Resenhas - Filmes

Resenha de Filme: THOR – AMOR E TROVÃO


Thor: Love and Thunder, EUA, 2022
Gênero: Ficção Científica, Ação, Comédia
Duração: 118 min.
Elenco: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Christian Bale, Tessa Thompson, Taika Waititi, Russell Crowe, Jamie Alexander, Chris Pratt, Dave Bautista, Karen Gillan, Pom Klementieff, Sean Gunn, Vin Diesel, Bradley Cooper
Trilha Sonora Original: Michael Giacchino, Nami Melumad
Roteiro
: Taika Waititi, Jennifer Kaytin Robinson
Direção: Taika Waititi
Cotação: 4,0/5,0

O cinema é uma caixinha de surpresas. Melhor dizendo: a nossa relação com os filmes é uma caixinha de surpresas. Depois de ter achado um saco os três primeiros filmes do Thor – sendo que os dois primeiros ainda têm o “mérito” de serem bem esquecíveis –, eis que me pego curtindo cada momento de THOR: AMOR E TROVÃO (2022), a segunda incursão de Taika Waititi na Marvel, mais uma vez brincando com a solução cômica encontrada para fazer com que o Deus do Trovão dê certo em sua versão cinematográfica. E sabemos que muito disso se dá graças ao ótimo timing cômico de Chris Hemsworth – basta lembrar também de seu papel engraçadíssimo no subestimado CAÇA-FANTASMAS, de Paul Feig. Aliás, de uma coisa a gente não pode reclamar dos estúdios Marvel: de sua capacidade certeira de conseguir encontrar atores perfeitos para os personagens.

O fato de eu ter gostado do filme pode ter sido culpa das baixas expectativas vindas tanto dos filmes anteriores do Thor, quanto das mais recentes produções do UCM. Ou pode ser culpa dos bodes. Aqueles bodes trouxeram a minha primeira gargalhada, embora desde o início eu tenha valorizado a figura trágica de Gorr, o Carniceiro dos Deuses (Christian Bale), um dos vilões mais interessantes das histórias recentes da Marvel, surgido mais ou menos na mesma época da Poderosa Thor Jane Foster (Natalie Portman), nos runs mais bem-sucedidos de Jason Aaron na Casa das Ideias.

Como o filme tinha pouco tempo para desenvolver a personagem de Foster, ela fica um pouco prejudicada, mas não a ponto de se tornar descartável. Ao contrário: Jane Foster é a personagem que traz o amor de volta, e traz o amor em uma embalagem deliciosamente cafona, como as produções B de fantasia dos anos 1980. Nesse sentido, até mesmo as fontes usadas nos créditos combinam, assim como o sentimento usado como arma final contra o mal. E combinam com o hard rock oitentista também.

O senso de humor aqui está mais afiado que em THOR: RAGNAROK (2017) e com a vantagem de personagens cativantes aparecerem mais azeitados, como Rei Valquíria (Tessa Thompson, apaixonante) e o gigante de pedra Korg (interpretado pelo próprio diretor). Sem falar na participação de Russell Crowe como Zeus, em uma chave totalmente zoada e sem a menor vergonha do ridículo. E falando em chave, gosto de como acontece uma mudança de tom lá perto do final, nas cenas em preto e branco. É, sem dúvida, um filme que tem os seus muitos problemas, mas não se levar a sério e encontrar o seu próprio rumo e ritmo faz dele merecedor de respeito.

No mais, espero que a turma do Guns N’Roses tenha curtido a infinidade de homenagens. Acho até que eles exageraram na dose de Guns na trilha (tem até um personagem que se chama Axl!), mas quando eu me peguei arrepiado com a cena onde entra aquele solo do Slash em “November Rain”, eu percebi que tinha mesmo era que me entregar ao filme. É uma grande bobagem? Sim, com certeza. Mas, uma vez que você relaxa e se deixa levar por essa grande bobagem, as quase duas horas de duração vão passar voando. Assim como você também vai relevar os problemas de montagem ou algumas cenas mais atabalhoadas – a primeira aparição de Jane Foster empunhando o Mjolnir, por exemplo, parece saída de uma série de cenas que foram deixadas na mesa de edição.

Outra coisa que eu acho importante para se curtir o longa é não se sentir obrigado a rir das piadas. Esse tipo de sentimento pode estragar a apreciação, e é mais ou menos a relação que eu tenho com os dois filmes dos Guardiões da Galáxia. Além do mais, gosto muito de como o filme lida com a comédia e consegue fazer transições muito boas para o drama e até a tragédia. É só lembrar que ele começa nos apresentando à trágica história de um homem que resolve abdicar da fé e assassinar todos os deuses que encontrar pelo caminho. É fácil compreender esse tipo de sentimento quando se convive com perdas.

E por fim e em paralelo, THOR: AMOR E TROVÃO é também a história de um deus que perdeu muitos entes queridos ao longo de poucos anos. Um deus que é apresentado de maneira abobalhada, mas que em nenhum momento deixa de ser um herói. E aprendemos que um herói vale mais do que muitos deuses – que o diga Zeus.

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