STAR TREK: Os 50 Anos de uma JORNADA NAS ESTRELAS


tos-logoCom o episódio “O Sal da Terra”, há exatos 50 anos, no dia 8 de setembro de 1966, estreava na rede de TV NBC, nos Estados Unidos, a  série Star Trek (Jornada nas Estrelas), de  Gene Roddenberry, onde eram mostradas as aventuras de James T. Kirk (William Shatner), o capitão da nave estelar classe Constitution Enterprise NCC-1701, da Federação dos Planetas Unidos. A nave, como anunciado na famosa introdução narrada por Shatner, partiu em uma missão de cinco anos “em busca de novas vidas, novas civilizações, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve”. Os eventos mostrados na série se passam entre os anos 2265 e 2269, no século 23.

Da esquerda para a direita: Scotty (James Doohan), McCoy (DeForest Kelley), Chekov (Walter Koenig), Chappel (Majel Barret), Kirk (William Shatner), Uhura (Nichelle Nichols), Spock (Leonard Nimoy) e Sulu (George Takei)
Da esquerda para a direita: Scotty (James Doohan), McCoy (DeForest Kelley), Chekov (Walter Koenig), Chappel (Majel Barret), Kirk (William Shatner), Uhura (Nichelle Nichols), Spock (Leonard Nimoy) e Sulu (George Takei)

A série já nasceu sobrevivendo, uma vez que fora rejeitada pela CBS, e foi o estúdio Desilu, de Lucille Ball (estrela de I Love Lucy), que aceitou produzir o piloto em 1964. Nele (“The Cage”), a Enterprise sob o comando do Capitão Christopher Pike (Jeffrey Hunter) estava numa missão de resgate de sobreviventes de uma nave que caíra no planeta Talos 4. Lá o Capitão encontra uma sobrevivente e os talosianos, capazes de criar qualquer tipo de ilusão. O episódio era muito cerebral e acabou sendo rejeitado. Foi realizado um novo piloto, “Where no Man has Gone Before”, com um novo Capitão e uma nova tripulação – da anterior, somente o vulcano Sr. Spock (Leonard Nimoy) foi mantido. Inicialmente os executivos da NBC queriam tirar do programa o personagem Spock, já que sua aparência lembrava o demônio, mas a firmeza de Gene o manteve. Isso por vezes até foi ironizado na série, quando Kirk e o médico da nave, Dr. McCoy (DeForest Kelley) brincavam com Spock, comparando-o com o Diabo. Aliás, o trio Kirk/Spock/McCoy, com suas conversas, ironias e, acima de tudo, amizade, acabou sendo o principal pilar da série.

A Enterprise NCC-1701 dispara os phasers
A Enterprise NCC-1701 dispara os phasers

Com a série aprovada, Gene passou a fazer o que lhe interessava: introduzir comentários políticos e alegorias da época, camuflados como ficção cientifica. Foram introduzidos como vilões os alienígenas Klingons e Romulanos, sendo os primeiros claramente inspirados nos soviéticos. Eles também reapareceram depois nos longas para o cinema, a partir de 1979, e nos spin-offs televisivos The Next Generation (A Nova Geração), Deep Space Nine (A Nova Missão), Voyager e Enterprise. A série inovou, à época, por apresentar uma tripulação multi-racial e mulheres em postos de comando. Roddenberry conseguiu ótimos roteiristas, porém tinha o mau hábito de reescrever os roteiros deles, e assim, ao longo de sua duração, Jornada nas Estrelas perdeu muitos bons escritores, como Harlan Ellison.

O Capitão James T. Kirk (William Shatner)
O Capitão James T. Kirk (William Shatner)

Em suas três temporadas, a Série Clássica de Star Trek teve muitos episódios excelentes, hoje considerados clássicos. Entre eles, “Cidade à Beira da Eternidade” é considerado quase unanimemente o melhor, embora meu preferido seja “Máquina de Destruição”, do segundo ano. O episódio “O Equilíbrio do Terror” introduz a ameaça Romulana, e nele é citada a antiga guerra Terra/Romulus. Já em “Missão de Misericórdia” os Klingons são apresentados como inimigos declarados da Federação. O vilão Khan, visto no memorável episódio “Semente do Espaço”, reapareceu em 1982 no longa Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan.

