Resenhas - Séries

Resenha de Série: THE WITCHER – 1ª Temporada


The Witcher – Season 1 (2019)
Elenco: Henry Cavill, Anya Chalotra, Freya Allan, Jodhi May, MyAnna Buring, Mimi Ndiweni, Therica Wilson-Read, Emma Appleton, Eamon Farren, Joey Batey, Lars Mikkelsen, Royce Pierreson, Anna Shaffer
Roteiro: Vários
Direção: Vários
Cotação: 3,5/5

Baseada na série de livros de Andrzej Sapkowski que ganhou repercussão mundial através dos videogames, The Witcher é uma das produções mais ambiciosas da Netflix e das mais aguardadas para este final de ano.

A série é ambientada no mundo do Continente, onde humanos, elfos, bruxos, anões e monstros lutam para sobreviver e prosperar, e onde o bem e o mal não são facilmente identificados. O destino do infame bruxo caçador de monstros Geralt de Rivia o fará encontrar a maga Yennefer e a jovem princesa Cirilla de Cintra, enquanto o impiedoso império de Nilfgaard avança para conquistar todo o Continente.

Trazendo Henry Cavill, o atual Superman do cinema, como Geralt de Rívia, esta primeira temporada com apenas oito episódios é bem produzida e tem um nível técnico elevado (é linda de ser ver numa tela grande 4K com HDR), ainda que em alguns aspectos, como certos figurinos e design de monstros, aparentemente houve falta de orçamento para que fosse feito algo mais caprichado.

A trilha sonora, a cargo de Sonya Belousova e e Giona Ostinelli, segue a mesma linha das músicas do jogo The Witcher 3, e inclui algumas canções pegadiças cantadas pelo bardo Jaskier (Joey Batey). “Toss a Coin To Your Witcher”, aliás, é séria candidata a se tornar um hit.

Mas basicamente há duas notícias sobre The Witcher, uma boa e uma má. A boa é que, de modo geral, a série agradará a quem leu os livros de Sapkowski ou jogou os videogames. A má é que quem está tendo o primeiro contato com o material talvez não a aprecie tanto assim, principalmente porque boa parte desta temporada apresenta o arco do trio de protagonistas – Geralt (Cavill), Yennefer (Anya Chalotra) e Ciri (Freya Allan) – em timelines diferentes, algo que poderá confundir os mais desatentos (até porque bruxos e magos e, pelo jeito, bardos, não envelhecem, mesmo em eventos separados por décadas).

Este recurso, já visto por exemplo na série Westworld, foi empregado pela showrunner Lauren Schmidt Hissrich para que os três personagens principais fossem introduzidos já desde o início da temporada, e também para que fosse possível adaptar os livros de contos do Geralt (aventuras isoladas) em paralelo à trama principal, que se desenrola no restante dos volumes. De forma geral a adaptação é bem sucedida, apesar de alguns senões – a desnecessariamente longa backstory que criaram para Yennefer e, principalmente, a apressada estada de Ciri com as Dríades da floresta de Brokilon, de grande relevância mas que na série é mostrada de forma tão superficial que se torna descartável.

Quanto ao elenco, temos muitos acertos. Henry Cavill, nerd confesso e fã de Geralt, pediu à produção para interpretar o personagem, e não se saiu mal (de forma nada sutil ele imita a voz do dublador do bruxo nos jogos), chegando a dispensar os dublês nas cenas de ação. Freya Allan está perfeita como Ciri, apesar de ser fisicamente diferente de sua imagem descrita nos livros e mostrada nos jogos (algo que se repete, de forma ainda mais radical, com outros personagens) . E no elenco coadjuvante há excelentes atores e atrizes que simplesmente roubam a cena quando aparecem, como Jodhi May (Rainha Calanthe), Joey Batey (Jaskier) e MyAnna Buring (a maga Tissaia).

Infelizmente, houve um grande miscasting quando escalaram Anya Chalotra como Yennefer, a poderosa maga que é o principal interesse amoroso de Geralt. Nos livros e jogos ela tem uma presença física de “parar o baile” – o que literalmente acontece em determinado momento. Mas a Anya não tem beleza, carisma e nem mesmo transmite o magnetismo da personagem para tanto. Assim, a cena em que ela entra no baile e todos param para admirá-la fica um tanto sem sentido. Menos mal que ela tem uma boa química com o Cavill, a partir do momento em que se encontram.

Apesar da recepção mista de público e crítica, o balanço final é positivo. A série já foi renovada, e com uma narrativa mais linear The Witcher tem tudo para deslanchar entre o público em geral. Até porque quem leu os livros, que trazem material para várias temporadas, sabe que o melhor ainda está por vir. Ah, e esqueça as comparações com Game of Thrones, sejam positivas ou negativas. Enfatizando o óbvio, lhes digo: apesar de terem elementos em comum, como fantasia e cenas de nudez e sexo, uma série não tem nada a ver com a outra.

Jorge Saldanha

0 comentário em “Resenha de Série: THE WITCHER – 1ª Temporada

Comente o conteúdo da postagem

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: