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Resenha de Filme: O HOMEM INVISÍVEL


The Invisible Man, EUA, 2020
Gênero: Ficção Científica, Suspense
Duração: 124 min.
Elenco: Elisabeth Moss, Aldis Hodge, Oliver Jackson-Cohen, Harriet Dyer, Michael Dorman, Storm Reid
Trilha Sonora Original: Benjamin Wallfisch
Roteiro: Leigh Whannell
Direção: Leigh Whannell
Cotação: 4,5/5

A Universal Pictures é uma produtora e distribuidora que tem um histórico bonito na década de 1930, quando foi a principal referência do cinema de horror em Hollywood. Começou a trazer os chamados monstros clássicos: primeiro Drácula, depois Frankenstein, depois a Múmia, o Homem Invisível, o Lobisomem e o Monstro da Lagoa Negra – além de variadas continuações e derivados desses personagens. Foi um sucesso estrondoso que durou mais de duas décadas. Há dez anos, a Universal começou a tentar trazer de volta esses monstros, em nova roupagem. Começaram com O LOBISOMEM (2010), com um diretor bom, Joe Johnston, e apesar de o filme não ser ruim, pouca gente lembra dele.

Em seguida o estúdio teve a ideia de contar uma história diferente de um de seus ícones. O resultado foi DRÁCULA – A HISTÓRIA NUNCA CONTADA (2014), dirigido por Gary Shore, que também acabou caindo no esquecimento. O mesmo ocorreu com VICTOR FRANKENSTEIN (2015), de Paul McGuigan, estrelado por Daniel Radcliffe, e chegou mesmo ao fundo do poço com A MÚMIA (2017), de Alex Kurtzman. Nem com a presença de Tom Cruise no elenco o filme conseguiu ganhar as audiências. Por isso, a ideia do estúdio de criar o chamado Dark Universe acabou sendo arquivada.

Assim, chegamos finalmente a O HOMEM INVISÍVEL (2020), que nem tinha um diretor de primeiro escalão ou com uma obra tão marcante no currículo. O australiano Leigh Whannell, que até então só havia dirigido dois longas, sendo um deles o pouco inspirado SOBRENATURAL – A ORIGEM (2015), foi o responsável por dar uma repaginada na história de Adrian Griffin (o primeiro nome não aparece no romance de H.G. Wells e é geralmente mudado a cada adaptação para o cinema), o homem que ficaria insano após uma experiência para se tornar invisível.

O grande acerto de Leigh Whannell, que assina também o roteiro, é que há agora uma mudança de ponto de vista, que passa a ser da esposa de Griffin, uma mulher abusada e violentada e que foge de uma moderna e sofisticada casa de vidro à beira-mar, em uma primeira sequência cheia de tensão. Vivida pela excelente Elisabeth Moss, Cecilia Kass consegue unir a fragilidade e a fortaleza em um único personagem, uma mulher profundamente traumatizada pelo marido, que é tido como morto. Seria uma boa notícia, mas ele deu um jeito de ter forjado a própria morte e agora está invisível para atormentá-la. Obviamente ninguém acredita nessa história e ela é tida como louca. O próprio filme traz possibilidades de que tudo não passa de loucura da personagem.

O interessante de tudo é que não vemos os tais maus tratos sofridos por Cecilia durante o casamento, mas aceitamos de bom grado seu medo intenso do marido sádico e monstruoso. E o que é ainda mais fantástico é que o filme consegue passar um clima de medo e tensão constantes, à medida que sabemos que há alguém dentro daquele espaço grande da janela scope. Whannell é sábio também em não enfatizar espaços claustrofóbicos ou muitas tomadas em close-up. Temos várias cenas em que vemos o espaço da casa, com a protagonista aparecendo no canto, enquanto os móveis e as paredes ocupam os dois terços do quadro.

A elegância dos planos é um destaque, assim como é também o uso magnífico do som e da música, que dá um tom de ainda mais horror à situação de perseguição que a desacreditada personagem sofre o tempo inteiro. Vale destacar o nome do compositor: o inglês Benjamin Wallfisch, que havia trabalhado em filmes como BLADE RUNNER 2049 (2017) e IT – A COISA (2017), entre outros. Mas é neste O HOMEM INVISÍVEL que vemos a excelência do seu trabalho. Em entrevista ao site Moviemaker, ele contou que se inspirou na trilha de Bernard Herrmann para PSICOSE. Ou seja, há momentos de completo silêncio, e outros em que a música aparece cortando agressivamente como uma faca nas mãos de alguém louco ou desesperado.

Há outros elementos hitchcockianos em O HOMEM INVISÍVEL, como os twists, as surpresas. E podemos dizer que temos uma obra tão bem-sucedida que consegue, diferentemente de muitos filmes do gênero, chegar ao seu clímax e continuar ainda forte, intenso, capaz de deixar o espectador prendendo a respiração. Há também uma dose generosa de gore e uma cena de ação fora de série (a cena do manicômio). Além do mais, ter uma atriz como a Elisabeth Moss, que já interpretou outras sobreviventes sofridas em séries como TOP OF THE LAKE e THE HANDMAID’S TALE, foi uma aquisição e tanto, e ela em si já é um símbolo desses tempos de luta contra a violência doméstica e o abuso sexual, dentro de uma obra que apresenta uma mulher à sombra de um relacionamento abusivo.

P. S: Quem tiver a oportunidade de ver o filme em uma sala IMAX, não deixe de aproveitar essa chance de ouro.

Ailton Monteiro

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