personagem que será uma das protagonistas de THE MARVELS, um dos filmes importantes da Marvel para o próximo ano, além de deixar um gancho para a introdução dos X-MEN (mutantes!) no MCU.

É também mais uma produção recente que valoriza as minorias e contribui para o sentimento de respeito ao diferente – assim como aconteceu com SHANG-CHI E A LENDA DOS DEZ ANÉIS e ETERNOS. O ruim de a série ter caído tanto é que as boas lembranças acabam ficando esquecidas. Uma pena. Mas a cena pós-créditos ajuda um bocado a trazer de volta o entusiasmo para o filme que virá, mostrando novamente Kamala, que não deixa de ser muito bem-vinda.

Ailton Monteiro

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