Resenhas - Séries

Resenha de Série: DARK – 3ª Temporada


Dark – Season 3 (2020)
Elenco: Louis Hofmann, Lisa Vicari, Karoline Eichhorn, Maja Schöne, Stephan Kampwirth, Paul Lux, Oliver Masucci, Jördis Triebel, Andreas Pietschmann, Julika Jenkins
Roteiro: Baran bo Odar, Jantje Friese
Direção: Baran bo Odar
Cotação: 4/5

ATENÇÃO: caso você ainda não tenha assistido a terceira temporada de Dark, o texto contém SPOILERS.

Quando estreou na Netflix em 2017, a série alemã Dark parecia apenas um mistério policial envolvendo o desaparecimento de um garoto em Winden, pequena cidade no interior do país. Mas com o desenrolar dos episódios da primeira temporada a trama foi se tornando cada vez mais complexa e sombria (para fazer jus ao título da série), conforme descobríamos que outras crianças também ali desapareceram em circunstâncias similares mas em diferentes décadas, e que viagens no tempo são utilizadas por duas facções do futuro que pretendem evitar ou garantir o apocalipse que ocorrerá em 2020 (ano fatídico, hein?), tendo como ponto focal a usina nuclear localizada nos arredores da cidade. E isto é só a ponta do iceberg.

Temos muitos personagens, mas muitos MESMO, que conforme a série vai adotando uma narrativa não linear em épocas diferentes, ganham versões mais novas ou mais velhas, conforme o caso, com o emprego de atores e atrizes diferentes (com resultados de convencimento variável) ou com o mesmo intérprete maquiado para parecer mais velho. E ainda por cima há personagens  que, dependendo da época, usam nomes diferentes e só vamos descobrir posteriormente quem é quem. Uma grande teia vai se formando, e quando se dá conta o espectador já está emaranhado nela, tentando descobrir ligações entre personagens e situações que vão sendo apresentados a cada episódio, muitas vezes em revelações surpreendentes. Afinal, como diz um dos personagens, “tudo é conectado”.

Destacam-se na série Jonas e, posteriormente, Martha, cujas versões jovens são interpretadas respectivamente pelos ótimos Louis Hofmann e Lisa Vicari, que relutantemente embarcam em suas jornadas para salvar não só seus entes queridos, mas também o próprio mundo. Na verdade, mundos… sim, porque como vimos já no episódio final da segunda temporada, com a chegada de uma Martha de outro mundo, há um universo paralelo com os mesmos personagens mas em situações distintas, onde também ocorreu o apocalipse. Assim, a trama complexa que já envolvia diferentes timelines, nesta terceira e derradeira temporada passa também a incluir um mundo alternativo, com suas próprias viagens no tempo, e não demora para que vários personagens comecem a transitar de um universo para outro.

Com todas essa facetas complexas, ficava imaginado como Baran bo Odar (diretor e roteirista) e Jantje Friese (roteirista), os criadores de Dark, conseguiriam dar um desfecho coerente à série. Bem, felizmente eles conseguiram, ainda que me parece ficando umas pontas soltas (afinal, qual é a do filho de Jonas e Martha, que aparece sempre em trio fazendo trabalhos sujos para a Eva?) e utilizando ao final um recurso um tanto Deus ex Machina. Pela maior parte do tempo somos levados a crer que, apesar dos esforços em contrário, o apocalipse não poderia ser evitado. Mas eis que, “no apagar das luzes”, uma personagem secundária descobre (e não explica como) que existe um terceiro universo paralelo, o original, onde a experiência mal-sucedida de um cientista em viajar no tempo provocou uma cisão que deu origem aos dois mundos que já se conheciam. E que no momento do apocalipse seria aberta uma ponte que uniria os três universos, permitindo que alguém vá ao mundo de origem para evitar que o cientista eventualmente crie sua máquina do tempo com a intenção de prevenir a morte de sua família.

Assim, no exato momento do cataclisma, Jonas e a Martha alternativa vão para o universo original e conseguem evitá-lo, mas ao mesmo tempo são apagados da existência já que seus respectivos mundos não serão mais criados. O final, com o jovem casal se dissolvendo em partículas brilhantes e posteriormente a família reunida, é ao mesmo tempo trágico e bonito, sendo um dos raros momentos em que a série traz alguma esperança para o futuro.

Com seu tom pesado e obscuro, sem dúvida Dark não é para todos. A trama complicada e os episódios que muitas vezes ultrapassam 60 minutos de duração desestimulam o binge watching (maratona) – eu pessoalmente só consegui assistir a no máximo dois episódios em sequência, e já com o cérebro “derretendo”. Mas para quem aprecia ficção científica adulta e, especialmente, viagens no tempo e universos alternativos, a série se torna obrigatória. Afinal, é uma das raras produções contemporâneas a tratar esses temas de forma séria, abordando teorias da ciência de vanguarda como o Paradoxo de Bootstrap.

Jorge Saldanha

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