Resenhas - Séries

Resenha de Série: STAR TREK: DISCOVERY – 3ª Temporada


Star Trek Discovery Season 3 (2020)
Elenco: Sonequa Martin-Green, Michelle Yeoh, Doug Jones, Anthony Rapp, Mary Wiseman, Wilson Cruz, David Ajala, Oded Fehr, Tig Notaro, Rachael Ancheril, Janet Kidder, Blu del Barrio, Ian Alexander, David Cronenberg
Roteiro: Vários
Direção: Vários
Cotação: 2/5

ATENÇÃO: caso você ainda não tenha assistido à terceira temporada de Star Trek: Discovery, o texto a seguir contém SPOILERS!

Encerrada a terceira temporada de Star Trek: Discovery, se confirma o que eu já desconfiava: ela é forte candidata a ser a pior série da franquia, numa competição acirrada com Star Trek Picard. O que é uma lástima, já que os valores de produção e as tecnologias de hoje são muito superiores aos quais as séries anteriores dispunham. Tanto que toda a pós produção, devido ao isolamento da pandemia, foi feito à distância pela equipe. Mesmo assim, durante essa temporada, ao invés da expectativa para o que aconteceria no episódio seguinte, ela só me provocou indiferença.

Na segunda temporada, entre altos e baixos, houve alguns retcons na tentativa de colocar a série nos eixos, sendo o maior deles lançar Michael Burnham (Sonequa Martin-Green) e a nave Discovery quase 1000 anos após o século 23. O que não seria uma má ideia, já que pelo menos as tecnologias avançadas até então apresentadas não pareceriam tão deslocadas quanto na linha de tempo original. Aliás, se Discovery já tivesse começado no século 32, tudo isso poderia ser evitado.

Mas enfim, passamos para esse futuro distante, onde um inexplicável fenômeno chamado Combustão destruiu instantaneamente quase todo o dilítio da galáxia e explodiu os reatores de dobra das naves, o que levou à destruição da Frota Estelar e, consequentemente, ao desmantelamento da Federação dos Planetas Unidos. O que não seria uma premissa tão ruim (ainda que com muitos furos), apesar de chupada do conceito de Gene Roddenberry que já deu origem à série Andromeda. Aceitaria de bom grado uma série onde acompanharíamos as missões da USS Discovery (ou seria USS TARDIS, já que ela é muito maior por dentro do que por fora?) usando seu motor de esporos na tentativa de reerguer a Federação, que ficou limitada a um punhado de naves sem combustível ocultas em uma espécie de casulo cósmico, sob a liderança do Almirante Charles Vance (Oded Fehr, uma das boas novidades da temporada).

Outra boa adição é o diretor cult David Cronenberg (Scanners, A Mosca), que sempre usando seus indefectíveis óculos quadrados, em pleno século 32, tem aparições recorrentes como o irônico cientista federado Kovich. O problema é que os showrunners Alex Kurtzman e Michelle Paradise insistem, na maior parte do tempo,  em pegar o pior dos últimos filmes de J.J. Abrams, ou seja, priorizar as cenas de ação e não se preocupar em produzir roteiros que tenham o mínimo de coerência e lógica, e detonar elementos consagrados da franquia, como o planeta Vulcano – se na linha de tempo alternativa do cinema ele foi destruído, aqui se unifica com Romulus e vira Ni’var.

E não podemos esquecer, claro, das inevitáveis questões de identidade de gênero, com a introdução dos personagens Adira (não-binário!) e Gray (transexual), interpretados pelos jovens atores transgêneros Blu del Barrio e Ian Alexander. O problema é que ao invés de tratar isso de forma natural (como faz Doctor Who, por exemplo), a coisa é feita de um jeito forçado, especialmente no caso de Adira. Isso acaba gerando o efeito contrário de segregação, tanto que ela – digo, “elx” – é “adotadx” pelo casal gay Stamets (Anthony Rapp) e Culber (Wilson Cruz). A mensagem que fica, pelo menos pra mim, é que uma pessoa como Adira não seria aceita por uma família heterossexual.

