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Sci Files: Disney Detonando STAR WARS


O fracasso comercial de Han Solo é o mais recente sinal de que a Disney pegou o caminho errado com a franquia Star Wars.

O primeiro erro foi eliminar a linha do tempo (Universo Expandido) que tinha eventos situados entre 35 mil anos antes do Episódio IV e 138 depois do Episódio VI. A nova linha do tempo tem eventos que vão do Episódio I ao IX. Também nessa nova linha do tempo Darth Bane é o primeiro Sith, quando pela antiga deveria ser um dos últimos.

Depois, cancelaram a série The Clone Wars e abortaram a série Underworld, que teria Boba Fett como personagem principal. Em 2014 lançaram a série Rebels, que embora seja boa é inferior a The Clone Wars (última produção da saga que teve ingerência de George Lucas).

Em 2015 tivemos o lançamento de O Despertar da Força, que é uma cópia de Uma Nova Esperança (Ep. IV). Rey é inspirada em Jaina Solo, e Kylo Ren copia Darth Caedus. Poe é um xerox de Wedge Antilles, Kanata de Yoda, Snoke copia Palpatine… Ou seja, a Disney apagou personagens que já tinham um bom público, apenas para trazer nas telas cópias inferiores deles.

Teria sido melhor contratar George Lucas para encerrar a saga do jeito que ele havia planejado, ou então adaptar Legacy of the Force, considerando que os atores da trilogia clássica estavam na idade certa para esse arco. Muitos fãs queriam a trilogia do Thrawn adaptada, mas os atores já não estavam na idade adequada.

A dupla de droides que sempre acompanha os heróis é jogada para escanteio. Kylo Ren havia agradado os fãs nos trailers, mas no filme foi uma decepção – parece um garoto emo com um sabre de luz. Sendo ele sendo um Skywalker com pelo menos 15 anos de treinamento, não deveria perder para uma Jedi com zero de treino. Seu único ponto positivo é a adoração pelo avô Darth Vader.

Poderiam ter mantido a Nova República, mas ela logo é destruída pela tal Primeira Ordem, que não passa do Império com outro nome. Também é de estranhar que, mesmo antes da destruição da Nova República, houvesse uma Resistência (cópia da Aliança Rebelde) como se não existissem exércitos e frotas republicanos para enfrentar a Primeira Ordem.

A base Starkiller copia descaradamente a Estrela da Morte, tomando  o nome do personagem do jogo The Force Unleashed (Starkiller também era o sobrenome de Luke num script de 1975 do Episódio IV). Por sua vez, Han Solo tem sua evolução destruída, já que ele volta a ser um mero contrabandista.

Como a marca Star Wars é muito forte, o filme custou Us$ 200 milhões e faturou Us$ 2 bilhões. O diretor J.J. Abrams já tinha feito uma versão reboot “American Pie” de Star Trek em 2009, e O Despertar da Força é o equivalente para Star Wars.

Em 2016 tivemos Rogue One, que copia o enredo do jogo Dark Forces (1992). Mas é o filme da Disney que mais se aproxima da visão de Lucas, tendo sido sucesso de público e crítica. Nele vemos a equipe da Aliança Rebelde roubando os planos da Estrela da Morte.

No jogo isso ocorre com Kyle Katarn e Jan Ors. Mais tarde Katarn se torna Cavaleiro Jedi, e é derrotado por um grupo de inquisidores do Império (Dark Forces 2). Na cópia, Jan Ors se torna Jyn Erso, e Kyle Katarn vira Cassian Andor. O filme é ótimo, e de quebra tem uma cena épica com Darth Vader.

Quando Rian Johnson assumiu a continuação de O Despertar da Força, ao invés de tentar desenvolver personagens novos como Maz Kanata, os Cavaleiros de Ren, Snoke e Phasma, ele os descarta e substitui pelos fracos Rose, Holdo e DJ. Ackbar, que poderia ter tido algum destaque, é morto rapidamente para abrir espaço para a almirante Holdo.

Em Os Últimos Jedi vemos a Primeira Ordem e a Resistência lutando de forma amadora. A General Leia parece ter se esquecido dos anos de guerra contra o Império, quando faz um discurso anti-luta. Rose tem as frases mais ridículas do filme, e conseguiu ser mais odiada que Jar Jar Binks, que se redimiu na série The Clone Wars.

