Entrevista com Richard Hatch


richard_hatchRichard Hatch, o eterno Capitão Apollo da série original de Battlestar Galactica (1978-1979), deixou este mundo no último dia 7 de fevereiro, aos 71 anos. Depois de não ter conseguido tocar adiante seu projeto de revival da série, ele foi convidado por Ronald D. Moore para interpretar Tom Zarek no reboot iniciado em 2003. Sem dúvida uma bela e merecida homenagem a Hatch, um profissional sempre lembrado com carinho por seus colegas e que sempre tratou os fãs com atenção e respeito. Em 1997 realizamos via internet uma entrevista exclusiva com o ator para o fanzine Zona Neutra, que reproduzimos aqui como homenagem a esse sujeito muito legal e de cabelo impecável, que nunca esqueceremos.


  1. Sr. Hatch, para nós é uma satisfação podermos fazer-lhe algumas perguntas. Aqui no Brasil o senhor é conhecido principalmente por seu trabalho em São Francisco Urgente e Galactica: Astronave de Combate. Além destas séries, quais são seus outros trabalhos?

Minha primeira série de TV com participação fixa foi All My Children, que durou de 1970 até 1972. Como ator convidado apareci em muitos programas clássicos dos anos 70, como Kung Fu, Hawaii 5-0, Galeria do Terror, Os Waltons e Cannon. Na temporada de 1976/1977 de São Francisco Urgente interpretei o inspetor-detetive Daniel Jesse Robbins. Na série de 1977 Forever Fernwwood tive um papel coadjuvante. Então em 1978 veio Battlestar Galactica, na qual vivi o Capitão Apollo. Best Friends, de 1975, o qual estrelei juntamente com Doug Chapin, foi meu primeiro papel no cinema. Já nos anos 80 continuei atuando na TV (como astro convidado) e no cinema, em produções como Charlie Chan e a Maldição da Rainha Dragão, Ilha da Fantasia, Assassinato por Escrito, Dinastia, Carro Comando, McGyver e muitos outros. Nos 90 estive em “clássicos” como Mortal Obsession, Ghetto Blaster, Last Platoon e Prisoners of the Lost Universe. Mas o papel que considerei mais desafiador foi o que tive em um filme de 1995 chamado Renaissance, em que interpretei um artista perturbado.

  1. O senhor ainda comparece em Convenções de Ficção Científica?

Claro, viajo por todo o país participando de muitas convenções. Também leciono, e dou palestras para ajudar as pessoas a liberarem sua visão criativa.

  1. O senhor mantém contato com o restante do elenco fixo de Galactica, ou com os atores convidados?

Somente em convenções.

  1. Fale-nos um pouco sobre o falecido Lorne Greene. Como era trabalhar com ele? Vocês mantiveram contato, após o cancelamento da série e até a sua morte?

Lorne Greene foi uma das pessoas mais incríveis que conheci. Tornamo-nos amigos quase que imediatamente. Ele era muito gentil, e dedicava seu tempo para falar com todos, não importando sua idade ou de onde vinham. Era um cavalheiro, sinto muitas saudades.

  1. Para nós, é compreensivelmente difícil encontrar Dirk Benedict. O que ele está fazendo atualmente? O senhor o conhecia antes de Galactica?

Sim, conheci-o em 1975. Dirk não vive mais na Califórnia, mudou-se para Montana com seus filhos. Vejo-o raramente. Mas sei que está saudável e ansioso para interpretar Starbuck novamente. Em Official Denial, de 1993, ele interpretou um militar linha-dura, e estava ótimo. Estaremos juntos na reunião que celebrará os 20 anos da série, que ocorrerá no Universal Hilton em 1998.

  1. Diga-nos o que achou de suas cenas com Jane Seymour. Porque a personagem dela foi morta no início da série? Houve algum desentendimento com os produtores?

Jane Seymour é uma linda e talentosa atriz. Apreciei fazer o episódio no qual Serina morre. Foi um momento forte da série. Infelizmente ela tinha contrato apenas para as primeiras sete horas. Creio que era muito cara para ser mantida no elenco fixo.

  1. Como foi seu envolvimento inicial com Galactica? O senhor foi a primeira escolha para interpretar Apollo?

Como você pode imaginar, vários atores foram testados para o papel, entre eles um cara chamado Dirk Benedict. Mas graças ao corte de cabelo adequado, eu consegui o papel.

  1. À época, Galactica não teve precedentes em termos de TV. Diga-nos algo sobre os cenários e outros aspectos técnicos da série.

Galactica foi um marco. Os cenários eram incríveis, e a Ponte de Comando era realmente funcional. Os efeitos visuais eram de John Dykstra, de Guerra nas Estrelas. Stu Phillips e Glen Larson compuseram o marcante tema musical, e Stu muitas trilhas emocionantes. O maravilhoso figurino foi uma criação de Jean-Pierre Dorleac. Todas as pessoas envolvidas eram ótimas. Durante quase um ano de filmagens, a equipe e o elenco tornaram-se bons amigos. Mas para mim o melhor era o conceito da série. A ideia era semelhante ao conceito original de Gene Roddenberry para Jornada nas Estrelas, o tema universal da exploração.

