Resenha de Filme: GUARDIÕES DA GALÁXIA VOL. 2


GUARDIÕES DA GALÁXIA VOL. 2 (Guardians of The Galaxy Vol. 2, EUA, 2017)
Gênero: Ficção Científica
Duração: 136 min.
Elenco:  Chris Pratt, Zoe Saldana, Bradley Cooper, Dave Bautista, Vin DieselKaren Gillan, Michael Rooker, Kurt Russell, Pom Klementieff, Elizabeth Debicki
Trilha Sonora Original: Tyler Bates
Roteiristas: James Gunn, Dan Abnett
Diretor: James Gunn
Cotação:

Quando os estúdios Marvel anunciaram que o décimo longa-metragem do universo compartilhado Marvel seria estrelado por um grupo obscuro e não muito explorado dos quadrinhos chamado Guardiões da Galáxia, ninguém ia suspeitar que o filme de James Gunn seria um baita sucesso. Passados três anos, a continuação, GUARDIÕES DA GALÁXIA VOL. 2 (2017), com a mesma equipe e o mesmo diretor, chega com a coragem de ser mais pessoal, com Gunn com mais liberdade para fazer o trabalho que deseja, embora haja ainda muita coisa em comum com os demais filmes da Marvel, como o próprio humor, mesmo que seja um humor ainda mais escrachado.

Ao mesmo tempo em que também é um filme em que o humor prevalece, há também um sentimentalismo sem medo de ser exagerado na hora de compor os dramas dos personagens. E é com isso que GUARDIÕES DA GALÁXIA VOL. 2 ganha pontos positivos. Afinal, nada como a coragem de meter o pé na jaca quando o assunto é sentimento em um filme que brinca com excessos de outros tipos, como o visual extravagante e derivado das décadas de 1970 e 1980 e uma ação desenfreada que às vezes passa a impressão de algo desleixado.

Há quem vá achar, porém, o terço final do filme problemático e um pouco sem ritmo, mas talvez seja justamente neste momento que este volume 2 se mostra mais valoroso, ao lidar com as questões familiares de Peter Quill (Chris Pratt), que finalmente encontra seu pai, aqui vivido por Kurt Russell. Aliás, Russell é um dos primeiros personagens a aparecer no filme, em um prólogo que se passa em fins dos anos 1970, quando ele aparece com feições mais jovens, modificadas pelo CGI. Mais à frente os fãs da Marvel terão uma surpresinha sobre quem ele realmente é. E este é apenas um dos vários fan services que esta sequência traz.

Demora um pouco para que a história do filme se defina, mas até lá é possível se divertir já a partir dos créditos de abertura, os melhores de todos os filmes da Marvel até agora, mostrando a equipe lutando ao fundo, enquanto Baby Groot dança ao som de “Mr. Blue Sky”, da Eletric Light Orchestra. Uma sequência animadora seguida de uma cena de ação que parece não ter muita importância para a trama, a não ser brincar com a dinâmica do trabalho em equipe e com a característica de cada personagem, sedimentando o que ainda não havia ficado firme no primeiro filme.

Assim, agora é muito mais possível gostar do grandalhão Drax (Dave Bautista), por exemplo, pois são dele as partes mais engraçadas, principalmente quando entra em cena uma personagem chamada Mantis (Pom Klementieff) e ela é meio que alvo de bullying por parte dele, embora não perceba por ser tão inocente. Enquanto isso, o filme dá mais humanidade e seriedade a Rocket (voz de Bradley Cooper) e ele deixa de ser apenas um guaxinim falante.

Aliás, uma das coisas positivas do filme é o fato de eles se aceitarem, no fim, como uma família disfuncional, já que todos guardam traumas ou ressentimentos do passado ou de aceitação. Assim, até mesmo Yondu, o personagem de Michael Rooker, acaba ganhando força e até simpatia em determinado momento. É bom quando um vilão chato passa a ser visto de outra maneira. Por outro lado, o verdadeiro vilão se manifesta das maneiras mais exageradas possíveis, mas neste momento o filme já nos conquistou e certas coisas podem ser relevadas.

As cenas de ação e de luta são boas, ainda que pouco orgânicas, e primam pelo cuidado com o colorido e a direção de arte. Destaque para as sempre bem-vindas cenas com Gamora (Zoe Saldana), cheia de charme lutando ou fazendo poses de mulher durona, mesmo quando está apenas dizendo ‘não’ às investidas de Quill. A própria Gamora também tem uma questão familiar que é problematizada e resolvida no filme, além de ser combustível para um pouquinho mais de sentimentalismo brega.

Mas as boas canções de vez em quando entram para equilibrar e dar um pouco mais de encanto a este relativamente estranho filme, de final tocante. Assim, “Father and Son”, de Cat Stevens, e “Bring it on Home to Me”, de Sam Cooke, aparecem em momentos bem especiais, com a intenção de dar mais profundidade aos personagens e seus dramas, em momentos de respiro.

No mais, GUARDIÕES DA GALÁXIA VOL. 2 se aproxima mais do futuro, quando os heróis do espaço encontrarão os heróis da Terra em VINGADORES: GUERRA DO INFINITO, já no ano que vem. Assim, por mais que se possa reclamar de uma coisa ou outra nesses filmes da Marvel, eles estão muito à frente da concorrência, com o estúdio seguindo firme e forte para um encontro épico de vários personagens da Casa de Ideias. E, como de hábito, fique sentado durante os créditos finais, há boas surpresas lá.

Ailton Monteiro

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