Resenha de Filme: ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA STAR WARS


rogue-one-posterRogue One: A Star Wars Story, EUA, 2016
Gênero: Ficção Científica
Duração: 133 min.
Elenco: Felicity Jones, Diego Luna, Ben Mendelsohn, Donnie Yen, Forest Whitaker, Mads Mikkelsen, James Earl Jones, Alan Tudyk, Jimmy Smits, Riz Ahmed, Yi-wen Jiang
Trilha Sonora: Michael Giacchino
Roteiro: Chris Weitz, John Knoll, Tony Gilroy
Direção: Gareth Edwards
Cotação: star_4

Desde que comprou a Lucasfilm, a Disney deixou clara sua estratégia: faturar ao máximo com a saga Star Wars, compensando assim as várias décadas de tentativas frustradas para ter uma franquia sci-fi própria e rentável. Assim, além de produzir uma nova trilogia com a janela entre cada filme reduzida de dois para três anos, também anunciou o lançamento alternado de filmes autônomos baseados em personagens ou eventos do universo criado por George Lucas – garantindo, assim, que a cada ano haja um novo Star Wars nas telas de cinema mundiais.

Portanto, um ano após o primeiro e competente (mas previsível) filme da nova trilogia, O Despertar da Força (2015), fomos presenteados com este Rogue One: Uma História Star Wars, prelúdio do Guerra nas Estrelas original e que acompanha a missão dos Rebeldes que roubou os planos da então maior arma de destruição do Império Galáctico, a Estrela da Morte. Felizmente, a preocupação dos fãs de que a Disney transformaria a franquia num caça-niqueis de baixa qualidade não se concretizou, e Rogue One revelou ser não apenas melhor que O Despertar da Força, mas também (pelo menos para este que escreve) um dos top 3 da saga, juntamente com O Império Contra-Ataca (1980) e Uma Nova Esperança (1977).

Sem dúvida, a grande razão do sucesso desses novos filmes reside em serem chamados profissionais que, além de competentes, são fãs legítimos da obra de Lucas ou a conhecem a fundo, como o diretor Gareth Edwards (Godzilla) e os roteiristas Chris Weiz, Tony Gilroy e John Knoll (este, mais conhecido por seu trabalho de efeitos visuais). A equipe conseguiu estruturar um filme ágil, focado num momento crucial da mitologia da série, e que se tornou aquele Star Wars mais sério que os fãs há tanto queriam. Assim, androides, alienígenas e outras criaturas fofinhas ou esquisitas que caracterizaram os filmes desde O Retorno de Jedi (1983) foram reduzidos ao mínimo necessário. O clima geral é sombrio, remetendo mais a um filme de guerra que a uma ficção científica fantasiosa. Não há nem mesmo a tradicional introdução ao som da conhecida fanfarra da série. Além disso, Rogue One foge da tradicional dicotomia Bem x Mal mostrando que os Rebeldes – no filme, principalmente os personagens Cassian Andor (Diego Luna) e Saw Gerrera (Forest Whitaker) – são capazes de praticar atos moralmente questionáveis em prol da causa.

Técnica e visualmente, Rogue One é espetacular. Com a ajuda dos efeitos de ponta da ILM, reproduz de forma fiel a aparência, estilo e inclusive alguns personagens da trilogia original. Neste particular, pelo que me consta, o longa é pioneiro em recriar em CGI, no corpo de um dublê, o rosto de um ator já falecido e colocá-lo num desempenho relevante. Refiro-me ao lendário inglês Peter Cushing, que em Uma Nova Esperança interpretou o Grand Moff Tarkin. O efeito teria ficado 100% convincente (ajudado por um excelente trabalho de dublagem) se ele fosse visto sempre a média distância; os close-ups do rosto acabam entregando o uso da computação gráfica. Mesmo assim, ficou bem melhor que a Princesa Leia (Carrie Fisher), mas como ela aparece muito pouco no final, não chega a incomodar.

Mais eficaz foi o recurso de empregar cenas não utilizadas para mostrar alguns dos mesmos líderes de esquadrão rebeldes do filme de 1977, na grande batalha que encerra a aventura (uma das melhores da saga, diga-se de passagem). Temos outros personagens conhecidos vistos no filme, seja como fan-service ou mesmo com atuação relevante, como o Senador Bail Organa (Jimmy Smits), os droides R2-D2 e C3-P0 e, principalmente, Darth Vader. Novamente com voz de James Earl Jones, Vader aparece pouco mas em momentos memoráveis. O confronto dele com a tripulação da nave de Leia é de fazer qualquer fã bater palmas.

Quanto aos novos personagens, exceto por Jyn Erso (Felicity Jones), Cassian e Chirrut Imwe (Donnie Yen), eles não são trabalhados a ponto de que realmente nos importemos com eles ao final. E o Saw Gerrera de Whitaker, uma espécie de Che Guevara espacial, ficou muito caricato. Mas ao final, o que importa mesmo é que Rogue One é a aventura corajosa que o previsível O Despertar da Força poderia ter sido. Até porque mostra que a destruição da Estrela da Morte original não foi um ato aleatório, havia uma razão para existir aquele ponto fraco e houve toda uma série de eventos e sacrifícios para que isso fosse conseguido. Já no filme do J.J. Abrams os novos rebeldes analisam em 30 segundos os esquemas da Starkiller e já sabem como destruí-la…

Por fim, mas não menos importante, devo destacar que, pela primeira vez, um filme de Star Wars não teve sua trilha original composta pelo octogenário John Williams, que no momento está ocupado com o score do Episódio VIII, a ser lançado ano que vem. Michael Giacchino, que já herdara o patrimônio musical de franquias como Missão: Impossível, Star Trek e Jurassic Park, e que já há algum tempo era apontado como o sucessor de Williams na saga, assumiu aqui a tarefa e entregou uma ótima trilha sonora, onde em várias passagens emula o estilo do Mestre, incorpora alguns dos temas clássicos e, ao mesmo tempo, dá sua contribuição pessoal ao trabalho. A trilha de Rogue One pode não ser um marco como as de Williams, mas sem dúvida é uma das melhores ouvidas em 2016. Fica difícil imaginar que o francês Alexandre Desplat, que já trabalhara com o diretor em Godzilla e estava inicialmente escalado como compositor, pudesse fazer algo melhor.

Jorge Saldanha

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4 comentários sobre “Resenha de Filme: ROGUE ONE – UMA HISTÓRIA STAR WARS

  1. Excelente resenha! Só discordo quando você diz que Episódio VII é competente. Ele é pior até que do que aquele “especial de Natal” famigerado!

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