Resenhas - Séries

Resenha de Série: WESTWORLD – 3ª TEMPORADA


Westworld Season 3 (2020)
Elenco: Evan Rachel Wood, Aaron Paul, Thandie Newton, Tessa Thompson, Vincent Cassel, Ed Harris, Jeffrey Wright, Rodrigo Santoro, Jimmi Simpson, Simon Quarterman, Hiroyuki Sanada, Luke Hemsworth
Roteiro: Vários
Direção: Vários
Cotação: 3,5/5

ATENÇÃO: caso você ainda não tenha assistido a terceira temporada de Westworld, o texto poderá conter SPOILERS. 

Depois da rebelião no parque Westworld, que causou as mortes de centenas de anfitriões (androides) e hóspedes (humanos), Dolores Abernathy (Evan Rachel Wood) foge para o mundo exterior decidida a mudar o destino de sua raça e dos humanos. Para levar a cabo o seu plano ela terá um grupo de aliados, alguns vindos com ela dos parques da Delos. Mas será ao lado do traumatizado ex-soldado Caleb Nichols (Aaron Paul) que ela travará as batalhas decisivas contra a Delos e a poderosa empresa Incite, comandada pelo implacável Engerraund Serac (Vincent Cassel).

Como vem fazendo desde o início, mais uma vez a série Westworld se reinventa em sua terceira temporada. No final da anterior, já deu para perceber que os showrunners Jonathan Nolan e Lisa Joy fariam grandes mudanças no programa, mas sinceramente não imaginava que seriam tantas. Com o foco da trama estando agora fora do parque, temos inovações em termos de narrativa, personagens e mesmo de temática. Visualmente a diferença é marcante, com a troca dos cenários do Velho Oeste e dos frios laboratórios do parque por ambientes urbanos e veículos futuristas, que remetem a Blade Runner ou mesmo ao vindouro game Cyberpunk 2077.

O principal ponto de discussão passa a ser a posse corporativa da informação como forma de controle da sociedade – algo que já fora introduzido na segunda temporada, mas ficara subjacente ao tema da busca pela imortalidade. E ao invés de desenvolver a história em diferentes linhas de tempo, o que foi uma surpresa (às vezes meio confusa) das temporadas anteriores, agora temos uma narrativa bem linear, que apenas eventualmente lança mão de flashbacks bem identificados para o desenrolar a história.

Passamos a ter um trio de protagonistas femininas ainda mais forte, que conduzem totalmente a trama – Charlotte (Tessa Thompson), Maeve (Thandie Newton) e, especialmente, Dolores. Esta, pode se dizer, passou a ser a “dona” da série, sempre dominando as ações e com uma exuberante presença na tela graças à atuação irretocável de Evan Rachel Wood, seja em momentos dramáticos como de ação. E estes, aliás, abundam nesta terceira temporada. O programa era mais contemplativo em seu primeiro ano, centrando-se mais na apresentação dos personagens e em pontos de discussão típicos da ficção científica que aborda a humanização da máquina. Já no segundo, onde ocorre a revolta dos androides nos parques da Delos, as coisas começaram a ficar mais movimentadas, mas nesta terceira temporada a série ruma abertamente para a ficção científica de ação, com vários confrontos agitados entre Dolores e Maeve, e outros opositores, às vezes em meio a multidões em revolta.

As motivações dos personagens por vezes não ficam bem definidas, mas pelo menos no caso de Dolores, que de submissa e doce anfitriã virou uma fria vilã na segunda temporada, isso é proposital. Por um bom tempo pressupomos que ela é movida pelo desejo de vingança por tudo que fizeram a ela e aos demais androides, e sendo assim pretende ter acesso à AI da Incite, Rehoboam, para destruir a humanidade. Mas isso sofre uma reviravolta no seu sacrifício final, que representa a vitória do livre arbítrio e deixa uma mensagem de esperança para o futuro de homens e máquinas.

Ainda sobre motivações, a mais fraca sem dúvida é a de Maeve. Tudo que ela faz é para voltar a se encontrar com uma filha que ela mesma sabe ser fruto da programação dos técnicos do Westworld: uma relação maternal baseada em falsas memórias, mas por causa dela se deixa transformar em uma capanga de Serac com a missão de encontrar e derrotar Dolores. Já o arco pessoal de Charlotte é mais convincente. Descobrimos que ela, assim como outros anfitriões que fugiram de Delos, é uma cópia de Dolores (algo que já tinha ficado subentendido no final da segunda temporada), e seu processo de humanização ao longo dos episódios, na qual passa de insegura serviçal a firme opositora, após a morte da família da verdadeira Charlotte, é desenvolvido de forma interessante.

Já personagens masculinos como William (Ed Harris), Bernard (o sempre excelente Jeffrey Wright), Serac e mesmo Caleb, nunca conseguem um grande protagonismo, ainda que os dois últimos se mostrem importantes nos momentos finais desta temporada. E falando em finais, mais uma vez o último episódio traz cenas pós-créditos que apontam para uma quarta temporada intrigante e instigante. Pelo que delas deduzimos, com Dolores morta definitivamente (será?), Charlotte comandará um exército de anfitriões ao lado da versão robótica de William, similar ao pistoleiro negro do longa original de Michael Crichton. E Bernard retornará do mundo virtual dos anfitriões muitos anos no futuro, já que o vemos acordando coberto por décadas de pó.

Para encerrar, o ponto baixo da temporada – pelo menos para nós brasileiros: a cena onde Serac encontra o presidente do Brasil (num ambiente apropriadamente tropical) cercado por militares sisudos e interpretado por um ator falando um português muito pior que o de Vincent Cassel (que é francês e mora no Rio de Janeiro desde 2013).

A terceira temporada de Westworld está disponível no serviço de streaming da HBO.

Jorge Saldanha

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