Resenha de Série: STAR TREK: DISCOVERY – Episódio “Context is for Kings”


Star Trek Discovery Episode 1×3 – Context is for Kings (2017)
Elenco: Sonequa Martin-Green, Jason Isaacs, Doug Jones, Anthony Rapp, Mary Wiseman
Roteiro: Gretchen J. Berg, Aaron Harberts, Craig Sweeny
Direção: Akiva Goldsman
Cotação:

ATENÇÃO: caso você ainda não tenha assistido ao terceiro episódio da primeira temporada de Star Trek: Discovery, o texto a seguir contém Spoilers

Se os dois primeiros episódios de Star Trek Discovery formam, na realidade, um prelúdio que explica como a Primeira-Oficial Michael Burnham (Sonequa Martin-Green) caiu em desgraça na Federação, este terceiro episódio, “Context is for Kings”, pode ser considerado o real episódio inicial da série, que deverá mostrar a redenção completa da personagem. E mesmo que no começo dele, na sequência onde a bordo do transporte que levará Burnham à prisão, vejamos o enorme desprezo que os demais prisioneiros tem por ela, suspeito que a redenção poderá não demorar muito a acontecer.

Finalmente somos apresentados à bela nave que dá título à série, e sua tripulação, em especial ao misterioso Capitão Gabriel Lorca (Jason Isaacs), introduzido em uma cena sugestiva, às escuras e com um Pingo (pelo jeito incapaz de se reproduzir) sobre a sua mesa. Lorca tem uma agenda própria, paralela (ou acima?) às regras da Federação, e ela inclui Burnham. “Contexto é para os Reis”, ele lhe diz mais adiante, indicando que ambos (os “Reis”) tem algo que ele valoriza muito: a capacidade de avaliar as situações e a coragem para tomar decisões de liderança, ainda que tragam graves consequências.

Também a USS Discovery, oficialmente uma nave científica comum, é mais do que aparenta. Tanto ela como sua nave gêmea, a USS Glenn, desenvolvem pesquisas de novas tecnologias, em especial a de um novo tipo de propulsão de dobra que utiliza esporos que, pelo que nos é dito, se propagam por toda a galáxia (me lembraram os infames midi-chlorians de Star Wars).

Além de Lorca e do reencontro com Saru (Doug Jones), agora Primeiro-Oficial da Discovery, neste episódio Burnham interage principalmente com a Cadete Tilly (Mary Wiseman), sua nova colega de quarto e a quem revela que foi criada em Vulcano por Sarek e sua esposa Amanda (confirmando, portanto, que ela é irmã de criação de Spock), e o extremamente hostil Tenente Stamets (Anthony Rapp), que a culpa por perdas pessoais e científicas ocasionadas pela guerra com os klingons.

Burnham é jogada no centro do mistério quando Lorca a inclui em uma missão de resgate à Glenn, que está à deriva após o que aparenta ser um teste mal sucedido com a nova propulsão de dobra. O cenário que a aguarda na nave abandonada é de pesadelo: corpos mutilados e distorcidos de humanos e klingons. Um dos klingons é encontrado incólume, mas logo é morto por um animal semelhante a um tardígrado gigante, que passa a perseguir Burnham e a equipe de resgate.

Burnham, obviamente, acaba sendo a chave para a salvação de todos, e isso acaba elevando seu conceito junto à tripulação da Discovery, da qual passa a fazer parte ainda que numa posição inferior, sem patente oficial. Lorca até lhe revela mais sobre a natureza da nave e a pesquisa sendo desenvolvida, mas a impressão deixada é que ainda há muito o que desvendar. Não sabemos ainda o que realmente aconteceu na Glenn, e Lorca parece estar a serviço de uma organização secreta (Seção 31?), que lhe dá poderes até mesmo para livrar Burnham de sua prisão perpétua. As cenas finais, onde vemos a Glenn sendo destruída pela Discovery e Lorca junto com o animal que levou secretamente a bordo, indicam que de fato muita coisa ainda está sendo oculta de Burnham e, por extensão, do espectador.

Pela premissa instigante, achei este terceiro episódio melhor e mais promissor que os iniciais. Por outro lado, ele ajuda a entender porque trekkers mais tradicionais estão criticando a série, já que ela quebra regras estabelecidas no cânone de mais de 50 anos, possuindo um tom bem mais sombrio e violento, onde conflitos entre oficiais da Frota são comuns, e além de klingons repaginados, mostra tecnologias e eventos inexistentes na cronologia original que conhecíamos. Aliás, como os produtores dizem que a trama se passa na mesma linha de tempo da Série Clássica (10 anos antes, para ser mais exato), só posso concluir que Star Trek: Discovery é, na realidade, um reboot que quebra paradigmas e abre caminho para uma releitura moderna da franquia – à qual, particularmente, não me oponho. É esperar para ver.

Jorge Saldanha

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4 Comments

  1. “Star Trek: Discovery é, na realidade, um reboot que quebra paradigmas e abre caminho para uma releitura moderna da franquia – à qual, particularmente, não me oponho.” Concordo plenamente, tem muita coisa da série original e nas que seguiram que não faz mais sentido hoje.
    Sinto uma certa falta da perspectiva de assistir episódios diferentes a cada semana, abordando temas de ficção científica, mas estou curioso sobre para onde vão levar esta longa estória.

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