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Resenha de Série: RAISED BY WOLVES – 1ª Temporada


Raised By Wolves – Season 1 (2020)
Elenco: Amanda Collin, Abubakar Salim, Winta McGrath, Travis Fimmel, Niamh Algar, Jordan Loughran, Matias Varela, Felix Jamieson, Aasiya Shah
Criação: Aaron Guzikowski
Direção: Vários
Cotação: 3,5/5

ATENÇÃO: caso você ainda não tenha assistido a primeira temporada de Raised By Wolves, o texto a seguir contém SPOILERS!

Após uma guerra religiosa que praticamente destruiu a Terra, um casal de androides, Mãe (Amanda Collin) e Pai (Abubakar Salim) são enviados ao planeta Kepler 22B pela facção dos Ateus, levando embriões humanos a fim de preservar nossa espécie. Dos embriões apenas o garoto Campion (Winta McGrath) sobrevive, e além do ambiente hostil o pequeno núcleo familiar terá de enfrentar um outro grupo colonizador vindo da Terra, os Mitraicos – fanáticos religiosos adoradores do Sol. Mãe ataca a arca colonizadora e rapta cinco crianças e adolescentes, para substituir seus filhos perdidos, e os religiosos sobreviventes partem em uma missão para resgatar os jovens.

Esta é a trama central de Raised By Wolves, série produzida por Ridley Scott (Blade Runner, franquia Alien) exclusivamente para o streaming HBO Max. Dos dez episódios desta primeira temporada, lançada em setembro do ano passado nos EUA mas que chegou por aqui no final de junho último, Scott dirige os dois primeiros, e seu filho Luke mais um par. E sabendo que, em termos de ficção científica, ele tem especial predileção por androides, a série (baseada numa história do showrunner Aaron Guzikowski) é o veículo perfeito para que siga na discussão de temas que lhe são caros – a condição humana sob a ótica da IA, a sobrevivência (aqui mais na linha de Perdidos no Espaço que de Alien) e a mola-mestra da produção: a maternidade.

Raised by Wolves foi rodada em locações da África do Sul, mas apesar de ter um alto orçamento isso parece não ter se refletido nos seus aspectos visuais. A imagem tem cores lavadas, o desenho de produção é minimalista – tudo é muito simples, clean, e os figurinos lembram os filmes europeus de ficção científica dos anos 1960. Os efeitos visuais variam de muito bons a medíocres. No aspecto narrativo, o ritmo é lento, mas consistente em seus primeiros episódios. Os roteiros buscam compensar o andamento contemplativo e mais intelectual da história com vários plot twists – um estuprador de máscara de ferro que engravida uma adolescente, o ataque devastador de Mãe à nave colonizadora, estátuas voadoras, animais carnívoros que, como se descobre posteriormente, são humanoides involuídos, uma estilizada cena de sexo virtual e por fim a gravidez da androide.

Já na conclusão da temporada a série, que fazia um equilibrado contraponto entre instinto materno, paternidade e discussão religiosa, dá uma guinada rumo a um território similar ao de Prometheus e sua continuação, misturando evolução humana e incubações alienígenas. No episódio final, que abre possibilidades mirabolantes para a já confirmada segunda temporada, Mãe dá à luz a algo semelhante a uma enguia alienígena, que rapidamente cresce e se transforma em uma gigantesca cobra voadora, ao mesmo tempo em que outra nave colonizadora, desta vez dos Ateus, chega a Kepler 22B.

Apesar da simpatia de Pai e suas piadas de androide, é a evolução de Mãe ao longo da temporada, valorizada pela interpretação de Amanda Collin, o elemento mais importante da trama, deixando os demais arcos, como o do casal de Ateus Sue (Niamh Algar) e Caleb (Travis Fimmel), que assumem a identidade dos pais de um dos garotos Mitraicos raptados por Mãe, a léguas de distância. Uma pena que, para retratar o progressivo enlouquecimento de Caleb, Fimmel não conseguiu evitar os tiques do personagem que o tornou famoso – Ragnar Lothbrock, da série Vikings.

Mas voltando a Collin, a atriz dinamarquesa conquista o espectador tanto pela impostação física como por sua interpretação sutil, transmitindo emoções mesmo com voz suave e escassas expressões faciais, adequadas ao papel. Originalmente um Necromante, tipo de androide letal usado na guerra, suas transformações de matriarca dedicada em uma voadora arma de destruição, com gritos e olhos capazes de desintegrar qualquer ser vivo, são impressionantes.

A primeira temporada de Raised by Wolves está disponível no HBO Max. Já a segunda, cuja produção começou no último mês de março, deverá ser lançada apenas em 2022.

Jorge Saldanha

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