Resenha de Série: GAME OF THRONES – Battle of The Bastards


wun-wun-got-battleGame of Thrones Episode 6×9 – Battle of The Bastards (2016)
ElencoPeter Dinklage, Kit Harington, Emilia Clarke, Sophie TurnerAlfie Allen, Carice Van Houten, Liam Cunningham, Iwan Rheon, Aidan Gillen, Gemma Whelan
RoteiroDavid Benioff, D.B. Weiss
Direção: Miguel Sapochnik
Cotação: star_5

ATENÇÃO: caso você ainda não tenha assistido ao penúltimo episódio da sexta temporada de Game of Thrones, o texto a seguir contém Spoilers

As resenhas de séries não são muito frequentes por aqui, e muito menos de um episódio específico. Porém, o que assistimos ontem à noite na HBO foi algo incomum: o nono episódio da sexta temporada de GAME OF THRONES, intitulado “Battle of The Bastards”, quebrou paradigmas na história da televisão. Aliás, quebrar paradigmas é o que a série vem fazendo desde a sua estreia em 2011, porém este episódio, mais do que mortes inesperadas de protagonistas, superou episódios ambiciosos como “Blackwater”, “The Watchers on The Wall” e “Hardhome”, revelando ser um verdadeiro blockbuster de média-metragem. Além de conduzir duas das principais tramas da série para um rumo há muito desejado pelos fãs, ostentou valores e cuidados de produção superiores a muitos filmes de cinema. Só na Batalha de Winterfell foram utilizados 500 figurantes e 70 cavalos, tudo devidamente multiplicado na pós-produção.

Uma das críticas que a série vem recebendo nesta atual temporada é a pressa e a simplificação com que boa parte do seu argumento está sendo desenvolvido, e há certa razão em tais críticas. De um modo geral, o programa ultrapassou os livros de George R.R. Martin nos quais ele se baseia. Muito da saga literária fora deixado de fora pelos produtores/roteiristas David Benioff e D. B. Weiss, e com a trama da série encaminhando-se para o seu final, eles acabaram resgatando na atual temporada arcos inicialmente descartados, como a disputa sucessória entre os Greyjoy nas Ilhas de Ferro, e o cerco a Correrio que coloca frente a frente Peixe Negro (Clive Russell) e Jaime Lannister (Nikolaj Coster Waldau). Neste último, fica fácil constatar como o texto original de Martin, ainda que adaptado para a série, é superior ao criado por Benioff e Weiss, que na falta da base literária para guiar eventos ainda não mostrados nos livros até agora publicados, algumas vezes tangenciam a obviedade ou uma realização frouxa (como na conclusão do arco de Arya e os Homens Sem Rosto).

Mesmo com isso, esta temporada de GAME OF THRONES é das melhores até agora, já que as várias tramas que até então corriam em paralelo estão finalmente convergindo, e algumas resoluções parecem ter sido feitas sob encomenda para agradar aos fãs. Nela já tivemos episódios excelentes como “Home” ou “The Door”, mas nenhum deles chega perto do impacto deste “Battle of The Bastards”, que mesmo sem surpreender em sua conclusão (afinal, várias coisas já haviam sido “telegrafadas” pelos realizadores em episódios anteriores, sem falar que a internet é escura e cheia de spoilers…), nos espanta como um espetáculo visualmente deslumbrante e ao mesmo tempo brutal, especialmente na Batalha dos Bastardos que lhe dá o título.

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A primeira parte do episódio é dedicada ao ataque da frota dos mercadores de escravos à cidade de Meereen, governada por Daenerys Targaryen (Emilia Clarke), tendo ao seu lado como Conselheiro o “Duende” Tyrion Lannister (Peter Dinklage). Sim, já sabíamos desde o retorno da Mãe dos Dragões, com o seu novo exército Dothraki, qual seria o desfecho dessa situação. Mas saber é bem diferente de ver: e quando finalmente Daenerys monta no enorme Drogon, a quem logo se juntam seus outros dois “filhos”, Viserion e Rhaegal, para lançar enormes jatos de chamas nos navios dos escravagistas – tudo isso mostrado com efeitos de computação gráfica de padrão cinematográfico – fica difícil deixar de se empolgar e não bater palmas. Dracarys! Aliás, esta sequência consegue ser mais empolgante que qualquer coisa vista na recente trilogia O Hobbit (que Smaug?).

Este segmento conclui-se com o também esperado encontro de Daenerys com os irmãos Greyjoy, Yara (Gemma Whelan) e Theon (Alfie Allen), que chegam a um acordo com a futura Rainha dos Sete Reinos: em troca da independência das Ilhas de Ferro, cederão a ela os navios que, juntamente com o que sobrou da frota escravagista, transportarão seus exércitos e dragões para conquistar Westeros. Em seguida somos levados aos preparativos para o ataque a Winterfell, onde os irmãos Jon (Kit Harington) e Sansa (Sophie Turner), mesmo contando com um exército numericamente inferior ao do odioso Ramsay Bolton (Iwan Rheon), estão prestes a retomar seu lar ancestral. Após Ramsay matar o cativo caçula dos Starks, Rickon, em um sádico jogo que lhe é típico, o ressuscitado Jon lança-se desesperadamente ao ataque, fazendo com que seus homens o acompanhem logo atrás. Tudo, enfim, o que Ramsay queria. E o que vemos a seguir, basicamente, é a mais crua representação de uma batalha medieval, assumidamente inspirada na Batalha de Canas, onde soldados romanos sucumbiram frente a um exército de cartagineses vastamente superior.

GAME OF THRONES nunca economizou na violência, portanto já seria de imaginar o que teríamos: cabeças decepadas, membros arrancados, soldados mutilados e com vísceras à mostra, agonizando e berrando em meio ao campo de batalha. Há uma cena em especial que impressiona por ter sido rodada aparentemente em um só take: Jon Snow deslocando-se e lutando em meio ao caos do combate, cercado de guerreiros e cavalos sendo abatidos, escapando da morte certa pela intervenção de aliados ou pela simples providência. É um momento primoroso tecnicamente, onde fica difícil distinguir o que foi rodado on camera e o que foi adicionado e ajustado posteriormente com efeitos visuais. Jon também protagoniza outro momento de destaque, quando fica literalmente soterrado em meio aos soldados na batalha, e se esforça de forma escruciante para conseguir chegar ao topo daquela avalanche humana e conseguir respirar.

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Quando tudo parecia perdido para os nossos heróis, eles são salvos pelos Cavaleiros do Vale trazidos por Petyr Baelish (Aidan Gillen), o destinatário da mensagem “misteriosa” anteriormente enviada por Sansa. Muitos estão considerando como um furo de roteiro o fato dela não ter contado a Jon que havia solicitado ajuda ao matreiro Mindinho, mas o fato é que ela realmente não sabia se ele responderia ao seu apelo, e optou por silenciar a respeito. Afinal, no último encontro de ambos, ela acusou Petyr de entregá-la a Ramsay mesmo sabendo que ele era um sádico, rejeitou a ajuda que, naquele momento, ele lhe oferecera, e disse que nunca mais queria vê-lo. Mas enfim, os reforços recém chegados dizimam os contingentes dos Bolton, e Ramsay foge para o interior de Winterfell, onde após os portões serem colocados abaixo pelo moribundo gigante Wun-Wun, ocorre o esperado confronto mano-a-mano com Jon. Ramsay, obviamente, é derrotado e com violência, mas seu destino será deixado nas mãos de sua ex-esposa Sansa, a quem brutalizara e estuprara repetidas vezes. E ela escolhe uma vingança à altura: o deixa ser devorado vivo por seus próprios cães, acostumados a se alimentar com a carne das vítimas do doentio Bolton.

Faltando ainda um episódio para amarrar algumas pontas e encerrar a sexta temporada, “Battle of The Bastards” é mais um trunfo para colocar a série em um patamar atingido por outras poucas obras de apelo popular, seja no cinema ou na TV. Apenas por ele, certamente a série receberá várias indicações ao Emmy, e possivelmente ganhará alguns prêmios. É por episódios como esses que GAME OF THRONES prova que, apesar de alguns deslizes, quando acerta não há outros programas da atualidade que lhe façam sombra. E isso só aumenta a expectativa quanto ao que veremos em suas duas últimas temporadas, que para conseguirem atingir um nível ainda maior de gradiosidade, terão uma quantidade menor de episódios.

Jorge Saldanha

3 comentários sobre “Resenha de Série: GAME OF THRONES – Battle of The Bastards

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