Resenhas - Filmes

Resenha de Filme: AD ASTRA – RUMO ÀS ESTRELAS


Ad Astra, EUA, 2019
Gênero: Ficção Científica
Duração: 124 min.
Elenco: Brad Pitt, Donald Sutherland, Kimberly Elise, Liv Tyler, Ruth Negga, Tommy Lee Jones, Alyson Reed, Anne McDaniels, Donnie Keshawarz, Elisa Perry, Greg Bryk, Jamie Kennedy
Trilha Sonora Original: Thomas Newman
Roteiro: James Gray, Ethan Gross
Direção: James Gray
Cotação: 4/5

O longa do diretor James Gray acompanha o engenheiro espacial Roy McBride (Brad Pitt) que, 20 anos depois de seu pai (Tommy Lee Jones) partir em uma missão sem volta para Netuno, à procura de vida extra-terrestre no chamado Projeto Lima, embarca em uma viagem pelo espaço para procurá-lo e entender por que sua missão falhou e motivou uma descarga eletromagnética que quase destruiu a humanidade. Donald Sutherland e Liv Tyler também integram o elenco, e a produção é do brasileiro Rodrigo Teixeira (A Bruxa, Me Chame pelo Seu Nome).

Ad Astra é uma daquelas produções de ficção-científicas filosóficas, que bebe bastante no clássico 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968) e no qual também se inspirou Interestelar. Poderá decepcionar alguns, muitos irão reclamar que o filme é uma coleção de clichês de vários outros filmes, uma produção nada original. Mas uma coisa posso dizer com certeza: independentemente disto, é um filme sensacional.

Achei interessante ele mostrar um mundo que evoluiu na exploração espacial de forma diferente da que conhecemos hoje. E se o Projeto Apollo tivesse continuado e tivéssemos colônias na Lua e depois em Marte? E se posteriormente, com a propulsão nuclear, pudéssemos explorar os confins do nosso sistema solar? O filme tem este cenário futurista, não muito distante mas também utópico – o que na verdade, ao conhecermos de perto, descobrimos que é uma falsa utopia, uma distopia disfarçada. Por exemplo, no lugar da NASA temos uma organização militar que controla o espaço (Comando Militar Espacial). A Lua é dividida em colônias envolvidas em disputas políticas e comerciais (várias marcas aparecem no filme), e está cheia de piratas…

Com visual e fotografia quase cinzentos, somos apresentados ao personagem de Pitt, o astronauta Roy McBride, que é um dos trabalhadores espaciais braçais desse futuro. No começo do filme o vemos na Torre Espacial, onde um acidente faz com que ele caia do espaço para a Terra e consiga sobreviver. Ele está com problemas no casamento, sua esposa, interpretada pela bela e sumida Liv Tyler, abandonou o lar. Tendo de lidar com estas situações, ele é convocado pelo Comando Militar Espacial para uma missão até Marte (com passagem pela Lua) para enviar uma mensagem ao seu pai, que seria responsável pela descarga de antimatéria que quase gerou a catástrofe mundial.

Ao longo da viagem, que depois seguirá até Netuno, Roy precisa ainda lidar com a solidão e sua própria consciência, cada vez vez mais perdendo o sentido da realidade até culminar naquilo que o roteiro determina ao final da sua jornada. No seu caminho ainda vão cruzando os personagens de Donald Sutherland, amigo de seu pai que tem informações importantes para ele, deixando-o preparado psicologicamente, e de Ruth Nega, que o ajuda em sua fuga.

O que muitos chamam de clichês eu chamo de homenagens, então é possível encontrar referências a diversos filmes como 2001, Stalker, Solaris, 2010, Blade Runner, Abismo Negro, O Enigma do Horizonte, Contato, Interestelar, Gravidade, Perdido em Marte, O Primeiro Homem, Wall-E, Lunar…. e, é claro, uma pitada do livro “Coração das Trevas”, que originou o clássico Apocalipse Now.

Gostei também da trilha musical de Thomas Newman, bastante melancólica e tensa. A fotografia é bonita, os efeitos visuais são competentes. Claro que existe na parte científica algumas coisas fantasiosas e não tão acuradas cientificamente, como o fato das bases lunar e marciana terem a mesma gravidade da Terra. Mas também temos efeitos sonoros competentes e a trilha sonora carrega o filme nas cenas de espaço, onde o som não existe (bem respeitado).

Por fim, mais um filme bacana para a carreira do Brad Pitt (também um dos produtores), que tem vivido um inferno astral após sua turbulenta separação de Angelina Jolie. Então, ele mesmo pode ter usado este fator para compor seu personagem que tem problemas familiares. Creio que seria injustiça não indicá-lo ao Oscar no próximo ano, já que ele também esteve bem competente no filme recente de Tarantino Era uma vez em Hollywood.

Poderia ficar horas escrevendo sobre o do filme, mas quero finalizar para dizer que, do meu ponto de vista, as comparações com Interestelar podem ser injustas, já que este filme é ao meu ver muito superior. Pois além do tom filosófico e a busca pessoal “quase religiosa” do protagonista pelo pai no espaço, a produção inclui várias e bem colocadas pitadas de ação e suspense para manter o interesse na trama. Mas, obviamente, gostar ou não do filme depende de cada um, é subjetivo. Eu, de fato, gostei.

Ricardo Melo

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