O Oficial de Ciências Sr. Spock (Leonard Nimoy)

Gene L. Coon foi o responsável por colocar na série muitos dos elementos dramáticos e cômicos que a caracterizaram, como a A Primeira Diretriz, os Klingons, a relação de picuinha/admiração entre Spock e McCoy, e também a tendência resmungona do engenheiro Scotty. Coon também escreveu alguns dos melhores episódios, como “Missão de Misericórdia”, “Demônio da Escuridão”, “Semente do Espaço”, “Arena”, “Um Gosto de Armageddon”, “Lamento por Adonis”, “Metamorfose” e “Pão e Circo”. Gene centrava-se em situações dramáticas, enquanto Coon priorizava as cômicas. O equilíbrio das características de ambos tornava a série mais rica e consistente.

CURIOSIDADES:

  • A Federação foi inspirada no filme O Planeta Proibido, de 1956, do estudio MGM;

  • O falecido Leonard Nimoy, no segundo ano, causou problemas ao renegociar seu contrato e até foi cogitada sua substituição por Mark Lenard, que acabou tornando-se o pai de Spock, Sarek;

  • Foi no segundo ano que surgiu o Universo Espelho, muito utilizado pelas spin-offs – especialmente em Deep Space 9 (DS9);

  • Em comemoração dos 30 anos de Jornada nas Estrelas, foi produzido um episódio onde a tripulação da DS9 acaba parando dentro do episódio da Série Clássica “Problemas aos Pingos”, onde salvam o Capitão Kirk da morte certa;

  • Também durante essa comemoração, houve um episódio de Voyager onde o Capitão Sulu tenta salvar Kirk da prisão Kilingon Rura Phente, num crossover com o longa Jornada nas Estrelas VI: A Terra Desconhecida (1991);

  •   Três Klingons que enfrentaram Kirk na Série Clássica reapareceram no segundo ano de DS9, como amigos de Jadzia Dax;

  • A NBC decretou o fim de Jornada nas Estrelas após o término do segundo ano, mas uma campanha de cartas e protestos garantiu o terceiro ano;

  • Anos mais tarde a Nasa batizou seu primeiro ônibus espacial de Enterprise;

  • Muitos consideram “O Cérebro de Spock” como o pior episódio da série, mas existe um de Voyager que “inspira-se” justo nele. Outra série de ficção científica, Andromeda (baseada num conceito de Gene Roddenberry) também andou se inspirando nessa “pérola”;

  • Diversas espécies apresentadas na Série Clássica foram ignoradas nas spin-offs, só retornando em Enterprise, ou foram mal utilizadas, como o caso do vulcano Tuvok em Voyager;

  • Diversos elementos da Série Clássica foram utilizados no quarto ano de Enterprise, considerado por muitos a melhor temporada dessa série;

  • Em 08 de setembro de 1972, devido ao sucesso da Série Clássica, foi lançada pela NBC uma série em desenho animado, com a tripulação original. A Filmation foi a produtora escolhida por Gene para criar o desenho, que teve 22 episódios em duas temporadas;

  • O holodeck foi introduzido na Série Animada, mas só foi largamente explorado na Nova Geração, de 1987;

  • A Phase 2, uma proposta para se fazer uma nova série televisiva com a tripulação da Série Clássica nos anos 70, acabou se transformando no longa metragem de 1979. 13 episódios chegaram a ser escritos, e alguns dos roteiros foram reaproveitados na Nova Geração;

  • O filme Star Trek (2009), de J.J. Abrams, utilizou o recurso da viagem no tempo para criar uma nova linha de tempo (a chamada Kelvin Timeline) que permite recontar a história da Série Clássica, trazendo de volta a tripulação original da Enterprise. O longa mais recente, Star Trek: Sem Fronteiras, que comemora os 50 anos do lançamento da Série Clássica, continua nessa linha e tem sido considerado o melhor desta nova fase.

A Série Clássica de Jornada nas Estrelas teve 79 episódios produzidos, todos já lançados em DVD no Brasil, e plantou sementes que alimentam admiradores de todo o mundo há 50 anos. A versão remasterizada da série, com efeitos CGI substituindo os originais, também já saiu em DVD e Blu-ray. No Brasil existem muitos grupos de fãs da franquia, e sites e fóruns de discussão de alta qualidade como o Trek Brasilis. Também são realizadas convenções e fanfilms.

Guilherme da Costa Radin

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