Resenhas - Filmes

Resenha de Filme: THE OLD GUARD


The Old Guard, EUA, 2020
Gênero: Ficção Científica
Duração: 125 min.
Elenco: Charlize Theron, Matthias Schoenaerts, Kiki Lane, Marwan Kenzari, Luca Marinelli, Chiwetel Ejiofor, Harry Melling
Trilha Sonora Original: Volker Bertelmann, Dustin O’Halloran
Roteiro: Greg Rucka
Direção: Gina Prince-Bythewood
Cotação: 3,5/5

Tem surtido um efeito positivo a maior abertura de produções de Hollywood para diretoras mulheres. No caso de Gina Prince-Bythewood, trata-se de uma mulher negra que contava no currículo com alguns poucos dramas e comédias românticas com uma repercussão relativamente pequena: ALÉM DOS LIMITES (2000), A VIDA SECRETA DAS ABELHAS (2008) e NOS BASTIDORES DA FAMA (2014). Todos são filmes que lidam com questões étnicas e que põem a diretora na crescente lista das cineastas ativistas.

No caso de THE OLD GUARD (2020), há o ativismo negro e do poder da mulher, mas há também um interesse muito forte em abraçar a luta contra a homofobia. Dos protagonistas imortais da trama, há histórias de personagens homossexuais vistos de maneira muito bonita e respeitosa, como é o caso do casal Joe e Nicky, vividos, respectivamente, por Marwan Kenzari e Luca Marinelli, o excelente ator de MARTIN EDEN.

Quanto ao fato de termos uma mulher dirigindo um filme de ação de super-heróis, Prince-Bythewood se junta a Patty Jenkins (MULHER-MARAVILHA), Cathy Yan (AVES DE RAPINA – ARLEQUINA E SUA EMANCIPAÇÃO FANTABULOSA) e Cate Shortland (VIÚVA NEGRA, ainda inédito). Ou seja, há uma movimentação muito interessante acontecendo para que mulheres possam dar voz a protagonistas femininas com suas sensibilidades próprias, afastando aos poucos a sombra do machismo dominante na indústria.

E se THE OLD GUARD ainda não é um grande exemplo de filme de ação, é interessante aceitar a obra como ela é, e não como ela poderia ter sido. As principais reclamações sobre o filme são com relação à falta de um maior cuidado com as coreografias nas cenas de luta; ou à falta de uma continuidade na adrenalina nas cenas de ação, já que o drama se instala imediatamente após essas cenas. Mas eu diria que está justamente aí a beleza do filme: em conseguir trazer dramaticidade e seriedade para aquilo que parecia até um tanto ridículo no início – aquele grupo de mercenários imortais cheios de pose prontos para uma missão em um país distante.

Aos poucos essa pose se desconstrói e vemos também personagens frágeis. Tendo tantos anos de existência na Terra, há também muitas experiências trágicas acumuladas, em especial nas memórias da protagonista, Andy, vivida com sensibilidade e carisma por Charlize Theron. Andy tem especialmente duas lembranças muito dolorosas de parceiros imortais do passado, que serão contadas à nova imortal, a jovem soldado negra Nile, vivida por Kiki Lane.

É pelos olhos dessa jovem imortal que vamos descobrindo um pouco mais sobre as vidas secretas desse pequeno exército de imortais, que têm suas próprios sensos de honra e de justiça. E quanto à fragilidade deles, há um momento em especial que torna Andy tão frágil quanto incrivelmente forte, lá pelo terceiro ato, quando eles enfrentam a indústria farmacêutica que deseja lucrar com seus corpos. Aliás, o vilão caricato (Harry Melling) é um dos pontos fracos do filme, é verdade, mas não chega a comprometer tanto assim, se pesarmos os prós e os contras na balança.

Poderia haver um cuidado maior com as imagens, um certo rigor formal cairia bem, até como forma de compensar a falta de coreógrafos de luta e diretores de cenas de ação mais íntimos no assunto. Acaba ficando um filme de cenas um tanto genéricas. Porém, como disse, há algo na dramaticidade que faz com que THE OLD GUARD se torne digno de nossa atenção e carinho.

Derivado de uma HQ do ótimo Greg Rucka, que também é o roteirista desta adaptação cinematográfica, o filme até tem grandes chances de ter uma continuação. E será ótima se tiver, tanto como uma maneira de revisitarmos os personagens, quanto como uma forma de a diretora, ou quem pegar o projeto, ter a chance de torná-lo ainda melhor, aproveitando-se das tantas potencialidades. Afinal, o tema da imortalidade ainda é visto por muitos como algo extremamente fascinante.

Ailton Monteiro

0 comentário em “Resenha de Filme: THE OLD GUARD

Comente o conteúdo da postagem

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: