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Resenha de Série: GAME OF THRONES 8ª Temporada


Game of Thrones – Season 8 (2019)
Elenco: Kit Harington, Emilia Clarke, Peter Dinklage, Nikolaj Coster-Waldau, Sophie Turner, Maisie Williams, Iain Glen, Gwendoline Christie, Alfie Allen, Carice Van Houten, Rory McCann, Kristofer Hivju, Joe Dempsie, Richard Dormer, Aidan Gillen, Liam Cunningham, Nathalie Emmanuel, Isaac Hempstead Wright, John Bradley, Conleth Hill, Bella Ramsey, Jacob Anderson
RoteiroDavid Benioff, D.B. Weiss
Direção: Vários
Cotação: 3/5

ATENÇÃO: caso você ainda não tenha assistido ao episódio final da oitava temporada de Game of Thrones, o texto a seguir contém Spoilers

Então é isso. Acabou. Por oito temporadas e 73 episódios, Game of Thrones, de série de nicho virou um fenômeno mundial, um blockbuster televisivo que quebrou recordes tanto nas transmissões ao vivo na HBO como em streaming, de vendas de DVD/Blu-ray e até de pirataria, ganhou um número inédito de Emmys e que finalmente ontem chegou ao final agridoce que o autor da saga literária na qual se baseia, George R.R. Martin, prometera.

Num balanço geral, é inegável que a série teve muito mais pontos altos do que baixos. O problema é que os baixos parecem ter se concentrado a partir de certo ponto da sexta temporada, onde a série ultrapassou os cinco livros já publicados e precisou se sustentar apenas nas linhas gerais passadas à produção por Martin, e principalmente nos textos inéditos dos roteiristas, principalmente os escritos pelos showrunners e diretores eventuais David Benioff e D.B. Weiss. Provavelmente por isso, além dos custos de produção cada vez mais elevados, eles optaram por terminar a série com duas temporadas mais curtas.

A temporada final, como seria de se esperar, foi extremamente divisiva. Enquanto parte dos fãs aprovou as conclusões apresentadas, grande parcela ficou decepcionada, alguns até mesmo indignados. Muitos se revoltaram com a conclusão apressada do arco do Rei da Noite e seus Caminhantes Brancos, ou com a transformação de Daenerys (Emilia Clarke, na imagem destacada), que de heroína durante sete temporadas, transformou-se basicamente em mais uma vilã na oitava. Outros também se indignaram com os finais anti-climáticos de Cersei (Lena Headey) e Jaime (Nikolaj Coster-Waldau), ou ainda com o destino inglório de Jon Snow/Stark/Targaryen (Kit Harington), que de “Escolhido” do Senhor da Luz e legítimo herdeiro do trono, virou um Regicida e voltou à Patrulha da Noite para no máximo se tornar o novo líder dos Selvagens.

Todas reações previsíveis para uma série que ganhou proporções mundiais épicas e que não teria mesmo como satisfazer às expectativas dos seus milhões de espectadores. Mas é incontestável que, na sua reta final, talvez já pensando nos futuros filmes de Star Wars que farão para a Disney, Benioff e Weiss apressaram a produção e simplificaram a narrativa, muitas vezes descaracterizando personagens e contrariando a lógica das situações por eles mesmo construídas – coisa que, nas últimas resenhas de temporadas e episódios da série, já vínhamos apontando.

Neste sentido, exemplifico com alguns desenvolvimentos vistos no episódio de encerramento: Verme Cinzento (Jacob Anderson), o líder dos Imaculados, não cumpre a ordem de Jon para suspender a execução dos soldados Lannister, alegando que obedece apenas à sua Rainha, Daenerys. Pois bem, mesmo depois dessa demonstração de devoção cega, após descobrir que Jon matou Daenerys seria de esperar que ele, os Imaculados ou ainda os selvagens Dothrakis matassem de imediato tanto Jon como Tyrion (Peter Dinklage), este já antes acusado de traição. Mas isso não acontece, e ambos são mantidos presos por pelo menos duas semanas, civilizadamente aguardando um encontro dos representantes das Casas de Westeros para decidir o destino dos Sete Reinos.

E Tyrion, mesmo ainda acorrentado, estranhamente vai ao tal encontro e convence todos a pouparem Jon e a escolherem Bran (Isaac Hempstead Wright) para ser o novo Rei de Westeros. O indiferente Bran, que basicamente nada fez nesta temporada além de servir de isca para o Rei da Noite, aceita e revela que seu destino era esse, e “recompensa” Tyrion por sua lábia, mantendo-o como Mão do Rei.

Poderia continuar, como muitos andam fazendo, analisando outras situações, méritos e defeitos da conclusão de Game of Thrones, mas vou ficar por aqui mesmo. Até porque, enquanto não saírem os dois livros restantes (e eu sinceramente não acredito que Martin encerrará essa saga em vida), não dá para dizer que o final da série vai ser muito diferente deles. Mas realmente foi infeliz a decisão da dupla Benioff e Weiss em reduzir a quantidade de episódios nas duas últimas temporadas, o que originou soluções apressadas e simplistas de roteiro para conduzir a trama. Sem falar nos erros de continuidade, como copos do Starbucks e garrafas d’água deixados em cena, que geraram memes hilários na internet.

Menos mal que os internautas que amam caninos (entre os quais me incluo) foram ouvidos e Jon finalmente fez um carinho no seu alquebrado lobo Fantasma, como atesta a foto lá de cima.

Jorge Saldanha

1 comentário em “Resenha de Série: GAME OF THRONES 8ª Temporada

  1. João Ferreira

    Depois que ultrapassou os livros, a série virou fanfic…

    De qualquer forma, o final foi bem mais otimista do que eu esperava, iniciando literalmente uma nova era para Westeros, sem a ameaça da “Longa Noite”, com um reinado que promete ser justo e personagens desbravando mundos além-mar e “além-muralha”.

    Curtir

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