Resenha de Filme: MULHER-MARAVILHA


Wonder Woman, EUA, 2017)
Gênero: Ficção Científica, Aventura
Duração: 140 min.
Elenco: Gal Gadot, Chris PineConnie Nielsen, Robin Wright, David ThewlisDanny Huston
Trilha Sonora Original: Rupert Gregson-Williams
Roteiristas: Allan Heinberg, Flor Ferraco
Diretor: Patty Jenkins
Cotação:

Como começar a falar sobre MULHER-MARAVILHA (2017)? Pelos seus acertos ou pelas suas falhas? Comecemos pelos acertos. E o maior deles é a escolha de Gal Gadot para interpretar a mais icônica das super-heroínas já criadas. Ela dá luz tão bem à princesa amazona que deixamos de imaginar outra atriz para o papel. É como se a atriz e modelo israelense tivesse nascido para ser a Mulher-Maravilha.

Outra coisa que funciona relativamente bem é o modo como a princesa é apresentada, na Ilha Paraíso. O problema da origem da personagem é que as explicações sobre como ela recebeu seus poderes, ou sobre a relação das amazonas com os deuses gregos, são muito superficiais. A história é contada em um longo flashback a partir de uma foto enviada pelo Batman à Mulher-Maravilha no final de BATMAN VS SUPERMAN – A ORIGEM DA JUSTIÇA, de Zack Snyder. A foto, que mostra Diana com um grupo de homens durante a Segunda Guerra Mundial, será o catalisador não só das lembranças de Diana e sua relação com um desses homens, vivido por Chris Pine, como da própria introdução da princesa amazona no mundo do patriarcado.

E é de se imaginar o impacto que é adentrar o mundo dos homens justo quando ele parece estar ruindo, devido a uma guerra que levou à morte milhões de pessoas. Para Diana, sua missão é encontrar Ares, o deus da Guerra, o grande responsável pelo que está acontecendo naquele momento. Vale lembrar que, do ponto de vista da astrologia, essa ideia não é de todo infundada, já que, no período de 1909 a 1944, o grande regente foi Marte (como Ares é chamado na mitologia romana).

Esse aspecto da busca de Diana é tratado com certa ambiguidade no início. Afinal, existe mesmo esse tal deus Ares ou aquilo é só mais um dos elementos que fazem parte das características inocentes e, justamente por isso, igualmente adoráveis da personagem? Enquanto a resposta não vem, embora quem conheça os quadrinhos já possa antecipar, é muito gostoso poder ver esses momentos de descoberta de Diana junto ao primeiro homem que ela encontra na vida, Steve Trevor (Pine).

Cada momento de Diana com Steve eleva o filme a pontos altos. A cena em que ela o encontra no banho; a conversa no barco; o momento de comprar novas roupas; a cena da dança (“É isso que os homens fazem quando não estão guerreando?”); a dramática cena do avião. Que, aliás, poderia ser mais dramática, mais eficiente nesse sentido, já que acompanhamos aqueles personagens desde o momento em que se conheceram.

Acontece que aquilo que é uma das coisas mais esperadas no filme, as cenas de ação com a heroína, acabam não sendo tão boas assim, muito por culpa do excesso de efeitos visuais, que não são tão bons, na verdade. Em alguns momentos, até é possível imaginar que algumas cenas, como as dos aviões no ar, foram feitas com a intenção de imitarem as antigas cenas de batalhas no céu em filmes das décadas de 1930 e 40, sem, no entanto, conseguirem ter o mesmo impacto de fazer com que sintamos que estamos no céu e em perigo, a bordo de um daqueles “teco-tecos”.

Mas o que incomoda mesmo é a conclusão, com a grande disputa épica da princesa com o deus Ares, que é mais um daqueles vilões excessivamente chatos e grandiloquentes que já cansaram há tempos, embora não seja muito diferente do Ares apresentado na série de quadrinhos escrita por George Pérez, por exemplo, para citar um dos autores mais importantes na história das HQs da Mulher-Maravilha.

Como filme sobre uma Guerra Mundial que apresenta um super-herói, MULHER-MARAVILHA é equivalente a CAPITÃO AMÉRICA – O PRIMEIRO VINGADOR, da Marvel, que é um trabalho melhor e que consegue nos fazer acreditar que o Capitão é mais do que um sujeito com um escudo na mão. Acreditar na Mulher-Maravilha e em seus poderes é um ato mais de aceitação do que de convencimento por parte da direção de Patty Jenkins e do roteiro Allen Heinberg.

E muito dessa aceitação se dá mais pela beleza divina e encantadora de Gal Gadot e por seu carisma do que pelo roteiro. Há, inclusive, um excesso de metragem que faz com que o filme se prolongue e se torne, muitas vezes, maçante. Não é o tipo de obra que queiramos ver novamente tão cedo, diferente do tão malhado BATMAN VS SUPERMAN, cujas falhas são bastante visíveis, mas que possui uma fluidez narrativa muito mais eficiente e atraente.

Pesando prós e contras, o filme da Mulher-Maravilha pode ser considerado um sucesso e um alívio para a DC/Warner, que, depois de ter amargado dois filmes considerados ruins pela crítica e por boa parte dos próprios decenautas, alcança redenção e esperança no futuro através de um filme que ainda tem o mérito de ser visto à parte dos demais, por se passar em outra época e ter uma cara própria.

Ailton Monteiro

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