O filme é dividido em três núcleos: Primeira Ordem caçando a Resistência; Poe, Finn e Rose tentando salvar a Resistência; e Rey tentando treinar com Luke. Temos algumas respostas da relação de Luke e Kylo, e nenhuma sobre Rey e Snoke. Já o personagem Finn passa outro filme fugindo. E o Poe mais parece um cadete desobedecendo ordens, e cria um plano que quase mata toda a Resistência.

No fim das contas o filme copia tanto O Império Contra-Ataca quanto O Retorno de Jedi. Também trazem de novo o tema do equilíbrio da Força, que já foi explicado entre os Ep. I e 3. George Lucas esclarece que Anakin é o escolhido. Mas pelo visto a Disney quer transformar a Rey ou o Kylo no escolhido. Até Snoke esclarece que não fazia sentido Kylo perder para Rey. Como fica claro, o objetivo da Disney é se livrar dos Skywalkers, e este é o maior erro até agora.

O filme parece ter a intenção de mostrar todos os heróis como fracassados. Até o Yoda sai do túmulo para fazer um discurso disso. Aliás, nem a presença do Yoda melhora o filme, que de tão ruim sofreu um retcon nos quadrinhos. Os Últimos Jedi custou Us$ 250 milhões e arrecadou Us$ 1 bilhão, e teve como “mérito” espantar os fãs do filme seguinte, Han Solo.

Com problemas de produção e troca de diretores, Han Solo custou Us$ 250 milhões e arrecadou apenas Us$ 350 milhões. Foi o primeiro fracasso comercial da saga. Isso se deveu a dois fatores: excesso de exposição (não deram tempo para o publico digerir o desgosto do filme anterior), e dois longas que não falam um com o outro e nem com as duas trilogias.

Han Solo segue as referências estabelecidas para o personagem: salva Chewbacca do Império, mostra a corrida de Kessel, e o herói ganha a Millenium Falcon num jogo de Sabacc com Lando Calrissian. É um filme melhor que os Episódios VII e VIII, mas continua sendo fraco.

Considerando que trouxeram Darth Maul para fazer um ponta, teria sido melhor trazer também Darth Vader e colocar os dois para lutar. Claro que Solo não poderia ver essa luta, mas algo assim traria de volta o público. Basta ver que a cena que mais fez sucesso nesses quatro filmes foi justamente a aparição de Vader em Rogue One.

Recentemente a Disney cancelou o filme do Boba Fett para priorizar a série The Mandalorian, do Jon Favreau. Esse foi outro erro, pois Boba Fett tem muitos fãs, e poderiam por exemplo fazer um filme onde Vader contrata Fett para encontrar Kenobi, e ao invés disso encontra Mace Windu.

Também poderiam fazer um filme mostrando como surgiu a rivalidade entre Han  e Fett, ou ainda Fett caçando Mace nas Guerras Clônicas. Esse personagem é muito rico em narrativas que poderiam ser utilizadas com ele.

O único alívio para os fãs no momento é o retorno de The Clone Wars para sua última temporada, e a série do Favreau sobre o mandaloriano. Outro possível alento é a nova trilogia desenvolvida pelos criadores de Game of Thones. Existe a torcida para que essa trilogia seja situada na antiga República.

As notícias sobre o Episódio IX não são nada promissoras. Há boatos de que veremos Mara Jade – outro erro ela aparecer após matarem o Luke, pois no antigo Universo Expandido ela era sua esposa. Outro boato se refere a alienígenas que seriam uma cópia dos Yuuzang Vong (livros New Jedi Order), e Kylo e Rey estariam unidos para combatê-los. Isso seria outro erro, pois a Guerra Vong poderia ter sido mostrada nos Episódios VII a IX. Pelo visto, mantendo o padrão desta trilogia, seriam copiados apenas alguns conceitos dos Vong, ao invés de utilizar os próprios.

Como já tinha alertado num artigo de 2015, o erro crucial da Disney foi ter jogado no lixo a timeline estabelecida entre 1991 e 2013, apenas para copiar depois alguns elementos dele. Os fãs queriam ver um mestre Jedi, Luke lutando e triunfando contra um novo inimigo Sith. Em troca, receberam um Luke amargurado, pescando e tomando leite.

TRAILERS:

Guilherme da Costa Radin

1 comentário em “Sci Files: Disney Detonando STAR WARS

  1. João Ferreira

    Realmente, a franquia atualmente está cheia de altos e baixos…

    Curtir

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