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Resenha de Série: LOVECRAFT COUNTRY – 1ª Temporada


Lovecraft Country – Season 1 (2020)
Elenco: Jonathan Majors, Jurnee Smollett, Aunjanue Ellis, Michael Kenneth Williams, Abbey Lee, Jamie Chung, Jordan Patrick Smith, Courtney B. Vance, Jada Harris, Jamie Neumann, Mac Brandt
Roteiro: Vários
Direção: Vários
Cotação: 3/5

ATENÇÃO: caso você ainda não tenha assistido a primeira temporada de Lovecraft Country, o texto pode conter SPOILERS.

Filmes e séries que discutam racismo e questões de gênero é a bola da vez para estúdios, canais e serviços de streaming, e muitas dessas produções usam elementos fantásticos e de fantasia para fazê-lo. Pode-se dizer que o cineasta Jordan Peele, um dos produtores desta Lovecraft Country, vem sendo muito bem sucedido a esse respeito, tendo dirigido dois filmes – Corra! (2017) e Nós (2019) – onde racismo, ficção científica e horror se combinam de forma natural e orgânica para criar pesadelos (ou pelo menos desconforto) em espectadores de qualquer etnia. Essa linha foi seguida no novo reboot da clássica série Além da Imaginação, produzido e apresentado por Peele, ainda que para mim, em vários episódios, a abordagem tenha ficado demasiadamente forçada, beirando a panfletagem.

Recentemente a HBO surpreendeu com a série limitada Watchmen, que conquistou vários Emmys e onde vimos uma variante da clássica graphic novel protagonizada por uma empoderada e badass afrodescendente, Angela Abar (a premiada Regina King). Em sua trama complexa a série resgata o pouco lembrado (ou mesmo conhecido) Massacre de Tulsa, ocorrido em 1921 e que resultou em 10.000 negros perdendo casas e empregos, e aproximadamente 300 mortos. Para não perder esse embalo, pouco depois emissora lançou a série com 10 episódios Lovecraft Country, baseada no livro Território Lovecraft, de Matt Ruff.

Com produção de Jordan Peele e J.J. Abrams e adaptada por Misha Green, a trama da série (como no livro) se passa nos Estados Unidos segregados da década de 1950, tendo como protagonista Atticus “Tic” Freeman, um rapaz negro, veterano da Guerra da Coreia, fã de H. P. Lovecraft e outros escritores de ficção científica e de terror. Tudo começa quando Atticus, ao descobrir que o pai (Michael Kenneth Williams) desapareceu, volta à cidade natal para, junto com o tio George (Courtney B. Vance) e a amiga Lettie (Jurnee Smollett), partir em uma missão de resgate. Na viagem até a mansão do herdeiro da propriedade que oculta um mistério de família e uma sociedade secreta que busca a imortalidade, o grupo enfrentará monstros, rituais sanguinolentos e um velho conhecido – o preconceito racial.

Como pontos positivos da série, podemos citar a primorosa reconstituição de época e o elenco predominantemente negro, que apesar de não contar com grandes nomes abraçou de corpo e alma seus personagens. Destaque para Jonathan Majors, que interpreta Atticus com garra, convicção e honestidade, qualidades que transparecem em todas as suas cenas. De resto, temos altos e baixos, às vezes com alguma forçação de barra – fazer do pai de Atticus um homossexual reprimido é totalmente irrelevante para a trama, e serve apenas para cumprir a atual pauta politicamente correta.

Na primeira metade da temporada Lovecraft Country é muito irregular, onde o arco principal ainda não foi bem solidificado e a discussão do racismo não se encaixa bem com os elementos sobrenaturais e algumas cenas de horror legitimamente trash. Já na segunda metade temos pelo menos dois ótimos episódios, sendo que o meu favorito é o sexto, “Meet Me in Daegu”, um flashback que mostra o encontro de Atticus com a súcubo Ji-Ah (a gracinha Jamie Chung) durante a Guerra da Coreia. Aliás, para mim ela é a melhor personagem da série, mas infelizmente foi subutilizada.

É exatamente a partir de “Meet Me in Daegu” e do lisérgico episódio seguinte “I Am.”, que introduz na trama os conceitos de outros universos e viagem no tempo, que a série realmente diz a que veio. Achei que o final poderia ser melhor mas acabou sendo satisfatório, já que basicamente fecha todas as pontas soltas, com Atticus sacrificando-se para salvar sua família que, agora, domina a magia que era do culto liderado pelos Braithwhite.

Enquanto escrevo essa resenha ainda não houve a confirmação de que haverá uma segunda temporada, mas se ela vier terei interesse em continuar acompanhando a série. Tomara que Chtullu retorne, e que ele não seja apenas uma breve fantasia na cabeça de Atticus…

Jorge Saldanha

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