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Resenha de Filme: ETERNOS


Eternals, EUA, 2021
Gênero: Ficção Científica
Duração: 157 min.
Elenco: Gemma Cha, Richard Madden, Angelina Jolie, Salma Hayek, Kit Harington, Kumail Nanjiani, Lia McHugh, Brian Tyree Henry, Lauren Ridloff
Trilha Sonora Original: Ramin Djawadi
Roteiro: Chloé Zhao, Patrick Burleigh, Ryan Firpo, Kaz Firpo
Direção: Chloé Zhao
Cotação: 3/5

Quando a Marvel Studios anunciou seus filmes e séries para o início da chamada Fase 4, ficou claro que estávamos mesmo diante de algo muito grandioso e ousado. Não no que se refere à forma e ao aspecto cinematográfico das obras. Quanto a isso, creio que Kevin Feige e os demais executivos que mandam no estúdio não têm mesmo intenção de entregar um filme a um autor e deixá-lo fazer uma obra de fato autoral.

Por isso a expectativa em torno de ETERNOS (2021) era grande pelo fato de ser assinada por Chloé Zhao, a diretora chinesa vencedora do Oscar por NOMADLAND (2020) e que tem uma filmografia curta, mas já marcadamente interessada em algo próximo do documental e também do intimista. Então, será que Zhao conseguiria imprimir sua marca em uma mega produção cheia de efeitos especiais? Será que a Marvel permitiria? Ou será que ela seria mais um autor engolido pelas engrenagens da grande indústria? A propósito, vale destacar que nem sempre se trata de muito dinheiro envolvido, já que os filmes de super-heróis da DC, na Warner, têm a cara dos seus realizadores. Na Marvel, certos realizadores conseguiram deixar algumas de suas marcas, como Taika Waititi, em THOR – RAGNAROK e James Gunn, em GUARDIÕES DA GALÁXIA (2014) e sua continuação (2017). No caso de ETERNOS, não consegui ver a assinatura da diretora, mas talvez, com um pouco de esforço, isso seja possível de visualizar.

No mais, já adianto que gostei dos personagens e dos atores e atrizes (boa parte deles), gostei do visual (faltou eu ter lido os quadrinhos de Jack Kirby, mas imagino que a transição para o cinema foi bem pensada), gostei da ousadia da Marvel ao trazer personagens de seu repertório desconhecidos até de muitos leitores, gostei da pluralidade de raças para representar os Eternos, sendo que o respeito às minorias também se estende à orientação sexual, forma física etc. O problema é que o filme cansa um bocado, não por ser muito expositivo (embora isso também incomode), mas o que poderia ser o momento mais empolgante do filme, o seu clímax, é talvez o mais tedioso – nesse sentido, lembra muito o que aconteceu com SHANG-CHI E A LENDA DOS DEZ ANÉIS.

E onde está o sentido de perigo, a angústia, o senso de urgência de um fim iminente ou da própria descoberta da natureza dos heróis? Tudo isso não deveria ser sentido pelo espectador? Terá sido culpa da falta de liberdade criativa que a Marvel tem deixado de conceder aos cineastas contratados, resultando em obras genéricas e sem alma? Por isso acredito que a Marvel precisa parar de se preocupar menos com o big picture e focar mais em filmes como objetos individuais minimamente independentes.

Uma das dificuldades de ETERNOS está no quanto se trata de um projeto a respeito de um universo inteiramente novo para o cinema, e portanto é preciso que a direção e o roteiro tenha a tarefa de contar a história desses seres que estariam entre nós há décadas, mas que não poderiam interferir nos problemas dos terrestres, a não ser para defender a Terra dos Deviantes, seres monstruosos vindos para matar e destruir. Era essa a função dos Eternos, seres muito parecidos com os humanos e com poderes individuais. Por isso a duração longa de duas horas e meia para poder contar essa história.

A Marvel aqui aposta principalmente em atores menos famosos na telona, como Gemma Chan (PODRES DE RICOS, HUMANS) e Richard Madden (GAME OF THRONES), que são os protagonistas do grupo, mas também traz atrizes coadjuvantes famosas e extremamente importantes para a trama, como Angelina Jolie e Salma Hayek. Isso traz um bom equilíbrio para o elenco. Ainda que não seja o suficiente para salvar o filme, não deixa de ser mais um de seus atrativos.

O perigo, eu diria, não está nas ousadias da Marvel em trazer heróis quase desconhecidos do grande público (isso até pode funcionar como propaganda e apresentação para os iniciantes dos quadrinhos), mas em não se preocupar mais com a qualidade de seus filmes individualmente, como havia falado antes. Por mais que os fãs continuem lotando os cinemas e vendo as séries lançadas agora no streaming próprio, até quando essa fidelidade resistirá a filmes medianos?

Ailton Monteiro

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