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Resenha de Série: PERDIDOS NO ESPAÇO – 3ª TEMPORADA


Lost in Space – Season 3 (2021)
Elenco: Toby Stephens, Molly Parker, Maxwell Jenkins, Taylor Russell, Mina Sundwall, Parker Posey, Ignacio Serricchio, Brian Steele, Russell Hornsby, Ajay Friese, Douglas Hodge, Raza Jaffrey, Charles Vandervaart, Karen LeBlanc
Criação: Zack Estrin
Direção: Vários
Cotação: 3,0/5,0

ATENÇÃO: caso você ainda não tenha assistido a terceira temporada de Perdidos no Espaço, o texto a seguir contém Spoilers

Fui um dos que gostou bastante do remake televisivo Perdidos no Espaço para a Netflix, já que ao mesmo tempo honrava a série clássica e a atualizava de forma competente para os dias atuais. Uma produção cara e caprichada que se encerrou com esta terceira temporada, e segundo o showrunner Zack Estrin a intenção sempre foi contar a aventura da Família Robinson em uma única história com começo, meio e fim. Assim, tinha boas expectativas para este último ano, cujo lançamento atrasou bastante por causa da pandemia mundial. Tiveram até que criar um lapso temporal para justificar o notável crescimento do garoto Maxwell Jenkins, que interpreta o menino prodígio Will.

Assistidos os episódios finais, e numa avaliação conjunta com as temporadas anteriores, dá para considerar que a série foi encerrada de forma satisfatória. Pena algumas escorregadas que, infelizmente, tiram parte do brilho do que poderia ser uma conclusão memorável. Afinal de contas, a série original terminou com os Robinsons ainda perdidos no espaço, e aqui eles conseguem chegar ao seu destino – o planeta habitável do sistema Alfa Centauri. Mas faltou mais capricho nos roteiros, e não deve ter ajudado muito o fato da trama ter de ser encerrada apenas em oito episódios, dois a menos que nas demais temporadas.

A história recomeça um ano depois dos eventos da temporada anterior, na qual os colonizadores enviaram seus filhos, a bordo de uma Júpiter, para Alfa Centauri, enquanto permaneceram com as demais naves no “Sistema Perigo” para distrair os robôs alienígenas. Mas a Júpiter 8, comandada por Judy (Taylor Russell), cai em um planeta onde ela providencialmente encontrará, em animação suspensa, seu pai biológico: Grant Kelly (Russell Hornsby), que 20 anos antes perdera-se no espaço com sua nave, a Fortuna. Até que os colonizadores se reencontrem com seus filhos, os primeiros episódios focam nos esforços de sobrevivência dos dois grupos, e sem dúvida trazem os melhores momentos da temporada.

Porém, a partir do reencontro das famílias, surgem alguns problemas narrativos. A descoberta de que Grant Kelly está vivo tem pouco efeito na dinâmica familiar dos Robinsons, como seria de se esperar. Achei que faltou mais emoção no momento em que Judy diz a Grant que é sua filha. John (Toby Stephens) nem ciúmes sente daquele que poderia ser um rival na sua posição de marido e pai, e logo se acerta com ele. Já Maureen (Molly Parker) reencontra Grant como se ele fosse apenas um conhecido que não via há algum tempo.

Quanto à Drª. Smith (Parker Posey), cuja sobrevivência ao ataque dos robôs foi muito mal explicada, além de sua jornada rumo à redenção pouco acrescenta à trama, e o Major Don West (Ignacio Serricchio) ocupa cada vez mais a função de alívio cômico que seria dela. Pior é a apressada chegada em Alfa Centauri, totalmente anticlimática. Se na série original os Robinsons seriam pioneiros, os primeiros a lá pisar, agora já temos uma colônia plenamente estabelecida, apinhada de gente e com uma invejável infraestrutura, que até inclui uma enorme hidrelétrica. Os Robinsons e seu grupo, portanto, são apenas mais uns entre muitos.

Will… como você cresceu!

Agora, as coisas que mais me incomodaram. Os Robinsons partem para Alfa Centauri no mesmo exato momento que os robôs, que pretendem chegar lá e destruir a colônia (Will descobrira que, mais que recuperar o motor alienígena, eles pretendem destruir os humanos, como já haviam feito com seus criadores). Mas estranhamente a Júpiter 2 chega lá com boa antecedência, a tempo de avisar a colônia do ataque iminente, sem que os robôs tenham se adiantado e assim atacado os colonos desprevenidos. Em vez disso eles mandam um pequeno grupo avançado (que chegou lá sabe-se como) para sabotar as turbinas da usina hidrelétrica, de modo que um sistema de defesa planetário, que praticamente ninguém na colônia sabia que existia, não pudesse ser acionado. Obviamente eles fracassam, a nave deles tenta atravessar o escudo planetário e cai, com os sobreviventes tentando destruir o planeta acionando o motor em sua superfície.

Depois, em pleno ataque, Penny (Mina Sundwall), contra todas as probabilidades, resolve ajudar um robô semidestruído que liga-se a ela do mesmo modo que o Robô (Brian Steele) com Will, inclusive chegando a assumir aquela mesma aparência. Não tarda para que outras crianças e adolescentes “adotem” seus próprios robôs para ajudarem na batalha. Ou seja, bastaram poucos instantes para algo que era único e especial (a ligação entre Will e seu amigo mecânico) fosse banalizado. E para tornar as coisas ainda mais piegas, Will e o Robô vão ao planeta das máquinas, e com o poder do amor, da amizade e do auto sacrifício, as convencem a acabar com a guerra e se aliarem aos humanos. E por fim, como essa foi a última temporada, cadê os cameos de alguns sobreviventes do elenco original, que aconteceram nas anteriores?

Como seria de se esperar numa série familiar, o final é feliz, e a última imagem de Will e o Robô, admirando a paisagem deslumbrante de um planeta desconhecido, chega a emocionar. Mesmo relevando as derrapadas na linha de chegada, acho difícil que esta nova Perdidos no Espaço, ao contrário da série clássica, perdure por décadas na memória afetiva de quem a assistiu – ainda que, sem dúvida, seja dos melhores (senão o melhor) revivals de clássicos dos anos 1960 já feitos.

As três temporadas de Perdidos no Espaço estão disponíveis na Netflix.

Jorge Saldanha 

1 comentário em “Resenha de Série: PERDIDOS NO ESPAÇO – 3ª TEMPORADA

  1. Jose Aguiar

    Duas coisas: Primerio o Jonh Robison e Kelly falam sobre Judy. Kelly aprova e se frusta por não ter vivido com ela e ante disso tem um pequeno dialogo com a sra. Robison, claro que não é nda assim grandioso, mas foi feito um dialogo bom. A unica coisa inexplicavel foi mesmo a Smith. Que ela tenha sobrevivido, ok, mas embarcar na Jupiter das crianças… ai já é demais, mas entre mortos e feridos tufo ficou bom. de 0 a 10. 8 ta bom.

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