Resenha de Filme: STAR WARS – OS ÚLTIMOS JEDI


Star Wars: The Last Jedi, EUA, 2017
Gênero: Ficção Científica
Duração: 152 min.
ElencoDaisy Ridley, Adam DriverJohn Boyega, Oscar Isaac, Carrie Fisher, Mark Hamill, Andy Serkis, Laura Dern, Domhnall Gleeson, Gwendoline Christie, Benicio Del Toro, Kelly Marie Tran, Anthony Daniels, Frank Oz
Trilha Sonora Original: John Williams
Roteiro: Rian Johnson
Direção: Rian Johnson
Cotação:

Por mais que haja uma tendência de a criação mais célebre de George Lucas se repetir em muitos aspectos e em diversas sequências – que o diga STAR WARS – O DESPERTAR DA FORÇA (2015), dirigido por J.J. Abrams, que é quase um remake de GUERRA NAS ESTRELAS (1977) -, é muito bom poder ver o novo caminho proposto por Rian Johnson no novo STAR WARS – OS ÚLTIMOS JEDI (2017), que finalmente se desprende do velho e abraça o novo.

O filme anterior desta fase Disney da LucasFilm já acenava para um desapegar do passado. E em OS ÚLTIMOS JEDI há uma cena em especial que ilustra bastante isso: o espírito de Yoda aparece para Luke Skywalker (Mark Hamill) e faz uma fogueira com os velhos pergaminhos sagrados Jedi. Mas claro que nem toda nostalgia pôde ficar de fora – até porque é ela que alimenta boa parte desse universo idolatrado por uma legião de fãs ao redor do mundo.

Mas é preciso alimentar também os novos personagens. Felizmente é isso que é feito em OS ÚLTIMOS JEDI, principalmente. Rey (Daisy Ridley), Kylo Ren (Adam Driver), Finn (John Boyega), Poe (Oscar Isaac), entre outros, são personagens que ganham contornos maiores e mais interessantes que os membros da velha guarda neste novo filme. Aliás, uma das coisas que se destaca aqui é o modo como Johnson resolve também promover uma espécie de renúncia à velha dramaturgia que funcionava como uma desculpa para interpretações canastronas.

Em OS ÚLTIMOS JEDI podemos finalmente nos encantar com ao menos uma a interpretação fantástica: a de Adam Driver como o vilão complexo Kylo Ren, filho da Princesa Leia (Carrie Fisher) com Han Solo (Harrison Ford). Ele é um rapaz que teve contato com a força, mas, assim como aconteceu com Darth Vader, por algum motivo ele preferiu abraçar o lado sombrio. Detalhes de como isso aconteceu podem ser vistos no filme.

Mas o grande barato desse novo personagem é que ele não é tão preto no branco assim. As cenas de Rey dialogando numa conexão espiritual com Kylo, enquanto está recebendo treinamento com Luke, chegam a ser impressionantes no modo como lidam com a questão do desejo. Em certo momento, Rey se incomoda com Kylo estar sem camisa. Aquilo a estava atrapalhando, mexendo com seus instintos mais primitivos. E o desejo mais uma vez aparece como um ingrediente perigoso. É uma história que havia sido contada antes na tragédia de Anakin Skywalker, nos episódios I-III.

Por mais que OS ÚLTIMOS JEDI comece com uma longa sequência de batalha no céu (às vezes um pouco confusa) entre os rebeldes e a Primeira Ordem, são certos detalhes que tornam o filme algo que vai se tornar lembrado com carinho por boa parte do público, já que não há aqui uma narrativa tão prazerosa como a de O DESPERTAR DA FORÇA. Rian Johnson parece ter maior dificuldade em juntar as peças e o filme cansa em determinados momentos de sua duração.

Assim, além do perigosíssimo caso de amor (não explicitado) entre Rey e Kylo, há algo que chama muito a atenção no novo filme: a direção de arte fantástica, que flerta com David Lynch, ao criar um lugar todo em vermelho como lar do monstruoso líder Snoke (Andy Serkis). Até Laura Dern dá o ar de sua graça no elenco, falando em Lynch. O fato é que esse vermelho, que funcionará como pano de fundo para uma batalha linda de ver, passa sensações de perigo e de excitação bastante envolventes.

Até mesmo as cenas da batalha no deserto são pinceladas com vermelho, como nas cenas em que veículos pequenos pilotados pelos rebeldes tocam no chão com frequência, enquanto se aproximam das grandes armas da Primeira Ordem. Há várias sequências que trazem bastante empolgação e surpresa ao longo da narrativa, principalmente no terceiro ato. Mas é melhor não citá-las e deixar que o próprio espectador as desfrute. Só o fato de Rian Johnson entregar algo bem diferente do que se esperaria já é um mérito para sua contribuição.

No mais, não esqueçamos do grande trunfo de STAR WARS – OS ÚLTIMOS JEDI: Adam Driver, que está vivendo um momento muito especial em sua carreira. Só neste ano ele pôde ser visto em quatro filmes importantes na tela grande: SILÊNCIO, de Martin Scorsese; PATERSON, de Jim Jarmursch; LOGAN LUCKY – ROUBO EM FAMÍLIA, de Steven Soderbergh; e este novo STAR WARS. Além disso, Driver encerrou muito bem sua participação na ótima série GIRLS, de Lena Dunham. Não é pouco.

Ailton Monteiro

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