Resenhas - Séries

Resenha de Série: PERDIDOS NO ESPAÇO – 2ª TEMPORADA


Lost in Space – Season 2 (2019)
Elenco: Toby Stephens, Molly Parker, Maxwell Jenkins, Taylor Russel, Mina Sundwall, Parker Posey, Ignacio Serricchio, Brian Steele, Sibongile Mlambo, JJ Feild, Douglas Hodge
Roteiro: Vários
Direção: Vários
Cotação: 4/5

ATENÇÃO: caso você ainda não tenha assistido à segunda temporada de Perdidos no Espaço, o texto a seguir pode conter Spoilers

A primeira temporada do remake televisivo Perdidos no Espaço conseguiu o que poucos achavam provável: agradou aos fãs da clássica série e ao mesmo tempo conquistou novas gerações, tornando-se uma das mais aclamadas produções originais da Netflix.

Assim esta aguardada segunda temporada, que foi lançada no último dia 24 de dezembro, foi um legítimo presente de Natal. Partindo do cliffhanger deixado no final da temporada anterior, os novos episódios elevam o nível da série a um novo patamar, já que tudo é maior e, felizmente, melhor. O arco da trama segue a mesma estrutura, inicialmente mostrando os Robinsons isolados em outro planeta inexplorado, e posteriormente eles voltam a se reunir com os demais colonos da nave-mãe Resolute.

Também os fundamentos da série continuam os mesmos – a união da família frente ao desafio de sobreviver em ambientes desconhecidos, o elo entre o garoto Will (Maxwell Jenkins) e o Robô alienígena (Brian Steele) e a busca pela colônia de Alpha Centauri. Mas agora com os personagens já bem estabelecidos, a série ganha maiores valores de produção e entrega uma aventura mais elaborada e grandiosa, beirando o blockbuster.

Com o Robô ainda desaparecido, os Robinsons conseguem retornar à Resolute, que seguira o Júpiter 2 através da fenda espacial, e descobrem o grande segredo do seu sistema de propulsão alienígena: a nave é pilotada por outro Robô, apelidado de Espantalho, mas que está tão danificado que a única esperança de chegarem ao seu destino é o Robô de Will. O problema é que o líder da missão, Hastings (Douglas Hodge) tem seus próprios planos, e eles não envolvem o bem estar dos alienígenas e mesmo de boa parte do grupo de colonizadores. Isso leva os Robinsons a confrontarem Hastings, o que os torna foragidos a bordo da Resolute.

Como na temporada anterior, os roteiristas principais Matt Sazama, Burk Sharpless e o showrunner Zack Estrin novamente referenciam momentos antológicos da primeira temporada da série dos anos 1960, como a tempestuosa travessia marítima dos Robinsons (episódio “Mar Revolto”). E novamente temos pontas de atores do programa original: Bill Mumy retorna brevemente como o Dr. Zachary Smith, enquanto Angela Cartwright aparece como a mãe de June Harris, a.k.a. Drª Smith (Parker Posey).

Se já no início a relação entre Will e o Robô seguia o tom do filme E.T. – O Extraterrestre (1982), nesta temporada é acrescentado mais um elemento do clássico de Steven Spielberg. Adler (JJ Feild), responsável pelo Espantalho na Resolute, representa o personagem de Peter Coyote no filme, já que ele basicamente é a versão adulta de Will. Inicialmente seguindo os planos de Hastings, Adler acaba se unindo aos Robinsons e o Robô para salvar o Espantalho, ainda que sob o risco de não reencontrar seus próprios filhos que já estão em Alpha Centauri.

Mas como nem sempre bastam as boas intenções, os esforços dos Robinsons causam uma tragédia e atraem um exército de Robôs alienígenas para a Resolute, e a temporada termina com os adultos e as crianças separados por anos-luz de distância, em um outro cliffhanger que pode trazer não só novos perigos, mas agora também uma ameaça ao próprio núcleo da família.

Em suma, esta segunda temporada de Perdidos no Espaço é melhor em quase tudo que a primeira. Até nos grandes momentos de ação a trilha incidental de Christopher Lennertz ganha uma intensidade cinematográfica digna de John Williams ou de James Horner. Alguns poderão achar algumas soluções de roteiro previsíveis, simplistas ou até bregas, mas é bom nunca esquecer que se trata de uma produção para toda a família, e que ao contrário de muitas séries atuais não se acanha em apelar às emoções e anseios do telespectador.

Além disso, parece que finalmente acertaram no tom da Drª. Smith, que alterna momentos de vilania com outros tocantes. Além de Will e do casal Maureen (Molly Parker) e John (Toby Stephens), também Judy (Taylor Russel) e Penny (Mina Sundwall) ganham mais espaço para se desenvolver. E por fim o malandro mas leal Don West (Ignacio Serricchio), sempre pronto para ajudar a família Robinson, rouba a cena várias vezes.

Apesar da Netflix ainda não ter oficializado a terceira temporada de Perdidos no Espaço, é improvável que a série não seja renovada. É uma das produções mais queridas da Netflix e bem avaliadas pela crítica, o que é uma garantia de que ainda há muito espaço lá fora para os Robinsons explorarem – e se perderem.

Jorge Saldanha 

1 comentário em “Resenha de Série: PERDIDOS NO ESPAÇO – 2ª TEMPORADA

  1. Eu penso na temporada 1 como muito boa, introdutória das personagens e contexto.
    Eu estava ansioso pela segunda temporada mas sem imaginar como seria tão boa, melhor em vários aspectos.

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