Se a interessante Georgiou (Michelle Yeoh) se despede nesta temporada em um arco razoável que combina o Universo Espelho com o Guardião da Eternidade (ela vai protagonizar a futura série da Seção 31), temos o ingresso do aventureiro Book (David Ajala), mais um personagem na linha do contrabandista simpático Han Solo de Star Wars e que se torna o par romântico de Burnham. E por último mas não menos “importante”, surge a oriana mafiosa Osyraa (Janet Kidder), de longe o pior vilão/vilã que já deu as caras na franquia. No confronto final dela com Burnham só pude revirar os olhos enquanto me lembrava dos embates de Kirk contra Khan ou Chang.

Depois de Khan contra Kirk temos Osyraa contra Burnham… Oh dor!

Mas a cereja do bolo é a revelação sobre o grande mistério da temporada, a tal Combustão. Resumidamente, a destruição em nível galáctico foi causada pela birra de um garoto kelpiano, Su’Kal, que desenvolveu uma conexão com o dilítio. Daí só podemos imaginar como o universo sobreviveu até então, sendo tão suscetível a eventos aleatórios como esse. Pelo menos essa parte da trama permitiu que o bom ator Doug Jones, que sempre aparece em filmes e séries usando fantasias ou pesadas maquiagens, atuasse por dois episódios sem a máscara de Saru. Que, aliás, deixa o comando da Discovery – depois de, numa decisão ilógica, promover a alferes Tilly (Mary Wiseman) a Número Um – e retorna ao seu mundo para cuidar do birrento Su’Kal, agora adulto.

O arco de Michael nessas três temporadas se encerra com ela finalmente promovida a Capitã na vaga de Saru (que fim levou a premissa desta ser a primeira série de Star Trek que teria um/uma protagonista que não fosse Capitão? E será que alguém realmente duvidava de que isso ia acabar acontecendo?). Na cena final vemos a nova Capitã sendo recebida pela tripulação da Discovery (agora com novos uniformes que lembram os “pijamas” de Jornada nas Estrelas: O Filme) e  a nave partindo rumo às missões para reconstruir a Federação, com direito a um texto elegíaco de Gene Roddenberry e ao tema musical da Série Clássica.

Resumo da história: Star Trek: Discovery não funciona direito nem como uma space opera voltada à diversão, como The Mandalorian (que pelo menos agrada a quem é fã de Star Wars e acaba entregando mais do que promete), ou The Expanse, que faz uma abordagem mais séria e realista do tema.

Jorge Saldanha

4 comentários em “Resenha de Série: STAR TREK: DISCOVERY – 3ª Temporada

  1. Leonardo Quinino

    Achei bem interessante o final.
    Não é o melhor dos StarTrek mas gostei sim.
    Não acho que seja tão ruim, tão terra arrasada, quanto o autor do artigo tenta mostrar.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Cristina

    Discordo totalmente! É um seriado muito empolgante e divertido. Adoro todos os seriados Star Trek (bom, não gosto e não assisti todos do Deep Space Nine).
    E assisti a todos os seriados desde sempre, e esse não é ruim, muito pelo contrario, acho ótimo.
    Achei com uma narrativa excelente, imagens lindas e aguardei ansiosamente cada episódio! É Star Trek puro.
    E o Picard, tem outro tipo de apresentação, narrativa diferente, mas também é legal. Adorei cada episódio.
    A vida toda assisti Star Trek, e esses dois são os que estão no ar, então, já seria o suficiente !! Mas eu adoro os dois.

    Curtido por 1 pessoa

  3. Gilson Pereira de Farias

    E a esquerda, que foi desmascarada, por nós. Está desesperada.

    Curtido por 1 pessoa

  4. Giovanni R

    Discordo totalmente do critico. A 3ª temporada é otima assim como toda a série. 2/5 é ter muita má vontade.

    Curtido por 1 pessoa

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