Resenhas - Filmes

Resenha de Filme: MATRIX: RESURRECTIONS


The Matrix Resurrections, EUA, 2021
Gênero: Ficção Científica
Duração: 148 min.
Elenco: Keanu Reeves, Carrie-Anne Moss, Yahya Abdul-Mateen II, Jessica Henwick, Neil Patrick Harris, Andrew Caldwell, Christina Ricci, Eréndira Ibarra, Jada Pinkett Smith, Priyanka Chopra, Toby Onwumere
Trilha Sonora Original: Johnny Klimek, Tom Tykwer
Roteiro: Lana Wachowski, David Mitchell, Aleksandar Hemon
Direção: Lana Wachowski
Cotação: 3,0/5,0

Atenção: alguns SPOILERS à frente!

Não lembro qual filme recente me deu tanto trabalho para pensar sobre ele e escrever algo. O problema talvez seja a quantidade de dúvidas que ficaram em minha mente quando vi MATRIX: RESURRECTIONS (2021), desta vez dirigido apenas por Lana Wachowski. Mas a principal dúvida surgiu logo quando saí da sessão: por que fizeram esta sequência? Qual a necessidade?

Sei que esse tipo de pergunta em relação a um filme, essa coisa de dizer que tal obra é desnecessária, pode soar ofensiva, mas a própria diretora parece querer responder a essa pergunta ao final do seu filme, o que significa que ela também tinha essa dúvida. Há um diálogo presente no epílogo que tenta justificar a razão de existir do filme, feito com gosto de nostalgia.

O tom de autoindulgência fica no ar e fiquei me perguntando depois se não seria melhor se a Warner oferecesse o filme para que fosse pensado e dirigido por outro realizador, com interesse em fazer algo completamente diferente, e não uma espécie de reboot – é o que dá a impressão durante os primeiros 30 minutos iniciais, com tantas coisas se repetindo como no filme original. Lembremos que neste ano tivemos uma diretora nova assumindo uma continuação ou reinvenção para A LENDA DE CANDYMAN, e ela se saiu muito bem. Às vezes é questão de sorte. Sorte e talento.

E é curioso como o ótimo ator que fez o Candyman, Yahya Abdul-Mateen II, seja um dos pontos fracos deste quarto Matrix, ao reinterpretar o papel que fora de Laurence Fishburne, que declinou o retorno como Morpheus, talvez pelo peso da idade. A questão da idade, inclusive, não é apenas um detalhe em MATRIX: RESURRECTIONS. A própria diretora coloca imagens do filme original para destacar as diferenças físicas de Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss, por mais que ambos estejam muito bem depois de passarem dos 50.

Quem não está tão bem e envelheceu ou morreu foram os sobreviventes da resistência de Zion. A personagem de Jada Pinkett Smith, Niobe, aparece como líder do grupo após um intervalo de 60 anos, com um bocado de maquiagem para transformá-la numa anciã. Fiquei também me perguntando sobre essa escolha de terem feito esse intervalo de tempo tão grande, enquanto a nova Matrix apresentada, mais brilhante e colorida e menos verde e fria que a dos filmes anteriores, se passa em 2020 – destaque para uma cena em que pessoas dentro de vagões de trem usam máscaras.

De todo modo, apreciei a nova perspectiva, da memória como ficção. Como sou apegado a questões envolvendo memória, esse talvez tenha sido o aspecto do filme que mais me pegou, e não a questão romântica entre Neo e Trinity, que poderia ter rendido algo mais bonito, mais digno dos deuses mitológicos nos quais se transformaram ao longo dos tempos. Também gosto da contaminação maior entre humanos e seres artificiais, coexistindo nos dois mundos. Pareceu-me uma evolução do que já vinha sendo mostrado nos filmes 2 e 3.

Uma coisa, porém, que me frustrou, foi a coreografia das lutas. Pareceu-me pouco digna de quem tem um Chad Stahelski ali presente, inclusive no elenco. Além do mais, deu saudade do Hugo Weaving. Percebemos agora o quão bom ele é como o Agente Smith, o vilão mais ameaçador da franquia. Sua voz dizendo “Mr. Anderson” segue ecoando forte em nossa memória.

Ailton Monteiro

3 comentários em “Resenha de Filme: MATRIX: RESURRECTIONS

  1. jose ribamar de alencar santos

    O filme e uma bosta como o mundo em que vivemos atualmente bem observado por você na cena do trem. E só captar a mensagem. A intenção dela acredito eu foi essa mesma.

    Curtir

  2. Carlos Fernando

    Não gostei, não. Respondendo aos dois questionamentos feitos no primeiro parágrafo: foi feito para ganhar dinheiro. Qual a necessidade: ganhar dinheiro.

    Live long and prosper

    Curtir

Comente o conteúdo da postagem

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: