Resenha de Filme: BLADE RUNNER 2049


Blade Runner 2049, EUA, 2017
Gênero: Ficção Científica
Duração: 163 min.
ElencoRyan Gosling, Harrison Ford, Jared Leto, Sylvia HoeksDave BautistaSean Young, Ana de Armas, Lennie James, Mackenzie Davis
Trilha Sonora Original: Hans Zimmer, Benjamin Wallfisch
Roteiro: Hampton Fancher, Michael Green
DireçãoDenis Villeneuve
Cotação:

A Ficção-Científica está de volta ao Cinema

A continuação de um dos filmes mais cultuados e imitados de todos os tempos tinha tudo para dar errado. Mas, felizmente, Blade Runner 2049 é uma total reversão de expectativas. Ao contrário do que ditam as pesquisas de mercado em Hollywood, o filme não começa de forma explosiva, não treme a câmera a todo o instante, não promove cenas de ação gratuitas, não dispara reviravoltas sem sentido ou emprega outros tantos truques baratos do manual prático de produção de blockbusters. Toda a emoção em Blade Runner 2049 se desdobra do roteiro, o qual possibilita ao elenco situações dramáticas desenvolvidas de maneira a fugir dos surrados clichês encenados em boa parte dos filmes atuais. E, fazendo isso, ganha substância.

O roteiro de Hampton Fancher (roteirista do original) e Michael Green, com a colaboração não creditada do diretor do original Ridley Scott, respeita e usa muito bem o filme de 1982, mas possui uma saudável vida própria. E é bem sucedido na vontade de expandir a trama apresentada na produção de 1982. A busca executada pelo Blade Runner “K” possui a densidade e a complexidade que se encontraria em um livro, mas há muito tempo afastada das telas de cinema.

Além de um roteiro substancial, o elenco de Blade Runner 2049 é um dos pontos altos do filme. Confesso, não acreditava que Ryan Gosling pudesse levar um filme dessa envergadura nas costas. Ele é a maior surpresa positiva do elenco. Como “K”, Gosling demonstra um laconismo, um aparente distanciamento da realidade, deixando a emoção escapar apenas quando isso é plenamente justificável. Seu personagem é vital para conferir credibilidade e amarrar firmemente o filme. E Harrison Ford está de volta. Por muito tempo, ele rejeitou oficialmente o filme original, não percebendo, talvez, a força cinematográfica de seu Deckard, quase um Humphrey Bogart futurista. E depois de tantas escolhas de carreira equivocadas, Ford retorna a sua melhor interpretação nas telas. Seria muito fácil para os produtores arranjarem uma aparição simplesmente decorativa para o astro. Mas a velhice de Deckard é uma progressão lógica do personagem e uma ligação essencial com o filme de 1982. Alguns dos outros personagens são quase fantasmas da produção original, mas vale destacar Sylvia Hoeks como a não tão gélida Luv, Dave Bautista (melhor ator a cada filme) interpretando um convincente Sapper Morton e a participação de Sean Young como Rachel, um verdadeiro milagre tecnológico.

O maior trunfo de Blade Runner 2049, porém, está atrás das câmeras: Denis Villeneuve. O diretor canadense não faz média com a plateia. Mesmo na direção de um filme de ficção-científica, ele propõe a emoção real derivada de cenas aparentemente frias. É, assim, mais contundente. Ele permite ao seu elenco espaço e tempo o suficiente para desenvolver seus personagens. Em algumas cenas, Villeneuve parece mesmo ter encarnado Stanley Kubrick, tal o distanciamento e a imobilidade de sua câmera. Villeneuve constrói uma busca lógica, mas permite espaço a descoberta. Apoiado por uma estupenda direção de arte, convincentes efeitos especiais e uma trilha sonora de Benjamin Wallfisch e Hans Zimmer organicamente ligada a música de Vangelis, o diretor estabelece um universo vinculado ao do filme de Scott, mas com características próprias. Mesmo o tempo todo ciente do original, Villeneuve não propõe uma refilmagem, mas, sim, uma expansão. E é extremamente bem sucedido.

Para quem não assistiu ao filme original pode ser difícil seguir a nova trama. O melhor é tirar o pó de seu videocassete Sony de seis cabeças, colocar a fita TDK gravada da TV com a tecla pause para editar os comerciais, assistir ao filme de 1982 e, depois, comprar o ingresso e mergulhar nas duas horas e quarenta e quatro minutos da viagem de alta definição de Blade Runner 2049, porque este é um filme para ser visto no cinema.

Denis Winston Brum

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2 Comments

  1. Filmaço!!!!

    Traz de volta a ficção científica inteligente. Confesso que depois de Alien: Covenant, filme que teve uma tripulação mais burra que IA de jogos em modo “fácil”, estava muito preocupado com a segunda edição de Blade Runner. Felizmente, o filme mostrou-se um filmaço! Vou assistir mais uma vez ainda nos cinemas.

    Vale muito assistir!!!!

    Vida longa e próspera

    Curtir

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