Resenhas - Séries

Resenha de Série: CONTOS DO LOOP – 1ª Temporada


Tales from The Loop – Season 1 (2020)
Elenco: Rebecca Hall, Jonathan Pryce, Paul Schneider, Ato Essandoh, Duncan Joiner, Jane Alexander, Daniel Zolghadri, Nicole Law, Tyler Barnhardt, Danny Kang
Roteiro: Nathaniel Halpern
Direção: Vários
Cotação: 3/5

Nos últimos anos a ficção científica e a fantasia encontraram um terreno fértil nos canais de TV pagos e serviços de streaming, com filmes e séries sendo produzidos via de regra adaptando livros, quadrinhos, videogames, etc. Um dos mais recentes títulos nessa linha é a série da Amazon Contos do Loop (Tales from The Loop), criada por Nathaniel Halpern com base no homônimo livro de pinturas – isso mesmo – do artista gráfico sueco Simon Stålenhag.

Inspirado pelas ilustrações do livro (uma das quais você confere na imagem em destaque), Halpern criou oito episódios ambientados em uma cidadezinha atemporal (ela parece congelada entre os anos 1970 e 1980) cuja vida dos habitantes gira em torno e é influenciada pelo Loop – uma intrigante máquina criada pelo cientista Russ (Jonathan Price) que está num complexo situado abaixo da cidade. E nada mais é explicado sobre a real função do Loop ou o surgimento das máquinas e tecnologias mais avançadas que as do período em que a série se passa, seja ela qual for.

Em princípio a série se assemelha a antologias como Além da Imaginação (com ecos de produções como Eerie, Indiana e Eureka), onde cada episódio possui uma história independente. Porém, conforme a temporada transcorre, percebemos elos de ligação entre as tramas, representados por consequências de incidentes anteriores ou personagens em comum que ora são coadjuvantes num episódio, ora são os protagonistas de outro. Tudo é narrado num ritmo por vezes excessivamente lento, contemplativo, que não dá muito espaço para que membros mais consagrados do elenco, como Jonathan Price e Rebecca Hall, se destaquem.

Mas para mim o que realmente caracteriza a série é o tom melancólico, até mesmo às vezes depressivo. Assim, tramas como as da menina que perde a mãe e viaja para o futuro, dos dois adolescentes que trocam de corpo e cuja mente de um deles vai parar num robô solitário, dos jovens amantes que ficam presos numa fração de segundo, do segurança que é transportado para uma dimensão paralela e vê o seu amor ficar com seu doppelganger, do garoto que sofre com a morte do avô, do robô abandonado numa ilha… me provocaram sensações de nostalgia e tristeza, acentuadas pela trilha sonora minimalista de piano e cordas co-escrita por Philip Glass. É como se o criador empregasse recursos típicos de Steven Spielberg para levar o espectador às lágrimas, mas sem providenciar um final feliz para compensar.

Talvez a originalidade da série resida exatamente nisso – usar elementos fantásticos para nos lembrar, sem concessões, da finitude da vida, da transitoriedade do amor, das perdas que caracterizam a maior parte das nossas existências. E nesse sentido ela pode ser considerada bem sucedida, tanto no aspecto formal como narrativo. Mas assim o fazendo não se torna uma produção muito recomendável para quem busca alegria e otimismo, ainda mais no momento em que a humanidade enfrenta uma das maiores crises das últimas décadas.

A primeira temporada de Contos do Loop está disponível no serviço de streaming Prime Video da Amazon.

Jorge Saldanha

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