Resenhas - Filmes

Resenha de Filme: NÃO OLHE PARA CIMA


Don’t Look Up, EUA, 2021
Gênero: Comédia, Ficção Científica
Duração: 138 min.
Elenco: Leonardo DiCaprio, Jennifer Lawrence, Mark Rylance, Cate Blanchett, Jonah Hill, Meryl Streep, Rob Morgan, Tyler Perry, Timothée Chalamet, Ron Pearlman, Himesh Patel, Ariana Grande
Trilha Sonora Original: Nicholas Britell
Roteiro: Adam McKay, David Sirota
Direção: Adam McKay
Cotação: 4,0/5,0

O filme mais badalado do final de 2021 é uma produção da Netflix lançada na véspera do Natal e estrelada por um baita elenco. NÃO OLHE PARA CIMA (2021) é o novo filme de Adam McKay, o diretor que passou a ser encarado como um artista “sério” após abandonar as comédias de cunho mais despretensioso para se dedicar a assuntos mais políticos, a partir de A GRANDE APOSTA (2015) e VICE (2018). O tema do novo filme seria aquecimento global, mas a aposta do diretor e co-roteirista foi transformar esse mal que aflige o planeta de maneira mais lenta em um cometa que acabará com a Terra em seis meses. E, com isso, mostrar até que ponto vai o negacionismo de boa parte das pessoas nesses tempos de pós-verdade.

NÃO OLHE PARA CIMA também marca o retorno de Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence depois de dois anos longe das telas, o que não deixa de ser também um grande atrativo, levando em consideração a força dos dois astros que encabeçam um elenco que ainda traz Mark Rylance, Cate Blanchett, Jonah Hill, Meryl Streep, Tyler Perry, Timothée Chalamet, Ron Pearlman e Ariana Grande, entre outros. Ou seja, é um tipo de filme que vai chamar a atenção não só do grande público que vê qualquer coisa lançada pela Netflix, mas também dos cinéfilos interessados no trabalho do diretor, do elenco e das pessoas interessadas no assunto, tanto pelo viés político como pelo ecológico.

Este foi o filme de que mais gostei de McKay. Não há a velocidade excessiva dos diálogos de A GRANDE APOSTA e de VICE, e o senso de humor aparece aliado a um teor dramático que muito me interessou desde o começo. As cenas dos astrônomos vividos por DiCaprio e Lawrence calculando o tamanho do cometa, o potencial de seu impacto e a velocidade e o tempo de chegada à Terra passam um ar de empolgação e progressivo desespero contagiosos.

O que eles resolvem fazer, então? O mais óbvio: junto com o cientista governamental vivido por Rob Morgan, eles vão à Casa Branca para falar diretamente com a Presidente dos Estados Unidos (uma mulher sem caráter e sem capacidade de concentração vivida por Meryl Streep). Ela está sempre ao lado do seu Chefe de Gabinete, o próprio filho, um sujeito ainda mais odiável vivido por Jonah Hill que, “coincidentemente”, nos faz lembrar de um outro filho de presidente que, na realidade brasileira, está sempre atrelado às presepadas do pai.

Mas não há sujeito mais odioso em NÃO OLHE PARA CIMA do que o personagem de Mark Rylance, uma espécie de Steve Jobs com ligação direta com a presidência e que tem um tipo de riso e de desprezo com as pessoas que o torna o grande vilão do filme, por mais que seja um personagem menor. Falo isso dando mérito a Rylance pela construção desse personagem. Não foi à toa que, mesmo na maturidade, o ator se tornou um gigante.

Quando a presidente do país, claramente inspirada no jeito de Donald Trump, resolve não levar a sério o fim iminente do mundo, os nossos heróis resolvem botar a boca no trombone e ir à imprensa. Porém, a grande imprensa televisiva é tão cínica quanto os políticos, vide a recepção dos âncoras vividos por Cate Blanchett e Tyler Perry. Além do mais, o filme também lida com questões relativas à superficialidade das redes sociais, que mais se interessam por subcelebridades do que por assuntos mais sérios.

Ao atacar os políticos, suas salas de guerra e seus seguidores, a ganância dos grandes empresários e a “leveza” da mídia televisiva americana mais centrada em fofoca, McKay tenta uma aproximação de seu filme com clássicos como DR. FANTÁSTICO, de Stanley Kubrick, e REDE DE INTRIGAS, de Sidney Lumet, além da comédia de humor negro MERA COINCIDÊNCIA, de Barry Levinson.

Mas há também um clima de disaster movie sci-fi, embora de maneira totalmente diferente do que estamos acostumados a ver, e um bocado mais pessimista e ácido do que coisas patrióticas e toscas como ARMAGEDDON, de Michael Bay. Por isso e por tantos outros aspectos atraentes (e também repulsivos) do filme, difícil não sentir admiração por McKay e todos os envolvidos neste projeto.

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