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Resenha de Série: STRANGER THINGS – 4ª TEMPORADA


Stranger Things – Season Four (2022)
Elenco: Winona Ryder, David Harbour, Finn Wolfhard, Millie Bobby Brown, Gaten Matarazzo, Caleb McLaughlin, Noah Schnapp, Natalia Dyer, Sadie Sink, Joe Keery, Maya Hawke, Priah Ferguson, Jamie Campbell Bower , Brett Gelman, Joseph Quinn, Charlie Heaton, Matthew Modine, Paul Reiser, Eduardo Franco, Mason Dye, Murray Bauman, Tom Wlaschiha, Cara Buono, Nikola Djuricko, Robert Englund
Criação: Matt Duffer, Ross Duffer
Direção: Vários
Cotação: 4,0/5,0

Pode-se dizer que, até chegar a esta quarta temporada dividida em dois “volumes”, a série da Netflix STRANGER THINGS percorreu um longo caminho. Inclusive, devido à pandemia do Covid-19, a produção e o lançamento dos novos episódios atrasou dois anos, e as crianças do elenco principal viraram adolescentes – ou mesmo adultos, como a revelação Millie Bobby Brown, que recentemente completou dezoito anos.

De qualquer maneira, a espera valeu a pena: tirando a falta do fator novidade, que tornou a série um fenômeno mundial quando estreou em 2016, STRANGER THINGS não só manteve o mesmo ótimo nível de seus anos anteriores, como também introduziu novos e cativantes personagens e desenvolveu bastante os antigos. E além disso, aprofundou a mitologia do Mundo Invertido com a chegada do melhor vilão da produção até agora: Vecna, com características humanas e poderes semelhantes a Freddy Krueger, da franquia A HORA DO PESADELO.

Vecna, cujo corpo físico está no universo paralelo conhecido como Mundo Invertido, de lá explora o sentimento de culpa de suas vítimas e as faz entrar em um transe que lhe permite matá-las de uma forma agoniante – quebrando os seus ossos. Tais mortes, na realidade, são sacrifícios que irão eliminar as barreiras entre o Mundo Invertido e a cidadezinha de Hawkins, permitindo assim que as demoníacas criaturas de lá, e o próprio Vecna, invadam nosso mundo.

Boa parte da temporada é dedicada aos protagonistas descobrirem a real identidade do vilão, para a partir daí o enfrentarem com chances de destruí-lo. Porém, as coisas ficam bem mais complicadas porque, como visto na temporada anterior, Onze (Brown) perdeu seus poderes psíquicos e está sendo caçada por militares do governo, que a consideram uma ameaça. Assim, ela é levada novamente para o laboratório secreto do Dr. Brenner (Matthew Modine), que tenta desbloquear as memórias enterradas no subconsciente da garota como forma de fazê-la recuperar seus poderes.

O grande desafio da temporada foi manter uma narrativa coesa e fluída separando os muitos personagens em quatro núcleos. Joyce (Winona Ryder), com a ajuda de Brett (Murray Bauman), vai à Rússia para tentar libertar Hooper (David Harbour) de uma prisão onde são feitas experiências com criaturas do Mundo Invertido. Quanto aos jovens, alguns partem para resgatar Onze, outros ficam em Hawkins investigando as mortes causadas por Vecna e por fim Nancy (Natalia Dyer) e Robin (Maya Hawke) viajam para outra cidade em busca de pistas sobre a real identidade do assassino. Em sua jornada elas descobrem um personagem interpretado por Robert Englund, o próprio Freddy Krueger do cinema.

Para não dizer que esta é uma temporada perfeita, há certa morosidade para a trama avançar. Para se ter ideia, passam-se dois episódios até os protagonistas descobrirem que Vecna é o responsável pelas mortes que estão acontecendo em Hawkins. Além disso, a subtrama de Hooper na Rússia também demora para engrenar. Acredito que o problema maior tenha sido a grande quantidade de personagens e situações com que os enredos tiveram de lidar, o que levou todos os capítulos a terem duração superior a uma hora, não raro chegando próximo dos 90 minutos até atingir a exagerada marca dos 140 minutos no episódio final. Que, diga-se de passagem, é maior que muitos filmes do gênero.

É nele que o vilão é enfrentado pelos vários heróis em diversas frentes, na tentativa de evitar que ele mate Max (Sadie Sink), fazendo dela o sacrifício final para eliminar a barreira entre os mundos. Aqui, é de se louvar o esforço dos irmãos Duffer para que cada personagem tenha seu momento e faça a diferença durante a batalha. Aliás, não tem como deixar de se empolgar quando vemos Hopper empunhar a espada de Conan (sim, literalmente é a mesma usada por Arnold Schwarzenegger nos seus dois longas) para enfrentar um Demogorgon. Este episódio poderia encerrar a série, não fossem algumas pontas ainda deixadas soltas e o enorme cliffhanger que o encerra, que levarão à 5ª e, esta sim, derradeira temporada.

Com suas fartas referências à cultura pop da década de 1980, em especial aos filmes de terror e de ficção científica, STRANGER THINGS continua sendo uma ótima recomendação para os fãs mais nostálgicos destes gêneros. Não é à toa que o escritor Stephen King, criador de obras como CHAMAS DA VINGANÇA e IT- A COISA (duas fortes influências para a produção) é fã de carteirinha da série.

E para quem já está sofrendo por antecipação com o fim, que deverá chegar ano que vem, a boa (?) notícia é que a Netflix irá desenvolver uma série derivada. Nada mais natural, já que STRANGER THINGS é um dos maiores sucessos de público e crítica do streaming, e que nesta temporada foi capaz até de recolocar em evidência a cantora Kate Bush, cuja canção “Running Up That Hill” (1985) foi parte importante da trama.

Jorge Saldanha

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