Resenha de Filme: DOUTOR ESTRANHO


dr-estranho-posterDoctor Strange, EUA, 2016
Gênero: Fantasia, Ação
Duração: 115 min.
ElencoBenedict Cumberbatch, Chiwetel Ejiofor, Mads Mikkelsen, Rachel McAdams, Tilda Swinton, Benedict Wong, Scott Adkins
Trilha Sonora: Michael Giacchino
RoteiroJon Spaihts, Scott Derrickson, C. Robert Cargill
Direção: Scott Derrickson
Cotação: star_4

Quem era leitor de quadrinhos de super-heróis até a década de 1990 sonhava em ver seus heróis favoritos materializados em grandes produções cinematográficas que fizessem jus àquele universo, seja o da Marvel, seja o da DC, para citar as grandes. Infelizmente as tentativas de adaptarem para o cinema esses heróis resultaram em fracassos ocasionais. Tanto por falta de uma história inventiva, quanto por não terem ainda uma série de recursos de produção que hoje fazem toda a diferença. Depois dos avanços no uso da computação gráfica, tudo agora é possível. Basta saber fazer. As ferramentas estão à mão. E dinheiro não falta, já que o retorno tem sido muito positivo e são os filmes de super-heróis que estão alavancando os blockbusters atualmente. Para o bem e para o mal. Prefiro acreditar que é mais para o bem.

Pois bem. Depois do sucesso de X-MEN em 2000 e da iniciativa de um Universo Compartilhado Marvel a partir de HOMEM DE FERRO em 2008, tudo mudou. E agora esse pessoal está cada vez mais corajoso, fazendo filmes sobre heróis bem pouco conhecidos do grande público, como os Guardiões da Galáxia e o Homem-Formiga. E agora chega a vez do Mago Supremo do Universo. Para DOUTOR ESTRANHO (2016), a Marvel convida para a direção o especialista em filmes de horror Scott Derrickson. Que nem é dos melhores do gênero, mas que tem sim alguns bons títulos no currículo.

Para DOUTOR ESTRANHO, há um número de acertos bem significativos, que tornam a produção acima da média, além de fugir do que se está acostumado a ver em títulos do gênero. Desde os primeiros trailers divulgados já se sabia que a abordagem seria diferente, com um tratamento visual que os demais filmes não têm, inclusive com um uso muito mais caprichado da tecnologia 3D e agora também do IMAX. A intenção é capturar o clima psicodélico das primeiras histórias do personagem, desenhadas pelo lendário Steve Ditko. E pode-se dizer que eles conseguem.

Outra coisa muito boa é a escolha do elenco. Um luxo ter Benedict Cumberbatch como Stephen Strange; Rachel McAdams como a apaixonante médica e interesse amoroso de Strange, a Dra. Christine Palmer; Tilda Swinton como a Anciã, a mulher que apresentará a Strange um novo mundo; Chiwetel Ejiofor como o mago Mordor; Benedict Wong como… Wong; e Mads Mikkelsen como o principal vilão do filme, embora seja também o seu maior problema. Os embates com o personagem de Mikkelsen, ainda que possam ser apreciados pelos efeitos visuais de desconstrução da realidade, acabam tornando o filme um pouco aborrecido em alguns momentos.

Mas, levando em consideração os acertos, até dá para relevar este problema. Quem não queria mais um pouco de plantão médico com a Rachel McAdams, de tão adorável que é sua personagem? Não é fantástica a Anciã de Tilda Swinton e suas palavras de sabedoria tão bem construídas e tão pouco usuais em filmes desse tipo? O que dizer da cena dela com Strange no alto de um prédio enquanto o corpo dela estava sendo operado? Um grande momento do filme, sem dúvida.

Assim como é também um grande momento o encontro pessoal do herói com um dos supervilões mais tenebrosos do Universo Marvel, Dormammu, um ser místico que vive nas profundezas de uma dimensão sombria. A cena do embate de Estranho com Dormammu é outro ponto alto do filme. Aliás, é interessante notar que DOUTOR ESTRANHO consegue ser ao mesmo tempo compacto e dinâmico, sem parecer apressado em sua condução narrativa, algo que se percebe nos filmes dos Vingadores, por exemplo. Isso se deve, em parte, por ser a história solo de um herói, mas também se deve dar o devido crédito ao realizador, aos roteiristas, ao montador.

Como é natural nos filmes da Marvel, o humor está presente, muitas vezes até descaracterizando o personagem dos quadrinhos, que costuma ser bem mais sério, até para conservar sua aura de mistério. No cinema, na falta de outro personagem que fosse um alívio cômico, o próprio Strange foi o escolhido. Mas isso não tira o mérito do filme, até porque algumas cenas de humor funcionam muito bem, em especial as que envolvem Wong, que aqui ainda aparece como o guardião da biblioteca de livros místicos. E nem é preciso dizer que a construção gráfica do herói, com direito a Manto da Levitação e o Olho de Agamotto, foi feita no capricho.

Assim, podemos dizer que, sim, a Marvel acertou mais uma vez no cinema, inserido agora um personagem que lida com magia para que se torne presente na grande saga de um dos próximos filmes dos Vingadores. Mas antes disso, o Doutor Estranho aparecerá em THOR 3 – RAGNAROK, previsto para novembro do próximo ano. Pelo visto, os super-heróis da Marvel continuarão em nossos cinemas por um bom tempo.

Ailton Monteiro

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