Resenhas - Séries

Resenha de Série: DOCTOR WHO – Episódio “Resolution”


Doctor Who – “Resolution” (2018)
Elenco: Jodie Whittaker, Mandip Gill, Tosin Cole, Bradley Walsh, Charlotte Ritchie, Nikesh Patel, Daniel Adegboyega, Nicholas Briggs
Roteiro: Chris Chibnall
Direção: Wayne Yip
Cotação: 3,5/5

Quebrando uma tradição desde que a longeva série retornou em 2005, ano passado não tivemos um episódio de Natal de Doctor Who. Em seu lugar ganhamos este Especial de Ano Novo exibido em 1º de janeiro, “Resolution”, que encerra a temporada onde, pela primeira vez, o personagem título foi interpretado por uma mulher.

Antes de comentar o episódio, se faz necessário fazer algumas observações sobre a 11ª temporada, que trouxe grandes mudanças –  Chris Chibnall (Broadchurch) substituiu Steven Moffat como showrunner e principal roteirista, como já referido o Doutor virou Doutora, na pele da ótima Jodie Whittaker, Segun Akinola assumiu a composição das trilhas sonoras no lugar de Murray Gold, a maior parte da equipe técnica mudou e a TARDIS ganhou uma repaginada e um trio fixo e etnicamente variado de tripulantes.

Em decorrência de tudo isso, o que vimos nos 10 episódios da temporada foi praticamente um reboot da série em termos visuais, sonoros e  de conteúdo, onde além de rápidas referências, nada sobrou das eras Russell T. Davies e Steven Moffat – ou mesmo das temporadas clássicas do programa. Em cada história, belamente rodada em widescreen, a ficção científica e a aventura foram meros panos de fundo para discutir temas social ou politicamente relevantes, ou ainda para focar em tramas pessoais de cada companheiro de viagens da Doutora.

Já o personagem principal mudou de sexo, mas isso, além de ser objeto de algumas piadas de Whittaker, não fez diferença narrativa alguma. Afinal, a Senhora do Tempo, quase sempre, foi uma coadjuvante, sem nenhum arco pessoal, com as histórias e a presença de tela sendo dominadas pelos companions. E basicamente virou um ser assexuado, já que sumiram o romance e o flerte introduzidos por Davies e Moffat.

Mas enfim, a 11ª temporada teve críticas e audiência muito melhores que a 10ª, creio que essencialmente devido à coragem de Chibnall de quebrar paradigmas (ainda que boa parte das decisões criativas tenham sido tomadas devido a restrições orçamentárias). Por isso não deixa de ser um pouco surpreendente que o episódio de Ano Novo, sugestivamente chamado de “Resolution” (Resolução), fuja um pouco do padrão adotado e se aproxime do tom ao qual os whovians estão mais acostumados.

Sim, ainda vemos uma trama que envolve o reencontro de Ryan (Tosin Cole) com seu pai ausente (Daniel Adegboyega), mas as ações do episódio são conduzidas pela Doutora. E depois dos alienígenas desconhecidos e insossos da temporada, temos a volta dos vilões mais tradicionais da série, os Daleks. Tudo bem, é apenas um Dalek (com a tradicional voz de Nicholas Briggs), que passa a maior parte do tempo como um parasita em um corpo humano, mas ao final ele ressurge em seu glorioso invólucro de metal, ainda que feito de ferro velho.

O episódio lembra “Dalek”, da 1ª temporada, onde também a criatura estava aprisionada ou dormente na Terra, e após restaurar seu poder enfrenta uma unidade militar. Até a cena onde o Dalek voa é semelhante. A duração do episódio, com pouco mais de uma hora, é excessiva, e poderia muito bem ser reduzida para 45 minutos. Também temos algumas inconsistências em relação ao Dalek, mas por outro lado ele apresenta um par de personagens legais que gostaria que retornassem na 12ª temporada, Mitch (Nikesh Patel) e Lin (Charlotte Ritchie), que ganham um storyline mais interessante que o de Ryan e seu pai.

Enfim, no balanço geral, “Resolution” serve como um final de temporada muito mais atrativo que o morno “The Battle of Ranskoor Av Kolos”. Apesar de não ter o tom épico dos finais de Davies e Moffat, muitas vezes divididos em mais de um episódio, ele pode ser um indício de que a 12ª temporada, que deverá estrear apenas ano que vem, alternará momentos mais intimistas com outros mais ambiciosos e de conceitos sci fi avançados, ainda que por vezes totalmente absurdos. Mas sempre divertidos.

Jorge Saldanha

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