Sci Files: Os 40 Anos da Mitologia de STAR WARS


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Na década de 1970, em nossa própria galáxia, um jovem cineasta de nome George Lucas imaginou a saga espacial Star Wars (conhecida então no Brasil como Guerra nas Estrelas). No dia 25 de maio de 1977 estreou o primeiro filme daquela que se tornou a mais importante saga mitológica da moderna ficção científica cinematográfica, angariando fãs em todo o mundo e dando origem a uma franquia bilionária, que saiu da tela grande e se estendeu para livros, televisão, quadrinhos, videogames e brinquedos.  

swmontageA própria jornada de Lucas para materializar sua criação foi digna de uma saga. Diversos estúdios inicialmente recusaram o filme, até que um executivo da Fox resolveu bancá-lo, apostando em Lucas devido ao seu êxito com Loucuras de Verão (1973). O episódio inicial de Star Wars (que ganhou o subtítulo Uma Nova Esperança) acabou virando uma febre mundial, e conforme posteriormente foi revelado por Lucas, era a quarta parte da jornada de Anakin Skywalker – mais conhecido como o Lorde Negro de Sith, Darth Vader, discípulo do imperador Palpatine. O sucesso foi tão grande que, nos Estados Unidos, os cinemas ficavam abertos vinte e quatro horas por dia, com todas as sessões lotadas. Lucas vencera de uma forma impensável, e o caminho abriu-se para a filmagem dos novos capítulos.

No filme seguinte, O Império Contra-Ataca (1980), surge um dos personagens mais adorados da saga: o mestre Jedi Yoda, que havia treinado Obi-Wan Kenobi. Também é feita a revelação de que o vilão Darth Vader era o pai do herói, o jovem aprendiz de Jedi Luke Skywalker. Foi nesta sequência que surgiu a primeira pista de que a trama foi inspirada na mitologia antiga (na tragédia grega, mais especificamente). Por introduzir os elementos mitológicos em uma trama mais sombria e trazer efeitos especiais fantásticos, muitos consideram este o melhor da saga.

Em O Retorno de Jedi (1983) Luke já é um Cavaleiro Jedi, e redime seu pai na Batalha de Endor. Esta batalha foi muito criticada devido ao tom mais infantil provocado pelos Ewoks (criaturas semelhantes a ursos de pelúcia), um enorme contraste em relação ao tom sombrio do filme anterior. É neste episódio que finalmente vemos em ação o Imperador Palpatine, o grande vilão da saga. Embora Vader seja terrível e cruel, ele não passa de um marionete do Imperador. Foi Palpatine quem corrompeu Anakin e o fez tornar-se inimigo de Kenobi, destruindo os Jedi e fundando o Império, tudo isso nos segmentos da saga que ainda não haviam sido filmados. E tudo indicava que não seriam, já que Lucas alegara estar cansado de Star Wars.

Mas em 1994 Lucas anunciou que estava trabalhando no roteiro de uma nova trilogia, o prelúdio da original. Antes, em 1997, ele relançou a trilogia original com cenas inéditas e efeitos visuais refeitos em computação gráfica. Como resultado, a febre Star Wars tornou-se novamente mundial. Finalmente, em 1999, o capítulo inicial da saga, A Ameaça Fantasma, foi um sucesso mundial – embora muitos o tenham achado muito infantil, criticando principalmente o personagem digital Jar Jar Binks e a atuação do garoto Jake Lloyd, que interpretava Anakin quando criança. A criação de Lucas teve seguimento em 2002 com O Ataque dos Clones e em 2005 com o dramático A Vingança dos Sith, que finalmente mostra a transformação do Jedi Anakin no Sith Darth Vader. Lucas foi assimilando as críticas, e cada filme resultou melhor que o anterior.

Ainda assim muitos seguiram criticando a nova trilogia dizendo que era inferior à original, quando na verdade a essência de ambas é a mesma – os tempos é que haviam mudado. Vejamos, por exemplo, a comparação da estrutura da história das duas trilogias:

  1. Anakin e Luke têm que decidir se vão sair de Tatooine. Ao saírem, guiados por um Mestre Jedi, ajudam a sociedade. O primeiro salva Naboo, o segundo salva a base rebelde em Yavin-4;
  2. Pai e filho têm que decidir se vão obedecer ordens superiores, ou irão salvar os amigos em perigo. Ao escolherem salvar os amigos, enfrentam um Lorde Sith sem estarem preparados e acabam sendo derrotados, tendo uma parte do corpo cortada no combate;
  3. Ambos são tentados por Darth Sidious para cederem ao Lado Negro da Força. O pai cede, causando o expurgo Jedi e a ascensão do Império, enquanto o filho, ao não ceder, redime o pai, que sai do Lado Negro para salvar o filho. Anakin, ao salvar o filho, possibilita o surgimento da Nova República – vista na terceira trilogia, recentemente iniciada pela Disney com Star Wars: O Despertar da Força (2015);

stwsComo indicáramos acima, a jornada aqui descrita é pura mitologia antiga. Essas histórias, há milhares de anos, transmitiram valores sociais oralmente, e depois passaram a ser escritas. Os maiores exemplos são a Ilíada e a Odisséia, de Homero, que eram a Bíblia dos antigos gregos. Lucas, de fato, contratou especialistas em mitologia, entre 1973 e 1983, para lhe ajudar a compor a história de Star Wars.

Em 2005 publiquei o livro “A Mitologia de Star Wars”, contendo os capítulos: “O Processo de Criação e a Influência da trilogia Guerra nas Estrelas”, “A Evolução da Ficção Científica no Cinema Norte-americano de 1902 a 1983”, “A Mitologia em Guerra nas Estrelas”, e “O Universo de Guerra nas Estrelas”. O livro é resultado da minha monografia de conclusão do curso de História na PUC (1997 a 2001), que teve na banca dois mestres e um doutor em história, sendo aprovada com êxito.

Aos 40 anos, a saga continua. A nova trilogia e os filmes derivados, como o recente e ótimo Rogue One: Uma História Star Wars, fazem avançar e aprofundar a mitologia de Star Wars, garantindo que a Força continue conosco ainda por muito, muito tempo.

Guilherme da Costa Radin

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