Resenhas - Séries

Resenha de Série: STAR TREK PICARD – 1ª Temporada


Star Trek: Picard – Season 1 (2020)
Elenco: Patrick Stewart, Isa Briones, Santiago Cabrera, Michelle Hurd, Evan Evagora, Alison Pill, Harry Treadaway, Peyton List, Jeri Ryan, Brent Spinner, Jonathan Frakes, Tamlyn Tomita
Roteiro: Vários
Direção: Vários
Cotação: 2/5

ATENÇÃO: Contém SPOILERS!

Depois dos filmes do “Abramverso” e da controvertida Star Trek: Discovery, o lançamento de Star Trek: Picard finalmente entregou o que uma grande parte do fandom queria – uma série ambientada no século 24 mostrando os acontecimentos pós-Nêmesis e que, ainda por cima, trouxe como protagonista um dos personagens mais estimados da franquia: o ex-capitão da Enterprise Jean-Luc Picard (Patrick Stewart).

O problema começou quando Stewart, então com 79 anos, sugeriu uma abordagem mais intimista, no estilo do bem sucedido filme Logan, onde interpretou um Professor Xavier mais envelhecido e às portas da morte. Assim, esqueça o firme capitão Picard comandando a nau capitânia da Frota Estelar: o personagem, aqui, é uma versão alquebrada do personagem, que aos 94 anos reúne uma tripulação chinfrim numa nave idem para tentar resgatar o que sobrou de seu falecido amigo, o androide Data (Brent Spiner, cuja maquiagem o deixou parecendo um clone do Steven Seagal). No caso, uma androide (Soji) feita a partir do cérebro positrônico de Data, e que assim seria sua “filha”.

Na trama Picard virou uma “persona non grata”, forçado a se aposentar como almirante e viver nos vinhedos da família após uma desastrosa evacuação de romulanos decorrente da destruição de Romulus por uma supernova (evento citado no filme Star Trek, de 2009). E para piorar a situação, os androides foram banidos da Federação em virtude de uma catástrofe ocasionada por eles anos antes, em Marte. Sem o apoio da Federação, o moribundo Picard se cerca de personagens coadjuvantes medíocres e parte em uma missão que o levará a um cubo Borg desativado que está sendo estudado pelos romulanos (sem dúvida a melhor sacada da produção), e depois para um longínquo planeta que é um Éden de androides.

Desses personagens coadjuvantes, o menos ruim é o capitão Han So… digo, Cristóbal Rios (Santiago Cabrera), comandante da nave Millenium Fal… digo, La Sirena, que transporta Picard & cia. em sua missão. A androide Soji (Isa Briones) basicamente não passa do “objeto de desejo” de Picard e de uma seita romulana radical dedicada a destruir formas de vidas artificiais; Raffi (Michelle Hurd), ex-imediata de Picard, está ali apenas para preencher a obrigatória cota de personagens “problemáticos” (viciada em drogas e bebida, rejeitada pelo filho, etc.); Agnes (Alison Pill), especialista em cérebros positrônicos, é bem recebida pela tripulação mesmo depois de assassinar seu ex-colega e amante; e o mais descartável de todos, Elnor (Evan Evagora), é um “romulano-elfo” que praticamente não serve para nada além de protagonizar algumas lutas estilosas de espada.

Para compensar estes personagens fracos a produção apelou para o fan-service, trazendo de volta personagens de séries anteriores como Riker (Jonathan Frakes) e Troi (Marina Sirtis), em versões obesas e envelhecidas, a ex-borg Sete de Nove (Jeri Ryan, ainda em boa forma) e o próprio Data. Mas saber o que aconteceu com estes personagens entre o hiato de suas séries e Star Trek: Picard não exatamente ajuda a melhorar a situação ou a superar o tédio que impera na maior parte dos 10 episódios da temporada.

Por fim, para mim o que realmente compromete a série é como a trama central não faz sentido. Os androides / formas de vida artificiais foram banidos da Federação, os radicais romulanos querem destruí-los… já os computadores de bordo inteligentes, os hologramas do capitão Rios e tantos outros em sei lá quantas naves e planetas estão liberados, como se não fossem a mesma coisa que os androides. Uma inteligência artificial senciente, ou “forma de vida artificial”, pode existir num corpo robótico que imita a aparência humana, num computador, num holograma médico. Todos são programas de computador sofisticados, e portanto simplesmente não faz sentido o problema ficar restrito aos androides com cérebro positrônico.

No episódio final, tivemos o prenúncio de uma grande batalha que no fim das contas não aconteceu e, para garantir a já anunciada segunda temporada, transformaram Picard num androide velho… aliás, pode se dizer que, a partir de agora, a imortalidade foi conquistada no universo de Star Trek, basta basta fazer um backup da consciência de qualquer um e transferi-la para um corpo artificial – ou melhor ainda para uma “capa” orgânica no melhor estilo Altered Carbon, porque não? A propósito, a série adota um peso e duas medidas ao discutir a mortalidade: Data, cuja mente fora preservada em um ambiente virtual, revela estar cansado de viver e pede que Picard o desligue; já o velho almirante, após atender ao pedido, ganha sobrevida como androide. Moral da história? Sei lá.

Certamente muitos discordarão desta minha avaliação da primeira temporada de Star Trek: Picard, tudo bem. Apesar dos pesares, em tempos de quarentena por causa da pandemia de coronavírus, ela deve ser assistida por quem é fã da franquia. Até porque ressalta o quão boa está sendo a terceira temporada de Westworld –  esta sim com ótimos personagens e que lida com o tema da inteligência artificial em um patamar bem superior, a ponto de se tornar a melhor série de ficção científica produzida nos últimos anos.

Jorge Saldanha

7 comentários em “Resenha de Série: STAR TREK PICARD – 1ª Temporada

  1. ca1701

    Chata, diria até desnecessária. Eu assisti por que sempre vejo qualidade nas séries da Amazon e por respeito ao Sir Patrick Stewart, fora isso achei bem fraca, trama típica de episódio da Nova Geração. A Amazon deveria investir em novidades, deveriam realizar A Fundação de Isaac Asimov! Este sim seria um clássico logo de cara e até mesmo A Guerra do Velho do John Scalzi.

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  2. Miguel

    Terminei de reler Duna, onde a Jihad Butleriana baniu computadores, robôs e qualquer forma de inteligência artificial. Algo bem mais coerente do que só eliminar andróides.

    Curtido por 1 pessoa

  3. Fernanda Ramos

    Nada a discordar. Desnecessária essa volta de Picard.
    Westworld é realmente a melhor série da atualidade, nisso preciso concordar!

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  4. Alessandro Silva

    Nunca mostraram os bastidores do comando da Frota Estelar na Terra!
    Oportunidade perdida novamente!
    Podiam ter feito isso. Mas…

    Curtido por 1 pessoa

  5. ca1701

    A Nova Geração sempre sofreu com esta síndrome de episódio da semana, no máximo dois episódios contando a mesma história. Mesmo no cinema havia uma superficialidade, nunca um arco mais profundo com um enredo mais complexo. Por isso que adoro The Expanse e Star Trek Discovery.
    Tem tramas, subtramas, coisas para explorar.

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