50 Anos de PERDIDOS NO ESPAÇO: O Clandestino Teimoso


lostVárias vezes me perguntam qual é meu episódio preferido de uma série de ficção científica. Pergunta difícil, já que não é fácil destacar um episódio especial entre tantas e clássicas séries do gênero. No melhor estilo Sr. Spock, a solução lógica para chegar a uma resposta é considerar não apenas os méritos do episódio ou da série, mas também o momento em que foi assistido e o modo como influenciou meus interesses a partir daí. Foi assim que, graças à minha máquina do tempo particular voltei a 1967, quando coisas muito interessantes haviam surgido na televisão inglesa e norte-americana e estavam chegando na brasileira.

Desde 1966 já era um espectador infantil assíduo de VIAGEM AO FUNDO DO MAR, THUNDERBIRDS, ALÉM DA IMAGINAÇÃO e QUINTA DIMENSÃO, séries que para qualquer fã de FC dispensam comentários. Mas foi no primeiro semestre de 1967 que fiquei eletrizado ao assistir à chamada de um novo seriado que iria ser exibido nos domingos, às 19 horas (após BATMAN). No trailer, uma nave espacial em forma de disco era lançada ao espaço, saindo da rota e dando início a uma série de aventuras espetaculares. Com a respiração suspensa, durante 30 segundos pude ver a nave enfrentar uma chuva de meteoros, ter seu sistema de navegação avariado por um robô descontrolado e o seu comandante ficar à deriva no espaço. A pequena “amostra” terminava com o disco decolando, no exato momento em que um dos seus tripulantes dava um grito de pavor. Obviamente, a série era a hoje cinquentenária PERDIDOS NO ESPAÇO, criação de Irwin Allen que teve 83 episódios produzidos entre 1965 e 1968.

LIS1DVD5Tudo começou com o piloto original em preto e branco No Place To Hide, nunca exibido na TV e que foi utilizado para vender a série à rede CBS. Adaptação sci-fi do clássico livro de Johann Rudolf Wyss, O Robinson Suiço, ele mostrava a partida da primeira família de colonos do espaço, os Robinsons, que perdiam-se e chegavam a um inóspito planeta, enfrentando inúmeros perigos para sobreviver. À época o mais caro episódio-piloto já produzido, como o nome já indica ele é basicamente uma sucessão de sequências movimentadas, que poderiam ser reutilizadas nos futuros episódios semanais. Allen, inclusive, rodou a maior parte das tomadas de efeitos visuais a cores, já prevendo que o seriado fosse colorido (o que efetivamente só foi ocorrer a partir da segunda temporada).

Após o sinal verde para o início da série, Allen e seus roteiristas adicionaram dois personagens, o Dr. Zachary Smith, memorável criação de Jonathan Harris, e o Robô de exploração interpretado por Bob May, com voz de Dick Tuffeld. Pois foi ao assistir o primeiro episódio da série, que adicionou às cenas do piloto original tomadas com os dois novos personagens, que há mais de 40 anos tornei-me definitivamente um fã da ficção científica, e em especial das aventuras espaciais.

O Clandestino Teimoso, escrito por Shimon Wincelberg e dirigido por Tony Leader, exibido pela primeira vez nos EUA no dia 15 de setembro de 1965, inicia em 16 de outubro de 1997, quando o Controle Alfa lança o Júpiter 2 na primeira missão de colonização terrestre, rumo ao sistema Alfa Centauro. A tripulação, composta pelo Prof. John Robinson (Guy Williams, que já conhecia do ZORRO), sua esposa Maureen (June Lockhart) e seus filhos Judy (Martha Kristen), Penny (Angela Cartwright) e Will (Billy Mumy), além do piloto Donald West (Mark Goddard), permaneceria em animação suspensa durante a viagem de cinco anos. Os problemas iniciam quando o sabotador de uma potência inimiga, o Dr. Smith, esconde-se na nave antes do lançamento, programando o Robô para destruir os controles de navegação e de suporte de vida oito horas após o lançamento do Júpiter 2. Infelizmente para Smith ele não consegue sair da nave a tempo, partindo com os Robinsons na viagem condenada. Devido ao excesso de peso provocado por Smith, a nave desvia-se do seu curso e enfrenta uma tempestade de meteoros.

WillSmithSmith então desperta o Major West, que consegue retirar o Júpiter 2 da zona de perigo. A nave, no entanto, fica seriamente avariada e fora da rota. Don reanima o restante da tripulação, enquanto Smith tenta sem sucesso alterar a programação do Robô. A máquina, antes de ser desativada e emitindo um tenebroso “DESTRUIR”, danifica ainda mais os controles, lançando a nave em hiper-velocidade para os confins da galáxia. O episódio termina em um cliffhanger quando o Prof. Robinson, que iria fazer reparos externos, graças a mais uma sabotagem de Smith fica à deriva no espaço.

Vários aspectos da produção da série e deste episódio em particular colaboraram para que PERDIDOS NO ESPAÇO, pelo menos em seu início, conquistasse um lugar de destaque entre os clássicos da TV. Destaco os elaborados cenários e os efeitos especiais de L. B. Abott, que para a televisão da época eram de uma qualidade inédita. Ao contrário de produções recentes, os aspectos tecnológicos da nave e mesmo do Robô eram explicados por um narrador (Tuffeld), enquanto imagens do detalhado interior do Júpiter 2 eram exibidas. A trilha sonora do hoje lendário John Williams (lançada em CD pela GNP Crescendo em meados dos anos 1990 e posteriormente reeditada e expandida pela La-La Land Records) é excepcional, e o final em suspense, como nos antigos seriados de aventuras, foi um dos maiores acertos da produção, mantendo os espectadores ansiosos por saber como os Robinsons escapariam dos perigos em cada novo episódio. Este formato permaneceu nas duas primeiras temporadas.

Outro fator diferencial da série (e de outras produções de Irwin Allen) era o ritmo vibrante, com ação e aventura bem dosadas entre os diálogos, prendendo a atenção de espectadores de todas as idades. Se por um lado as soluções obtidas à base de luta corporal eram muitas vezes simplistas, ainda mais se considerarmos que os envolvidos eram na maioria das vezes cientistas, elas sempre eram garantia de movimentação. Mas gradativamente, por influência da série BATMAN (que nos EUA era exibida no mesmo dia e horário por outra rede), a aventura foi cedendo lugar gradativamente ao humor, centrado nas figuras de Smith, Will e o Robô, o que não impediu que os índices de audiência continuassem muito bons até a terceira e última temporada.

PERDIDOS NO ESPAÇO foi lançada na íntegra em DVD, no Brasil, na década passada, mas infelizmente o novo box em Blu-ray, que traz a série restaurada e remasterizada em alta definição, não tem previsão de chegada por aqui. Uma pena, já que é um dos melhores exemplos de uma fase de entretenimento descompromissado que, infelizmente, dificilmente voltará à TV, e merece ser assistida com a máxima qualidade possível.

FELIZ 50 ANOS, PERDIDOS NO ESPAÇO!

Jorge Saldanha

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25 comentários sobre “50 Anos de PERDIDOS NO ESPAÇO: O Clandestino Teimoso

  1. Lembro que no início, o Dr. Smith era bem mau! Era um espião russo que sem querer ficou preso na Jupter 2.
    Lembra o que ele falava (apavorado!!! hahaha!!)no rádio pedindo ajuda para sair da nave antes que ela deixasse a terra??
    “- AI ORI CATORI UMBRA! – AI ORI CATORI UMBRA! ”
    Seja lá o que isso queria dizer!!

    Bons tempos…

    Curtir

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