Resenhas - Filmes

Resenha de Filme: VIDRO


Glass, EUA, 2019
Gênero: Suspense
Duração: 129 min.
Elenco: James McAvoy, Bruce Willis, Samuel L. Jackson, Sarah Paulson, Anya Taylor-Joy
Trilha Sonora Original: West Dylan Thordson
Roteiro: M. Night Shyamalan
Direção: M. Night Shyamalan
Cotação: 3/5

Atualmente não há outro cineasta que desperte tantos debates como M. Night Shyamalan. Seja a favor ou contra, há sempre espaço para um pitaco por parte de alguém sobre a obra do cineasta nascido na Índia e criado na Filadélfia, Estados Unidos. Talvez não haja nem mesmo fãs que concordem 100% entre si sobre as preferências dentro da filmografia do diretor. VIDRO (2019), o terceiro de uma trilogia que começou lá em 2000 com CORPO FECHADO e continuou, de forma aparentemente acidental, com FRAGMENTADO (2016), não tem agradado a maioria dos críticos (hoje, nota 42 no Metacritic), ao mesmo tempo em que tem recebido apoio apaixonado de certo grupo de fãs.

Como não fiz uma pesquisa acurada sobre as defesas e ataques, é melhor então me ater apenas às minhas impressões sobre a obra. Ao contrário da grande maioria das obras de Shyamalan, VIDRO não me trouxe prazer em seu desenvolvimento narrativo. Talvez por deixar de lado o aspecto de terror e suspense que predominava em FRAGMENTADO, um filme sobre um psicopata com múltiplas personalidades que sequestra meninas indefesas, e queira defender uma espécie de tese sobre super-heróis de histórias em quadrinhos.

Não sei o quanto Shyamalan é conhecedor de super-heróis a ponto de querer explicar seus arquétipos, mas o fato é que em vários momentos do filme soam muito básicas suas descobertas, como o fato de dizer que a Metrópolis do Superman seria na verdade Nova York, ou outras coisas que ele vende ao longo do miolo, que se passa em um manicômio, espaço em que ficam enclausurados os três personagens com habilidades super-humanas: David Dunn (Bruce Willis), que tem o corpo indestrutível; Elijah Price (Samuel L. Jackson), que tem o corpo todo quebrado, mas uma mente extremamente inteligente; e o múltiplo psicopata vivido por James McAvoy, que também traz dentro de si a chamada “fera”.

A impressão que fica ao longo da narrativa é que Shyamalan não sabia direito o que fazer quando teve a ideia de juntar os três personagens para formar um universo compartilhado. A ideia em si parece interessante e deixou muita gente entusiasmada ao final de FRAGMENTADO, mas o fato é que McAvoy está exageradamente irritante; a personagem de Sarah Paulson, a cientista que estuda os três homens, funciona mais como um narrador incômodo (embora mais à frente descubramos se tratar de mais do que isso), e a trama vai ficando cada vez mais desinteressante, à medida que pouca coisa acontece durante a estadia dos três naquele manicômio.

Falta também em VIDRO aquela beleza plástica tão característica da maior parte das obras de Shyamalan. Além disso, a personagem mais interessante, a adolescente vivida por Anya Taylor-Joy, tem pouca participação na trama, como se aparecesse só para trazer uma maior ligação com FRAGMENTADO. Não falta uma reviravolta no final, que é até curiosa, mas, a essa altura, quem não havia embarcado no filme já estava torcendo para o seu final. Aliás, o destino dos personagens até parece uma espécie de vontade divina de seu criador, após um sentimento forte de desapego.

Além do mais, por mais que a defesa de Shyamalan da fantasia em detrimento da realidade seja algo bonito de ver e também coerente com sua obra autoral, ela já havia sido problematizada de maneira muito mais inteligente em outros de seus trabalhos. Na torcida por futuros trabalhos que façam jus à fama de gênio (muitas vezes injustiçado) do cineasta.

Ailton Monteiro

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