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Resenha de Filme: ENOLA HOLMES


Enola Holmes, Reino Unido, 2020
Gênero: Aventura, Mistério
Duração: 123 min.
Elenco: Millie Bobby Brown, Henry Cavill, Sam Claflin, Helena Bonham Carter, Louis Partridge, Burn Gorman, Adeel Akhtar, Susan Wokoma, Fiona Shaw
Trilha Sonora Original: Daniel Pemberton
Roteiro: Jack Thorne
Direção: Harry Bradbeer
Cotação: 4,5/5

No século XIX, Enola Holmes (Millie Bobby Brown) é uma adolescente cujo irmão, 20 anos mais velho, é o renomado detetive Sherlock Holmes (Henry Cavill). Quando sua mãe (Helena Bonham Carter) desaparece, fugindo do confinamento da sociedade vitoriana e deixando seu dinheiro para trás, inicia uma investigação para descobrir o paradeiro dela, ao mesmo tempo em que precisa ir contra os desejos de seu tutor, o irmão Mycroft (Sam Claflin), que quer mandá-la para um colégio interno.

Filme muito interessante, inspirado em uma personagem que não existe no cânone oficial de Conan Doyle (nunca foi citada, o que quer não quer dizer que não poderia ter existido), baseado em livros infanto-juvenis escritos pela escritora norte-americana Nancy Springer entre 2006 a 2010 (em um total de seis aventuras).

A jovem e carismática Millie Bobby Brown, mundialmente conhecida pelo seriado Stranger Things, também da Netflix (e que estreou no cinema ano passado com Godzilla II: Rei dos Monstros), comprou os direitos dos livros para a sua produtora e conseguiu com que a Legendary Pictures, junto com os estúdios da Warner, produzisse o longa. Com a pandemia, a Warner não estava conseguindo uma data certa para lançar seus filmes no cinema, e acabou vendendo os direitos de distribuição de Enola Holmes para a Netflix, que dia 23 de setembro lançou o filme em sua plataforma de streaming.

O longa sabe explorar bem a ‘jornada do herói’, conforme o livro O Poder do Mito de Joseph Campbell. Filmes com heróis carismáticos sempre batem nesta tecla, seja um Superman, um Indiana Jones ou um Luke Skywalker, entre outros. Millie praticamente carrega o filme nas costas, com sua pouca idade mas muita confiança, muitas vezes olhando para a tela e conversando com o espectador. O que não quer dizer que o resto do elenco seja apenas “escada” para ela.

Henry Cavill (ele mesmo o Superman e o astro da série da Netflix The Witcher), é um Sherlock interessante, mais cometido e emocional, diferente das versões mais lógicas e cerebrais com as quais estamos acostumados. O que até faz sentido, já que a trama se passa antes de Sherlock Holmes se firmar como o grande detetive dos livros – inclusive ele ainda não conheceu o Dr. Watson.

Sam Claflin, como Mycroft, é quem realmente não foi muito desenvolvido, mas isso não influencia muito a trama. Temos a mãe de todos, Eudoria, com a atriz Helena Bonham Carter, grande camaleoa do cinema britânico (Harry Potter, Clube da Luta, O Discurso do Rei, entre outros), mais uma vez fazendo um papel excêntrico. Aliás, a direção de elenco foi muito feliz em contratar vários outros atores britânicos competentes para o filme, tirando os principais.

Então destaco aqui alguns deles, como Burn Gorman, o vilão da história, na qual Enola sai no tapa várias vezes. Ele ficou conhecido na década passada como Owen Harper, personagem da série Torchwood, um dos spin-offs de Doctor Who. Fiona Shaw, que faz a Senhorita Harrison, dona da escola onde Enola é enviada, participou da franquia Harry Potter como Petúnia Dursley. Uma terceira atriz que também esteve na franquia Harry Potter, Frances de la Tour, é a avó do Visconde Tewksbury. E interpretando este jovem Lorde, que faz par românico com Enola, temos uma outra grande revelação, Louis Partridge. Ele esteve recentemente na terceira temporada de Medici como Piero, filho de Lorenzo .

Outros aspectos interessantes do filme são a boa fotografia de época, sua direção de arte, principalmente na parte de figurino, bem estudado e caprichado, e a trilha sonora legal de Daniel Pemberton.

O ritmo da história é muito bom, colocando a heroína em vários cenários da Inglaterra vitoriana. E o contexto histórico também foi bem estudado, mostrando os movimentos feministas das sufragistas, que entre o final do século XIX e o início do século XX, chamavam a atenção para o papel da mulher na sociedade, principalmente quanto ao direito de voto.

Enola Holmes é um divertido entretenimento para jovens e adultos, mas principalmente para garotas entre 10 a 20 anos, que irão se identificar com a protagonista e testemunharão um momento crucial para a conquista dos direitos da mulher. É também um filme bem família, por mostrar a construção da integridade familiar na busca de Enora por sua mãe, com ajuda dos irmãos mais velhos.

Ricardo Melo

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