Filmes Resenhas - DVD e Blu-ray

Resenha: FÚRIA DE TITÃS 2 (Blu-ray)


FÚRIA DE TITÃS 2 (Wrath of The Titans)
Produção: 2012
Duração: 99 min.
Direção: Jonathan Liebesman
Elenco: Sam Worthington, Rosamund Pike, Ralph Fiennes, Liam Neeson, Édgar Ramírez, Toby Kebbell, Danny Huston, Bill Nighy
Vídeo: Widescreen Anamórfico 1.78:1 (1080p/ AVC MPEG-4)
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 5.1), Português, Espanhol, Francês (Dolby Digital 5.1)
Legendas: Português, Inglês, Espanhol
Região: A, B, C
Distribuidora: Warner
Discos: 1 (BD 50GB)
Lançamento: 02/08/2012
Cotações: Som: *****  Imagem: ****½  Filme: **** Extras & Menus: ***½ Geral: ****

SINOPSE
Uma década após ter derrotado heroicamente o monstro Kraken, Perseu tenta levar uma vida mais tranquila como pescador e pai de seu único filho. Enquanto isso, enfraquecidos pela falta de devoção dos humanos, os deuses estão perdendo o controle sobre os Titãs encarcerados e seu feroz líder, Cronos. Traído por Hades, Zeus é capturado e levado para o Submundo, e Perseu embarca bravamente em uma perigosa busca para derrotar os Titãs e salvar Zeus e a humanidade.

COMENTÁRIOS
Esta, para muitos inesperada, continuação da refilmagem FÚRIA DE TITÃS (CLASH OF THE TITANS, 2010) foi comparada a um videogame, no qual o herói deve enfrentar inimigos progressivamente mais poderosos, obter itens, fazer upgrades em suas armas e, por fim, confrontar o “chefão” final. De fato as similaridades existem e ajudam a vender a produção às plateias mais jovens, porém aqui, ao contrário de outros filmes-pipoca, elas vêm de muito antes dos jogos eletrônicos; mais precisamente, dos épicos mitológicos com efeitos visuais de Ray Harryhausen (que incluem, obviamente, o FÚRIA original de 1981). E sob este aspecto, FÚRIA DE TITÃS 2 (WRATH OF THE TITANS, 2012) se revela um sucessor até mais digno do legado de Harryhausen que o longa de 2010, que fora dirigido por Louis Leterrier (que neste se limitou à produção).

O novo diretor, Jonathan Liebesman (INVASÃO DO MUNDO: BATALHA DE LOS ANGELES), atento às críticas recebidas pelo filme anterior, realizou uma aventura com mais ação e criaturas mitológicas, trazidas à vida com excelentes efeitos visuais (meu destaque: a Quimera, ainda que os ciclopes mereçam menções honrosas). Também o ator Sam Worthington parece ter aprendido com as críticas à sua carrancuda atuação anterior, e se esforça para tornar Perseu mais humano e simpático.

Liam Neeson (Zeus) e Ralph Fiennes (Hades), agora mais envolvidos na ação e que participam do confronto final contra o Titã Cronos, igualmente exploram melhor seus papéis. A bela Rosamund Pike, que com vantagens substitui Alexa Davalos como Andrômeda, não decepciona com o novo perfil de rainha guerreira dado à sua personagem. Édgar Ramírez (Ares) revela-se um oponente formidável, enquanto o simpático Toby Kebbell e o ótimo Bill Nighy encarregam-se do lado mais cômico da aventura.

O roteiro de Dan Mazeau e David Leslie Johnson não aprofunda muito os personagens e por vezes é demasiadamente explicativo, fazendo os atores verbalizarem o que estão vendo ou o que terá de ser feito, a fim de garantir que crianças dos oito aos oitenta anos acompanhem a trama com esforço cerebral zero. Por outro lado, o argumento sempre impulsiona a aventura para frente, sem rodeios, fazendo de FÚRIA DE TITÃS 2 uma diversão muito mais dinâmica e honesta que o visualmente pretensioso mas vazio IMORTAIS, de Tarsem Singh, lançado mais ou menos à mesma época com premissa semelhante.

