Resenhas - Filmes

Resenha: A VIAGEM


263215A VIAGEM (Cloud Atlas, EUA, Alemanha, Hong Kong, Cingapura, 2012)
Gênero: Drama, Ficção Científica
Duração: 172 min.
ElencoTom Hanks, Halle Barry, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Susan Sarandon, Hugh Grant, Ben Whishaw, Keith David, Jim Broadbent, James D’Arcy, Götz Otto, Zhu Zhu, Doona Bae, Xun Zhou, David Gyasi, Alistair Petrie, Daniele Rizzo, Brody Nicholas Lee, Mya-Lecia Naylor
Trilha Sonora Original:  Reinhold Heil, Johnny Klimek, Tom Tykwer
Roteiro:  Tom Tykwer, Andy Wachowski, Lana Wachowski
Direção: Tom Tykwer, Andy Wachowski, Lana Wachowski
Cotação**

É preciso bastante boa vontade para gostar de A VIAGEM (2012), a nova empreitada dos irmãos Wachowski, desta vez em parceria com o diretor alemão Tom Tykwer, que não é lá um cineasta tão conceituado assim para se pedir uma ajuda. O resultado é um filme confuso e raso, com seis histórias que não têm consistência juntas, do jeito que foram editadas, e também não teriam, se fossem vistas em separado. Algumas delas, porém, são melhores, como a história ambientada na década de 1970, estrelada por Halle Barry; e a ambientada na Seul do século XXII, estrelada por Doona Bae e Jim Sturgess.

Essas são duas histórias que têm uma boa ambientação, apesar dos problemas. A da década de 70 carrega um pouco do espírito da época, com uma fotografia com tons de marrom e uma narrativa mais para o gênero policial. E a do século XXII é a que mais explora o uso dos efeitos especiais, mostrando um futuro em tons azulados e que carrega um segredo terrível com relação às garotas que são clonadas. As outras histórias são um tanto ridículas ou desinteressantes. A mais ridícula é a passada no futuro pós-apocalíptico e estrelada por Tom Hanks e Halle Berry. Tem um ar de A Tempestade, de Shakespeare, mas com uma trama bem ruim. Essa é a história que tem o aspecto mais espiritual ou transcendental das seis.

Há a história estrelada por Jim Broadbent, ambientada em 2012, que vai melhorando um pouco lá pelo final, quando seu personagem vai se tornando menos chato e desinteressante, depois que ele é internado em um manicômio. Curiosamente não tem cara de história situada no presente, mas num passado próximo. Já a passada em 1936 e estrelada por Ben Wishaw começa de maneira interessante e termina de forma patética, sem entendermos direito as motivações do personagem. Nem a voice-over ajuda. A outra história, estrelada por Jim Sturgess, e situada em 1849, passada em sua maior parte dentro de um navio, em uma viagem de uma ilha do Pacífico até São Francisco, nos Estados Unidos, é também bem apagada. A única coisa boa é a presença do escravo negro fugido, que se torna amigo do rapaz e imprime um pouco mais de humanidade à trama.

Alguns atores participam de todas as histórias, como Tom Hanks, Halle Berry, Hugo Weaving, Jim Sturgess e Hugh Grant. Curiosamente, como o filme fala de reencarnação, os personagens maus, como os de Weaving e Grant, continuam maus em todas as encarnações. Inclusive, no futuro, Hugo Weaving interpreta uma espécie de demônio. Outra coisa que incomoda é a mensagem óbvia sobre a conexão entre os fatos e as pessoas. Tudo bem que para muita gente o mundo é apenas um projeto caótico e desordenado, sem um autor, mas mesmo para quem acredita em alguma força superior, a mensagem que o filme passa chega a ser ingênua e até constrangedora, na forma como é dita.

O filme usa muito o recurso do voice-over, que funciona como uma muleta para a narrativa. Muito provavelmente foi necessário durante o processo de transmutação da obra literária (o romance de David Mitchell) para o cinema, servindo também para tornar o filme um pouco mais palatável para a audiência. A VIAGEM melhora um pouco quando procura imprimir um pouco mais de dinamismo, alternando com mais rapidez, já em sua terceira hora de duração, a costura das histórias, procurando dar a elas um pouco mais de coesão, embora nem sempre consiga.

Infelizmente é um projeto megalomaníaco, que foi rejeitado por boa parte da crítica, pelas premiações e pelo público. Um filme de 100 milhões de dólares que não rendeu ainda 30 milhões deve demorar a se pagar. Para o espectador também não é uma tarefa fácil, embora seja curioso ver os rostos conhecidos fazendo diversos papéis ao longo das histórias. Tenho certeza que, assim como eu, muitas pessoas irão se sentir atraídas para ver o filme, o que é completamente normal, dado o elenco estelar, o trailer curioso e a pretensão dos diretores.

