Animação Resenhas - Séries

Resenha de Série: LOVE DEATH + ROBOTS – 1ª Temporada


Love Death + Robots (2019)
Elenco: Topher Grace, Mary Elizabeth Winstead, Helen Sadler, Samira Wiley, Gary Cole
Roteiro: Vários
Direção: Vários
Cotação: 4/5

A Netflix tem produzido uma grande quantidade de conteúdo próprio, entre filmes e séries (com atores e de animação). Esta antologia chamada Love Death + Robots, fruto da parceria dos diretores/produtores Tim Miller (Deadpool, Exterminador do Futuro 6) e David Fincher (Caçador de Mentes, Alien 3), é mais uma prova de que é nas séries onde o gigante do streaming vem acertando mais.

A série, que reúne 18 episódios com duração e gêneros diversos, predominantemente sci-fi e na maioria sombrios, distópicos e com conteúdo adulto, parece ser um tributo de Fincher e Miller à famosa revista em quadrinhos francesa Metal Hurlant (Heavy Metal nos EUA), já adaptada algumas vezes para o cinema e a TV. Mas ela também tem pontos em comum com outras antologias célebres, como Além da Imaginação e a colega de Netflix Black Mirror (desta ela até herda o estilo da introdução).

Como qualquer série de antologia, Love Death + Robots é desigual em termos de escrita, e por ser uma animação de diferentes estúdios, também no aspecto visual. Os episódios foram feitos por equipes de diversos países, inclusive do Blur Studio de Tim Miller. As variadas técnicas de animação vão da tradicional 2D ao foto-real 3D CGI, muitas vezes combinando os dois estilos, com resultados na maior parte das vezes deslumbrante. Não vou referir todos os episódios, mas somente aqueles que mais me agradaram.

Gretta, de “Além da Fenda de Áquila”

Temos episódios que combinam humor com sátira, na linha de Douglas Adams (o falecido ator de O Guia do Mochileiro das Galáxias e criador dos Daleks de Doctor Who), como “Quando o Iogurte Assumiu o Controle”, “Três Robôs” e “Histórias Alternativas”. Este trio, que traz animações mais simples, foi dirigido por Victor Maldonado e Alfredo Torres, que fornecem leveza e ironia a temas como o fim do mundo e à morte de Hitler em diferentes linhas de tempo.

O belo “Boa Caçada”, que também parece ter empregado técnicas mais tradicionais (provavelmente desenhado a mão com apoio de CGI), se passa numa Hong Kong alternativa, combinando steampunk com o romance entre um ex-fazendeiro e uma metamorfa de uma raça em extinção.  Já em “Era do Gelo”, episódio que mescla live action com animação digital, o próprio David Fincher dirige Topher Grace e Mary Elizabeth Winstead, que vivem um casal que acompanha o surgimento, o declínio e o renascimento de uma civilização dentro do seu freezer.

Também temos alguns episódios que parecem feitos para exaltar o perfeccionismo da captura de movimentos e a computação gráfica foto-realista, com tramas mais voltadas à ação e menos à reflexão. “A Vantagem de Sonnie” se passa numa Londres distópica, onde monstros controlados por seres humanos combatem em uma arena. Em “Além da Fenda de Áquila” a tripulação de uma nave espacial vai parar em um longínquo posto avançado, onde encontra a personagem feminina mais realista já criada em CGI, Gretta, que talvez não por acaso protagoniza algumas cenas de nudez e sexo bem quentes.

Também feitos em computação gráfica realista são os episódios “Metamorfos” (sobre dois irmãos lobisomens do exército americano, que combatem outro de sua raça no Afeganistão), “Ajudinha” (que se inspirou bastante no filme Gravidade), “13, Número da Sorte” (sobre o relacionamento entre a comandante e sua nave de guerra considerada azarada) e “Guerra Secreta” (um pelotão russo combate monstros nas geladas florestas da Sibéria).

Por fim destaco os dois episódios mais criativos da antologia – “Zima Blue”, sobre a obra final do maior e mais misterioso artista da humanidade no futuro (que envolve um simples robô limpador de piscinas), e “A Testemunha”, uma história surreal e Hitchockiana dirigida por Alberto Mielgo (Homem-Aranha: No Aranhaverso), que nos entrega uma das estéticas mais originais do pacote. A testemunha do título é uma linda, e por vezes detalhadamente nua, garota que testemunha a própria morte e foge do seu assassino pelas ruas de uma Hong Kong futurista repleta de neon e concreto. O final é genial.

Infelizmente, nestes tempos politicamente corretos, já surgiram vozes acusando a série de sexismo pela exploração do corpo da mulher. Essa gente, sem dúvida, nunca viu uma capa (que dirá leu) um exemplar da Metal Hurlant – ao contrário dos criadores da série. Mas o que interessa é que, entre altos e baixos, Love Death + Robots é obrigatória para quem gosta de animação e ficção científica em suas inúmeras variantes. Mas fica a ressalva de que, por seu conteúdo gráfico, a maioria dos episódios decididamente não são recomendados para crianças.

PS: Já se comenta que alguns dos episódios terão desdobramentos na 2ª temporada, e que até mesmo poderão ser expandidos em longa-metragens.

Jorge Saldanha

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