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Sci Files: 20.000 LÉGUAS SUBMARINAS


Em 1866, o Professor Pierre M. Aronnax (Paul Lukas) e seu assistente Conseil (Peter Lorre), que estão em São Francisco para pesquisar relatos de um monstro marinho gigante atacando navios no Oceano Pacífico, são convidados a participar de uma expedição naval para caçar a criatura. Durante a busca, eles e o arpoador Ned Land (Kirk Douglas) são lançados ao mar durante um ataque, acabando por descobrir que o monstro é na verdade um submarino nuclear criado pelo brilhante, mas assombrado, Capitão Nemo (James Mason).

O majestoso Nautilus

20.000 Léguas Submarinas é uma pérola produzida pela Disney nos anos 1950, em uma época em que não havia ainda os grandes blockbusters – em uma superprodução para a época. Walt Disney era muito fã dos livros de Jules Verne, e logo que descobriu que os direitos do filme haviam sido adquiridos por um produtor no início da década, os comprou do mesmo algum tempo depois, e chamou o Richard Fleischer para dirigir. Trouxe grandes atores de Hollywood para o elenco e ele supervisionou a produção pessoalmente.

O resultado não poderia ser melhor. Em 1954 Disney lançava o filme nos cinemas, inaugurando a era das câmeras CinemaScope para o seu estúdio. A produção rendeu mais de cinco vezes o investido e o longa se tornou um clássico, em uma época em que filmes de ficção científica e fantasia não eram levados a sério. De quebra, ganhou duas estatuetas (das três indicadas) no Oscar, incluindo a de Efeitos Especiais.

A batalha contra a lula gigante

Revendo hoje este fantástico clássico dos cinemas, disponível no streaming Disney+, constatamos que ele realmente é uma obra-prima, apesar de os efeitos hoje em dia já estarem (obviamente) datados e o ritmo lento da história, se comparado ao das produções “estilo Marvel” de hoje em dia. Temos atuações de grandes atores como Kirk Douglas, que chega a dançar e cantar como um marinheiro do século XIX, ou o memorável diálogo do vilão Nemo (o grande James Mason) tentando explicar sua aversão à humanidade, que ele considera corrupta e assassina, ao mesmo tempo em que mata e destrói as embarcações de guerra sem pensar duas vezes, e sem ter seu juízo de hipocrisia levado à discussão por ninguém, exceto Ned Land.

Ned Land (Kirk Douglas) canta com sua amiga Esmeralda

Peter Lorre também brilha como Conseil, o ajudante do professor Pierre Aronnax (Paul Lukas), e faz um bom par com Kirk Douglas. Realmente não ligo se a trama é mais arrastada que a dos filmes atuais, o filme compensa isso com vários outros méritos, como as filmagens aquáticas, bastante inovadoras para a época. O longa teve cenas rodadas em locação nas Bahamas e na Jamaica (sensacional o ataque da tribo de canibais dos mares do sul), e outro ponto positivo foi a trilha sonora orquestral de Paul J. Smith, que hoje seria considerada “tradicional” ou datada, mas que se adequa perfeitamente à época em que se passa o filme. Mas o maior destaque é mesmo o icônico submarino Nautilus, fruto de um desenho de produção bastante caprichado. Seus interiores são ainda mais interessantes, como o cenário da sala principal do Capitão Nemo, dominada pelo grande órgão.

O amargurado Capitão Nemo (James Mason) comanda o Nautilus

Quem leu o livro de Jules Verne notará algumas mudanças no roteiro (especialmente o final), mas isso não afeta a grandiosidade de uma produção que, aparentemente, Hollywood já esqueceu como se faz. Um clássico mais artesanal e não industrial, como hoje, e que já há tantas décadas trazia uma forte mensagem contra a guerra e pela preservação dos oceanos. São filmes como este que nos faziam sorrir dentro de uma sala de cinema, ou agora na poltrona da nossa casa.

Ricardo Melo

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