Ailton Monteiro
[via ScoreTrack.net]

15 comentários em “Resenha: A VIAGEM

  1. Concordo com a resenha.
    “A viagem” é chato. Filme fraquíssimo.
    Se você parar pra pensar, é na verdade um romance espírita, desses que abundam aqui no Brasil, mas são um filão pouco explorado nos EUA, onde o número de espíritas é reduzido.
    Isso, por si só, não seria motivo para a mediocridade do filme, porém, ao invés de ser interessante como “Chico Xavier”, “A viagem” padece do didatismo entediante de “Nosso Lar”.
    E um aviso aos pais: em algumas cidades/cinemas (é o caso de Brasília) o filme está sendo anunciado como tendo idade indicativa de 12 anos. Entretanto, é um filme com cenas de sexo (no episódio “Nova Seul”) e de violência (principalmente no episódio que se passa no futuro pós-apocalíptico). Portanto, eu não recomendo que ninguém abaixo de 16 anos assista.

    Curtir

  2. Dédalo

    Parabéns pelo comentário bem preciso. Eu seria mais radical, ou seja para quem gosta de merda este filme é um prato cheio.

    Curtir

  3. Realmente sofrível!! Me esforcei ao máximo para assistir até o final, mas fui vencido pelo tédio. Dinheiro jgado fora nesta produção. Aguardemos melhores!

    Curtir

  4. Fabiano

    Ja me desanimaram, vou ver o filme hoje de noite.

    Curtir

  5. Não fui avisado que era uma propaganda espírita, que raiva, fora o filme ruim, sofrível, quase fui assistir mas saiu uma versão para baixar e resolvi avaliar primeiro se valia a pena pagar para ver no telão…resultado, nem de graça! É jogar 2:50 minutos de sua vida fora.

    Fazer situações em épocas diferentes tentar terem alguma conexão mostrou-se uma confusão.

    Você vê na capa…”oba, Tom Hanks e outros bons, vou assistir”, no final vê a perda de tempo de que foi, até a mensagem que o filme tenta vender é confusa.

    Curtir

  6. Sinceramente não achei tão ruim assim não, até gostei, apesar de não ser daqueles filmes que dá gosto assistir várias vezes. E não vejo como uma propaganda espírita, pelo menos não uma tão escancarada.
    E classificar o filme pra menores de 16 anos é um puta exagero. 16 anos já é praticamente adulto, pode até botar filho no mundo se quizer. Mas não pode ver um “sanguinho” ou uma cena de sexo sem nada de explicito?

    Curtir

  7. Acho que fui um dos poucos que gostaram do filme. Ele tem seus problemas, talvez por ter varias historias em um único filme. O inicio é muito lento e confuso, mas depois deslancha. A historias ambientadas na década de 70, a do futuro em Seul e as dos velhinhos no asilo (a cena no bar irlandês é ótima) são as melhoras e vale o filme. Não sei de onde tiram essa idéia de filme espírita, não tem nada disso. O filme tenta mostrar que as escolhas que fazemos em nossas vidas , determinam nosso futuro e influenciam a vida de outras pessoas. O problema e que o filme não conseguiu passar isso de forma clara. Na historia pós-apocalíptica gostei apenas do visual do “demônio”, de resto, sofrível.cho que fui um dos poucos que gostaram do filme.

    Curtir

  8. Lorivaldo

    Eu achei este filme muito bom!
    Esta resenha é muito negativa e não conseguiu ver as qualidades do filme. Não é um filme espírita, só o título e a temática é que nos remete ao Espiritismo, e estes mesmos temas estão em inúmeros outros filmes. Isto é coisa de distribuidores para aproveitar a novela da Globo com o mesmo nome. Quem gosta de roteiros mastigados têm dificuldades com o filme porque tem que pensar um pouco. Achei a edição e a montagem excelentes (reparem na cena do escravo correndo no mastro do navio e o salto para o futuro onde os personagens tem que atravessar uma ponte entre dois prédios). A resenha apontou bem a sequência dos anos 70, com uma ótima recriação do período e a alusão ao filme Shaft (emblemático blaxpoloitation); e na fuga do asilo/sanatório (e não manicômio) quem entendeu quando ele é arrastado gritando “Soylent Green é feito de humanos”?. Quem conhece um filme, com o Charlton Heston, e aqui no Brasil chamou-se No Mundo de 2020, vai sacar na hora o que é dito ali.
    Metalinguagem pura. Filme para quem gosta de cinema, não só entretenimento.
    Não tem nada de reencarnação no filme, o que tem são situações que se repetem ao longo das eras e o aprendizado que os personagens tem de fazer. O título engana nessa hora, pois todos acham que os personagens são direntes reencarnações em épocas diferentes.
    Por causa da bosta de revista Veja, que fez uma crítica negativa, isso virou um efeito cascata nas outras publicações.
    Dizer que o filme é Espírita é muito reducionista.

    Vou assistir outra vez!

    Curtir

  9. Pingback: Confira os indicados ao Saturn Awards 2013 « SCI FI do Brasil

  10. Pingback: SENSE8: Netflix assume o projeto dos irmãos Wachowski e J. Michael Straczynski | SCI FI do Brasil

  11. Pingback: 2013: V é Brasileiro | SCI FI do Brasil

  12. Pingback: Os vencedores do Saturn Awards 2013 | SCI FI do Brasil

  13. Pingback: Novidades em SENSE8 | SCI FI do Brasil

  14. Pingback: Resenha: JUPITER ASCENDING – Michael Giacchino (Trilha Sonora) | SCI FI do Brasil

Comente o conteúdo da postagem

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: