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Sci Files: Exterminando o Futuro com AS CRÔNICAS DE SARAH CONNOR


Quem acompanha a franquia O Exterminador do Futuro desde o memorável primeiro filme de James Cameron, estrelado por Arnold Schwarzenegger e Linda Hamilton (Terminator, 1984), notou que ao longo dos anos as coisas começaram a ficar complicadas. Nem mesmo o recente O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio (Terminator: Dark Fate, 2019), do qual Cameron foi produtor, conseguiu consertar as coisas.

De um implacável vilão, o cyborg T-800 interpretado por “Schwarza” virou protetor de John Connor, o futuro líder da rebelião que derrotará as máquinas, e sua mãe, Sarah Connor, contra sucessivos exterminadores enviados pela Skynet – e isso tudo após a cronologia do Apocalipse ter sido alterada no segundo (e para muitos, superior) longa de 1991 (O Julgamento Final).

O que na época ninguém imaginaria é que, entre o terceiro (2003) e o quarto (2009) filmes, a franquia daria origem a uma série de TV onde aí sim tudo viraria um “samba do exterminador doido”, com cyborgs e rebeldes voltando às pencas para o passado em busca dos heróis.

Summer Glau como a “teenminator” Cameron

A série Terminator: The Sarah Connor Chronicles estreou nos Estados Unidos em 2008 no canal Fox, e teve duas temporadas. A primeira contou com apenas nove episódios devido à greve dos roteiristas de Hollywood, já a segunda seguiu o padrão da TV aberta com 22 episódios.

A série é centrada na relação de Sarah Connor (Lena Headey, que antes de se consagrar como a Cersei de Game of Thrones assumiu o papel que fora originalmente de Linda Hamilton) com seu filho de 15 anos John Connor (Thomas Dekker, da segunda temporada de Heroes), que são incansavelmente perseguidos pela Skynet.

Por sorte eles contam com a ajuda da exterminadora Cameron Philips (Summer Glau, da série cult de Joss Whedon Firefly), que salva John e Sarah do ataque de um exterminador e, usando uma máquina do tempo dos rebeldes, vão para o ano 2011.

A cronologia da série, que já tinha ido pro espaço com o terceiro filme (A Rebelião das Máquinas, 2003), ficou ainda mais bagunçada. Vejam o seguinte:

  • Foi estabelecido que a rebelião da Skynet contra a humanidade começaria em 1997, no chamado “Dia do Julgamento Final”;
  • No segundo filme Sarah, John e um segundo exterminador modelo T-800 (Arnold Scharwzenegger) destroem a empresa que estava desenvolvendo a Skynet. Ou seja, a linha do tempo teria sido alterada, impedindo a criação da Skynet;
  • No terceiro filme simplesmente nos é jogada a informação de que o governo continuou o projeto, e que em 2003 a Skynet vai ser ativada – o que de fato acontece. Vários detalhes do filme de 1991 são totalmente ignorados para viabilizar esta trama;
  • Por fim, a série também ignorou o longa de 2003, já que fica claro que John não via um exterminador desde que enfrentara o T-1000 no segundo filme. O espectador, portanto, foi levado a concluir que os eventos antecedem a ele, e por fim a viagem que o trio faz para o futuro próximo criou uma nova linha do tempo, onde tudo pode acontecer.

Na série ainda tivemos o agravante da banalização das viagens no tempo, algo que eventualmente também aconteceu no cinema. No primeiro filme vimos que fora possível enviar para o passado apenas um rebelde (Reese, que viria a ser pai de John Connor) e um exterminador (o T-800). Agora, os integrantes da resistência humana e muitos exterminadores voltam ao passado com facilidade.

A segunda e última temporada de Terminator: The Sarah Connor Chronicles terminou de ser exibida nos EUA alguns meses antes do lançamento do filme O Exterminador do Futuro: A Salvação (Terminator: Salvation, 2009), que seria o primeiro de uma nova trilogia do diretor McG com Cristian Bale (trilogia Batman de Christopher Nolan) interpretando John Connor.

Mas o longa afundou nas bilheterias e o projeto foi cancelado, sendo sucedido anos depois por filmes ainda piores como Gênesis (2015) e o próprio Destino Sombrio (2019). Nesse contexto, diria que a série é mediana e pode divertir os fãs, mas também não chega nem perto da qualidade dos dois primeiros filmes, de James Cameron. No Brasil a série foi exibida no Warner Channel e no SBT e também foi lançada em DVD, com o título de O Exterminador do Futuro: As Crônicas de Sarah Connor.

Guilherme da Costa Radin (In Memoriam)

1 comentário em “Sci Files: Exterminando o Futuro com AS CRÔNICAS DE SARAH CONNOR

  1. edilson273

    Eu até que curti a série, mesmo que ela tenha ignorado o terceiro longa, que gostei mais do que os dois primeiros, pois teve mais história do que correria. A série teve episódios espetaculares, como o do exterminador que errou no tempo e foi parar na década de 1920. O que me incomodou mais foram certas liberdades tomadas em relação ao cânone dos personagens. Um exemplo: Sarah Connor morena. Não se trata de cabelos tingidos para disfarce, pois até em flashbacks e até na famosa foto com o cachorro, ela está morena, e não loura! No entanto, há coisas positivas e legais, como referências a coisas do universo de Terminator, inclusive à carreira anterior de Schwarza. Tem exterminador cujo corpo original era de ator que fazia personagem tipo Conan. Infelizmente a série foi cancelada meio de repente, próxima ao fim da segunda temporada. Dessa forma, tudo se resolveu meio rápido no último episódio e de forma que deixou muita ponta solta. Uma pena.

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