Resenhas - Livros

Resenha de Livro: AS CANÇÕES DA TERRA DISTANTE – Arthur C. Clarke


AS_CANCOES_DA_TERRA_DISTANTE_1364035075BEstreio neste espaço para compartilharmos e discutirmos os livros “clássicos” ou outros antigos, muitas vezes desconhecidos ou esquecidos pelas gerações atuais mas que também podem ser muito bons. Atualmente estou apaixonado por livros fora de catálogo, que encontramos em sebos, naqueles cantos mais obscuros das livrarias. É impressionante como os anos 1940, 1950, 1960 e 1970 foram prolíficos em obras interessantes de ficção científica.

Começo com As Canções da Terra Distante (The Songs of Distant Earth), livro escrito por Arthur C. Clarke logo após 2010 – Uma Odisseia no Espaço II. Cronologicamente próximos, ambos possuem semelhanças de estilo como capítulos curtos, muitos diálogos, longas reflexões, etc.

Resumo:
Os cientistas descobrem que uma anomalia no comportamento do Sol fará com que ocorra uma explosão que destruirá a Terra. Prevendo o evento com antecedência, a humanidade tomou providências para reduzir as taxas de natalidade e para povoar outros planetas. Em uma primeira leva, embriões congelados são enviados a planetas supostamente aptos a abrigar vida. Séculos depois, mas ainda antes da explosão solar, o êxodo continua, mas agora, os corpos humanos não são mais enviados, mas apenas o código genético codificado que pode ser sintetizado em uma vasta enciclopédia armazenada no computador da nave. Nessa enciclopédia, porém, aspectos da vida humana como a religião, a guerra e o nazismo são suprimidos. Curiosamente, porém, são estes últimos humanos que atingem primeiro os planetas desabitados, pois sua tecnologia era mais avançada. Um lindo planeta, totalmente oceânico, exceto por três pequenas ilhas, é habitado por esse humanos que não conhecem toda a história da Terra, quando subitamente eles são visitados por humanos muito mais antigos que estavam hibernando em uma nave que havia saído da Terra séculos antes deles existirem.

Uma coisa que me tocou muito foi como Clarke descreveu bem a melancolia, histeria e loucura que tomou conta da Terra nos últimos séculos que antecederam o seu fim. Algumas décadas antes da explosão do nosso sol, os terrestres descobrem a “propulsão quântica”, que lhes permitiria tirar energia do “nada” e assim poder construir uma gigantesca espaçonave que pode agora levar grande parte dos últimos habitantes da Terra em estado de hibernação. Numa parada no “meio do caminho” em Thalassa, um mundo onde séculos antes uma de suas naves colonizadoras tinha pousado (e pensava-se que tinha sido destruída), os tripulantes da “Magalhães” (a nave da Terra) encontram uma florescente civilização.

O livro trata do choque cultural entre uma civilização já com milênios de cultura (a da Terra) em outra com apenas séculos de vida e que, embora tivessem informações acerca da Terra, só tiveram acesso aos aspectos “positivos” da cultura humana (nota-se que até aspectos religiosos foram excluídos dessa nova cultura). Lá eles vivem num verdadeiro paraíso tropical, apesar do pequeno tamanho das suas três ilhas (a única parte seca do planeta). São dignos de nota os diálogos que uma jovem humana desse mundo alienígena trava com um recém chegado da Terra, quando ela pergunta (após ter consultado informações trazidas pelos terráqueos) “O que é Deus”?

O que também me sensibilizou neste livro foi como Clarke lida bem com o conceito da relatividade do tempo, principalmente quanto aos que hibernam e quanto não. Um jovem terráqueo e uma jovem thalassiana se apaixonam, e tem um filho. Mas devido à pequena extensão da ilha de Thalassa, os terráqueos devem partir rumo ao seu destino final: um mundo estéril, mas que seria habitável após séculos de “terraformação”.
Após acordar depois de séculos de hibernação, o jovem contempla as mensagens gravadas que sua amante ia enviando regularmente, vê ela envelhecer mensagem após mensagem, juntamente com seu filho, até que ela, e seu filho, morrem. E ele chora… e a espaçonave Magalhães por fim chega ao seu destino derradeiro.

Confesso que esse é, até hoje, o único livro sci fi que me fez lacrimejar no final: belo, poético, triste… uma história de pessoas que tem que deixar para trás seu mundo, que chegam ao paraíso, que encontram o amor e a felicidade, mas que também inevitavelmente tem de deixar tudo isso para trás.

Viajante Relativista nº 5

6 comentários em “Resenha de Livro: AS CANÇÕES DA TERRA DISTANTE – Arthur C. Clarke

  1. Mauricio de Souza

    Muito bom! Tem um livro “das antigas” que acho sensacional: “Os Frutos Dourados do Sol” de Ray Bradbury. Certamente, você já leu. Sds.

    Curtido por 1 pessoa

    • Viajante Relativista

      Boa noite! Não… apesar de eu o ter em formato digital ainda não o li. Mas está “na fila”… ;)

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  2. João Ferreira

    Arthur C. Clarke é (no presente mesmo) genial, achei bem interessante a premissa deste “AS CANÇÕES DA TERRA DISTANTE”.

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  3. Pingback: Resenha de Livro: O FIM DA INFÂNCIA – Arthur C. Clarke | SCI FI do Brasil

  4. Realmente amei este livro, mas fiquei na duvida se o Clarke poderia realmente terminar a estória, afinal, depois de chegar ao destino, eles conseguiram colonizar o planeta Sagan 2 ? Os Talassianos concertaram a antena continuaram a manter contato com os tripulantes da Magalhães ? Encontraram novas colônias terrestres no espaço ?

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