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Resenha de Filme: DUNA (2021)


Dune, EUA, 2021
Gênero: Ficção Científica
Duração: 155 min.
Elenco: Timothée Chalamet, Oscar Isaac, Rebecca Ferguson, Stellan Skarsgård, Zendaya, Jason Momoa, Charlotte Rampling, Dave Bautista, Javier Bardem, Josh Brolin
Trilha Sonora Original: Hans Zimmer
Roteiro: Denis Villeneuve, Jon Spaihts, Eric Roth
Direção: Denis Villeneuve
Cotação: 4/5

Com a estreia adiada em mais de um ano por causa da pandemia, finalmente chegou aos cinemas mundiais DUNA (Dune, 2021), a aguardada nova adaptação do clássico livro de Frank Herbert que já fora levado às telas pelo diretor David Lynch em 1984 e também em minisséries televisivas do Sci-Fi Channel. Desta vez, o escolhido para comandar a ambiciosa produção foi o canadense Denis Villeneuve (SICARIO), que parece estar se especializando em dirigir cults de ficção científica como A CHEGADA (Arrival, 2016) e BLADE RUNNER 2049 (2017).

Fã da obra de Herbert, Villeneuve, aqui também co-roteirista, apresentou à Legenday Pictures e Warner Bros. o projeto de adaptar o primeiro livro da saga em dois filmes, tanto que nos créditos de abertura vemos que o título oficial deste longa é DUNA – PARTE 1. O problema é que até o momento desta resenha o estúdio autorizou as filmagens apenas do primeiro segmento, e os atrasos na produção e do seu lançamento, além da estratégia da Warner em disponibilizá-lo simultaneamente no streaming HBO Max dos EUA, gera o temor de que DUNA, que custou Us$ 165 milhões, não renda o suficiente nas bilheterias para que sua continuação seja de fato algum dia produzida.

Este primeiro filme é uma adaptação ambiciosa e, ainda que considere prematuras suas comparações com franquias como O SENHOR DOS ANÉIS e STAR WARS, sem dúvida possui qualidades que extrapolam às da média dos blockbusters que Hollywood lança todos os anos. O ótimo elenco foi escolhido a dedo entre os nomes quentes do cinema contemporâneo (que incluem atores e atrizes vindos de franquias bilionárias como Oscar Isaac, Josh Brolin, Zendaya, Dave Bautista, Jason Momoa e Rebecca Ferguson), sendo encabeçado pelo queridinho da crítica Timothée Chalamet, que incorpora à perfeição o messiânico Paul Atreides. Além disso, veteranos como Charlotte Rampling e Stellan Skarsgård (este como um Barão Harkonnen menos falante porém mais ameaçador) abrilhantam ainda mais o cast.

DUNA é tecnicamente espetacular, o tipo de filme que merece ser visto nos cinemas, preferencialmente em uma sala IMAX. O diretor emprega uma paleta de cores esmaecida, que remete à aridez do planeta Arrakis, mas para compensar traz sequências grandiosas e de tirar o fôlego, com panorâmicas que lembram os grandes épicos do cinema. Os efeitos visuais são irretocáveis, tanto o desenho de produção como os figurinos são inventivos – provavelmente não tanto quanto os do filme de Lynch, que por sua vez já pareciam bregas quando do seu lançamento e sem dúvida não envelheceram nada bem. Já quanto à trilha sonora de Hans Zimmer, não passa de uma colagem de texturas sonoras. Particularmente preferiria uma abordagem musical mais tradicional, mas reconheço que, na maior parte do tempo, ela complementa bem as imagens.

As ditas “falhas” que críticos apontam em DUNA, na verdade, são características inerentes ao material fonte e não podem ser atribuídas ao roteiro ou à direção – ainda que algumas mudanças fossem inevitáveis em relação ao livro. A quebra de ritmo em sua metade final seria inevitável, uma vez que a “jornada do herói” de Paul ganha tons mais intimistas após o grande ataque dos Harkonnen a Arrakis. E sim, o longa termina de forma aparentemente incompleta porque Dennis Villeneuve dá aos seus filmes o ritmo e o tempo de que necessitam para desenvolver suas histórias e seus personagens. Alguns deles, como Chani (Zendaya), pouco aparecem e deverão ter mais proeminência adiante. Daí a necessidade de que a Warner oficialize a Parte 2, a fim de que pelo menos o primeiro livro da saga de Frank Herbert finalmente ganhe uma adaptação integral à altura de sua importância.

Os fãs dos clássicos da ficção científica não tem do que reclamar neste ano de 2021. Além deste DUNA, também foram agraciados com FUNDAÇÃO, de outro gigante literário, Isaac Asimov, na forma de uma caríssima série do Apple TV+ que poderá ter até oito temporadas. Torçamos para que DUNA trilhe caminho semelhante, mas nas telas do cinema, transformando-se na grande franquia que há muito tempo sonhamos.

ATUALIZADO em 26/10/2021: Duna – Parte 2 foi confirmado pela produtora Legendary – leia AQUI.

Jorge Saldanha

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