  1. Qual o seu episódio favorito de Galactica?

Adoro dois episódios: “A Mão de Deus” e “A Guerra dos Deuses”.

  1. Como era seu relacionamento com Glen A. Larson? Como ele viu o caso Galactica/Guerra nas Estrelas?

Glen Larson é um talentoso produtor de TV, e graças a ele pude fazer parte de uma série altamente interessante e divertida. Larson deve ser elogiado por sua visionária criação de uma frota desmantelada em busca de um planeta chamado Terra. Ambos achamos que a série não é um plágio de Guerra nas Estrelas. Apenas inspirou-se nesse filme, tanto quanto um novo faroeste se inspira em outros faroestes que vieram antes. Galactica tinha personagens, “sabor” e mitos próprios. Era a história da humanidade em busca da sua herança ancestral.

  1. Sobre o comentado retorno de Galactica, quais são as chances de uma nova série, ou mesmo de um filme? Se acontecer, Larson e o senhor estarão envolvidos no projeto?

Há alguns anos, Glen Larson apresentou um projeto à Universal, que foi recusado. Porém disseram que estavam abertos a futuras propostas de Glen, e mesmo de outros. Acredito que eles estejam esperando a hora e o roteiro certos para ir adiante. O fato é que estamos trabalhando duro para fechar um acordo que possibilitará o retorno de Galactica. Como já disse a reunião dos 20 anos é ano que vem, e nela todas as pessoas envolvidas com a série, inclusive seu criador, estarão presentes. Espero anunciar a volta da série antes disso.

  1. O que o senhor acha de Galactica 1980? Em uma seqüência, ela será considerada em termos cronológicos?

Galactica 1980 tinha potencial, mas sofreu limitações orçamentárias. Meu último roteiro a ignora, centrando-se na jornada rumo à Terra, e como os personagens evoluíram durante sua longa travessia do espaço. A história apresenta Cylons mais perigosos e letais. Como sabemos, o Comandante Adama faleceu, e eu sigo a partir desse ponto. Não tenho ideia da direção que Glen Larson pretendia dar à série, mas se o roteiro transformar-se no piloto de uma nova temporada, certamente estaremos juntos nesta empreitada.

  1. Sabemos que o senhor está escrevendo quadrinhos e livros. São eles derivados de Galactica? Dê-nos alguns detalhes.

Para a série de quadrinhos de Galactica, da Maximum Press, tive a oportunidade de escrever uma história em três partes chamada “A Jornada de Apollo”. Tenho a minha própria série de quadrinhos, ilustrada de forma cinematográfica por Chris Scalf e intitulada “The Drakkon Wars: Tales of the Unknown Warrior”, lançada no último mês de julho. Já o meu livro “Armaggedon” retoma a série original 18-20 anos no futuro. O segundo volume, chamado “Warhawk”, virá ano que vem. Nele o Comandante Cain estará de volta. Mas atualmente estou me concentrando em terminar este meu “realmente incrível” roteiro.

  1. O que o senhor acha das atuais séries de ficção científica? Algumas são ruins, porém são renovadas por várias temporadas. O senhor assiste alguma?

Infelizmente, Galactica, com índices de audiência maiores que muitas das novas séries de FC, durou apenas uma temporada. Creio que atualmente há menos disputa entre as grandes redes. Não assisto muita TV, mas considero Babylon 5 a melhor série contemporânea do gênero.

  1. O senhor mantém algum item original como lembrança de Galactica?

Eu sei o que vocês estão pensando, mas eu não fiquei com o daggit! Porém há um grande número de pessoas por aí que possui incríveis coleções de objetos originais de Galactica. Procurem na Rede e vocês irão descobri-las.

  1. O senhor já viajou para o Brasil alguma vez? Se não, o que sabe a respeito do nosso país?

Nunca, mas adoraria ir até o Brasil. Estou maravilhado com o sucesso de Galactica por aí, e o apoio dado ao programa e a mim. Pelo que sei, o Brasil é um grande país, cheio de belas mulheres. Brincadeira.

Sr. Hatch, desculpe por tantas perguntas, e um muito obrigado da nossa parte e de todos os leitores do Zona Neutra.

Eu é que agradeço. Apreciei muito, já que sempre me orgulhei de ter participado de Galactica, uma das séries sci-fi de maior sucesso de todos os tempos. Meu site na Internet sempre estará aberto aos meus amigos. Vida Longa e Próspera (Êpa!), para vocês e para o Zona Neutra.


Abaixo, confira o trailer-piloto que Hatch lançou dois anos após a entrevista acima, trazendo de volta remanescentes da série original e introduzindo novos personagens em um projeto de nova temporada de Galactica chamada The Second Coming:

Capa da edição do Zona Neutra onde a entrevista foi originalmente publicada, em 1997:

zona-14-1997

Jorge Saldanha

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