SOBRE O BD
FÚRIA DE TITÃS 2 foi lançado em Blu-ray em edições separadas 2D e 3D, e num combo reunindo as duas versões. Assisti ao filme nos cinemas em 3D, e em comparação ao anterior a conversão foi muito mais caprichada: há um senso geral de profundidade muito bom e efeitos tridimensionais bem eficazes. Contudo, como prova esta exemplar transferência 1080p/AVC MPEG-4, o filme não perde nada em sua versão 2D. Ao contrário de seu antecessor, FÚRIA DE TITÃS 2 foi rodado no formato de tela convencional 1.85:1, provavelmente a fim de facilitar a conversão para 3D na pós-produção. No Blu-ray o aspecto foi reduzido para 1.78:1, porém isso não acarretou perdas relevantes no campo visual. Seja como for, há uma perceptível melhora na qualidade geral da imagem. Nos confrontos com as criaturas mitológicas, vemos em mínimos detalhes a areia, os destroços e as chamas que enchem o ar. Filtros ou artefatos digitais para mim foram imperceptíveis, e a imagem apresenta uma moderada granulação fílmica. Nas cenas à luz do dia as cores puxam para os tons dourados do sol e as primárias são fortes, vibrantes e estáveis. O contraste é excelente, os pretos são sólidos, e mesmo nas cenas mais escuras em Tártaro o nível de detalhes é preservado. Texturas finas e closes agradam bastante, e somente poucas cenas baseadas em efeitos CGI trazem uma aparência mais digital, com alguma perda de nitidez que para a maioria dos espectadores será imperceptível.

A Warner providenciou para o filme uma faixa original em inglês DTS-HD Master Audio 5.1 que, não tenho receio em dizer, é das melhores no formato lossless. Com muita ação repleta de efeitos sonoros, o espectador / ouvinte será completamente envolvido e, até mesmo, atingido por toda a potência de explosões de lava, bolas de fogo, árvores destroçadas por ciclopes e o peso das passadas da Quimera. Os canais surround são sempre ativos, e mesmo nas cenas de diálogos eles fornecem uma ambientação sonora imersiva. Os graves que saem do subwoofer são arrasadores como Cronos, e farão tremer suas janelas. Mas esta admirável faixa não se destaca apenas pela força e volume, mas também pela fidelidade e sutileza. Percebemos com grande nitidez sonora pegadas no solo rochoso, os sons da floresta, da brisa, os murmúrios dos soldados e os ruídos sinistros dos labirintos de Tártaro. O diálogo sempre é claro, e a trilha incidental de Javier Navarrete (O LABIRINTO DO FAUNO) envolve com elevada fidelidade o ouvinte. Também estão disponíveis dublagens lossy Dolby Digital 5.1 em português, espanhol e francês, que como seria de esperar, tem um desempenho sonoro bem mais modesto. Os menus seguem o padrão convencional dos BDs da Warner: apenas em inglês, são simples, mas de navegação bem prática.

EXTRAS
O BD de FÚRIA DE TITÃS 2 não traz muitos extras, mas os que contém são interessantes – ainda que não fuja muito do esquema de material de divulgação, boa parte dele disponibilizado na internet antes do lançamento nos cinemas. Todos os vídeos estão em alta definição (1080p) e trazem opções de legendas em português. O BD ainda inclui uma dispensável cópia digital em resolução standard, e como os menus estão apenas em inglês, mantive os suplementos com seus títulos originais.

  • Maximum Movie Mode – O filme pode ser assistido acompanhado pelo já tradicional modo interativo-PIP da Warner, sendo que desta vez você pode optar entre duas opções: “Path of Gods”, que trará informações sobre a mitologia de FÚRIA DE TITÃS 2, ou “Path of Men”, que dará acesso aos bastidores da produção e revelará como a equipe criou o mundo de Perseu, seus aliados, inimigos, criaturas e batalhas. Ao longo do caminho você poderá alternar entre as opções, tornando toda a experiência mais interativa;
  • Focus Points (34 min.) – Os featurettes do Maximum Movie Mode, que somam pouco mais de 30 minutos de duração, também podem ser acessados diretamente através do menu. Os segmentos, que também estão divididos em “Path of Gods” e “Path of Men”, são: “Battling the Chimera”, “Agenor: The Other Demi-God”, “The Cyclops Fight”, “Prison of the Titans”, “Minotaur: The Human Nightmare”, “The Heavens Raise Hell on Earth”, “Who Are the Titans?”, “Hephaestus: God of Fire”, “Lost in Tartarus’ Labyrinth” e “Creatures of the Titans”;
  • Deleted Scenes (HD, 11 min.) – Encerram os extras três cenas eliminadas, sendo que pelo menos uma delas, “Zeus is Led Past Missing Olympians” (onde Zeus, aprisionado, descobre o trágico destino dos deuses em Tártaro), poderia muito bem ter sido finalizada e mantida na montagem final.

Jorge Saldanha

6 comentários em “Resenha: FÚRIA DE TITÃS 2 (Blu-ray)

  1. Espero que em Blu-ray 3D seja melhor do que o 3D do cinema. Achei as imagens muito confusas na tela grande, talvez por estarem próximas demais. Era difícil acompanhar tudo. O filme é bonzinho, mas no mesmo nível do primeiro.

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    • Edilson, sinceramente prefiro assistir filme sem ser 3D justamente porque para vermos o efeito temos que focar em certas partes da tela (ou então desfocarmos) mas deixamos de ver a beleza do todo.

      Não sei, mas acho que o primeiro foi melhor, talvez pela novidade, o segundo é bem mais “expandido”, várias coisas a explorar, mas botar tudo isso num tempo curto matou o filme.

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