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POWER RANGERS e a polêmica reciclagem dos Tokus


Mighty Morphin Power Rangers

Veremos a seguir como surgiu Power Rangers, série dos EUA que utiliza material das séries japonesas tokusatsu. Embora em suas várias encarnações faça sucesso mundial, ela tem muitos detratores no Brasil. De acordo com a Wikipedia:

Haim Saban, nascido em Alexandria, Egito, empresário e compositor de diversos temas de séries e desenhos animados de muito sucesso nos EUA e na França, é o responsável pelo advento da franquia. Na década de 1980, Saban já tinha levado a série Super Sentai Choudenshi Bioman para a França, obtendo muito sucesso. Logo depois, o empresário tentou levar Bioman para a TV americana, mas não houve interesse por parte dos produtores.

Já na década de 1990, Saban fundou seu próprio estúdio e adquiriu com a produtora Toei os direitos do Sentai Kyoryu Sentai Zyuranger (1992 – 1993) para os EUA, aproveitando o tema de dinossauros da série, em voga na época devido ao filme Jurassic Park. O elenco que personificava os heróis em roupas civis foi trocado por atores norte-americanos e o seriado, rebatizado para Mighty Morphin Power RangersAlém disso, os próprios episódios foram reescritos para dar à série um tom maior de comédia. “Reescritos” não é bem a palavra: os roteiros foram praticamente escritos do zero, aproveitando do original apenas algumas cenas de luta. Saban argumentou que o mercado americano não aceitaria uma série com um elenco todo de japoneses, assim como a narrativa da série original.

Saban também pareceu não se importar com as diferenças de qualidade entre a filmagem original (em película) e a norte-americana (cinescopada, ou seja, vídeo com textura modificada), assim como com o fato de a Ranger Amarela (Trini Kwan, interpretada pela atriz Thuy Trang, falecida em 2001) ser um homem na série japonesa (Boy, interpretado por Takumi Hashimoto, conhecido entre os brasileiros como o garoto Manabu de Jiraiya). O problema se repetiu em todas as séries entre Power Rangers na Galáxia Perdida (1999) e Power Rangers: Força Animal (2002).

O sucesso de Power Rangers inspirou a companhia a comprar outros seriados nipônicos e adaptá-los da mesma forma, originando VR Troopers, Masked Rider, Big Bad Beetleborgs e Os Cavaleiros Míticos de Tir Na Nog, com diferentes níveis de sucesso. Uma produtora rival, a DIC Audiovisual, conhecida no Brasil pelos desenhos Mask, Pole-Position e Capitão Planeta (além de ter sido responsável pela adaptação e exibição das duas primeiras temporadas de Sailor Moon nos EUA), tentou o mesmo caminho ao adaptar o seriado Denkou Choujin (Super-Homem Elétrico/Eletrônico) Gridman, da Tsuburaya Productions, a mesma produtora de Ultraman, renomeando-o Superhuman Samurai Syber Squad. Gridman era uma auto-homenagem da Tsuburaya às séries Ultra, levando o conceito de lutas de heróis gigantes para o mundo dos computadores, onde o herói combatia vírus eletrônicos com a forma de monstros. Apesar de se manter mais fiel aos episódios originais que as séries da Saban, a DIC não teve sucesso com sua produção.

Em 1996, com Power Rangers: Zeo, os uniformes dos Zyurangers foram trocados após três temporadas (desta vez utilizando uniformes e filmagem da série Super Sentai do ano anterior, Chouriki Sentai Ohranger) e o tema passou a variar — todo ano uma nova série Ranger surgia, ligada aos eventos dos anos anteriores. A estrutura era sempre a mesma: no início de cada temporada, os Rangers perdiam suas habilidades por uma artimanha dos vilões e eram salvos por alguma coisa/pessoa que lhes dava novos poderes (os novos uniformes e robôs). A repetição do tema começou a cansar, e as substituições constantes de elenco tornavam estranho o conceito de “heróis infatigáveis”, mas que desistiam de sua missão de defender a humanidade após pouco tempo.

Assim, na temporada de 1999, o arco que vinha desde a primeira temporada foi parcialmente abandonado, e cada temporada passou a ter um roteiro e um elenco independentes, seguindo o modelo japonês — embora se situando no mesmo “universo” (para permitir que os heróis dos seriados anteriores apareçam para “dar uma força” aos novos, ainda que isso aconteça poucas vezes).

Em 12 de maio de 2010, Haim Saban re-adquiriu os direitos da série e fez uma adaptação de Samurai Sentai Shinkenger denominada Power Rangers: Samurai, que resgatava o tema da primeira temporada (o famoso “Go Go Power Rangers”). Nos Estados Unidos a série começou a ser transmitida pelo canal fechado Nickelodeon em 07 de Fevereiro de 2011, e no Brasil, também pela Nick, começou a ser transmitido em 11 de Julho. A Rede Bandeirantes comprou os direitos da série antes mesmo dela estreiar na TV paga, e prevê a estreia em 2012.

Em 2010, a Rede Bandeirantes comprou os direitos de toda a franquia, e em 2011 (mais especificamente dia 13 de junho) iniciou a transmissão da série a começar pela temporada Power Rangers: Tempestade Ninja, exibindo dois episódios no programa matutino Band Kids (aproximadamente as 8:20 da manhã, e às 15:00 após a programação local; desta forma, são exibidos 3 episódios diários em rede nacional e 4 na região de São Paulo (outro episódio é exibido logo às 14:30 regionalmente). A início acreditava-se que a transmissão da série se iniciasse apenas em setembro do mesmo ano, substituindo Futurama na grade de programações da tarde da Band. Em maio foi exibida uma chamada anunciando “Vem aí Power Rangers, na tela da Band”, onde foram usados trechos das temporadas Power Rangers: Turbo (maioria das cenas foram do filme Turbo: A Power Rangers Movie), Power Rangers: Tempestade Ninja e Mighty Morphin Power Rangers, especulando-se, assim, que tais temporadas também fossem transmitidas. Atualmente, a emissora transmitiu Power Rangers: Dino Trovão e transmite Power Rangers: S.P.D..

O sucesso de Powers Rangers é inegavel, considerando que já foram mais de 15 temporadas exibidas nos EUA. Séries como Smallville e Stargate SG-1 tiveram 10 temporadas, Lei e Ordem chegou a 20 temporadas, e é provavel que os Rangers cheguem e até ultrapassem a série policial. Atualmente as encarnações de Power Rangers são exibidas no Brasil pela Ulbra TV, Bandeirantes, Globo e Nickelodeon. A popularidade, entretanto, não elimina a controvérsia que existe por aqui. De acordo com a Wikipedia:

No Brasil, apesar do sucesso com o público infantil, a série não é muito bem vista entre os fãs de tokusatsu por causa do acordo entre as empresas Saban e Toei: esta cedeu os direitos de transmissão das séries no Ocidente para a primeira, o que gerou o boato de que a Saban só autorizaria a exibição da versão americana. Outro boato é que o visual norte-americano de Power Rangers fez as distribuidoras brasileiras ficarem desestimuladas de trazer séries originais, eis que os custos de importação, tradução e divulgação são bem mais baratos que os de uma série original. Verdade ou não, o fato é que poucas séries japonesas de tokusatsu foram exibidas na TV brasileira desde a vinda de Power Rangers para o País em 1994: apenas Patrine, Winspector, Kamen Rider Black RX, Solbrain (exibidas em 1995), Ultraman Tiga (em 2000) e Ryukendo (em 2009) tiveram sua chance.

Outras séries da Saban (VR Troopers, Masked Rider, Big Bad Beetleborgs) se utilizavam do mesmo método de reciclagem de originais japoneses, chegando ao ponto de usarem imagens de séries diferentes numa mesma produção. Algumas das séries que foram “refeitas” já haviam sido exibidas em sua versão original no Brasil e obtido relativo sucesso entre o público: Kamen Rider Black RX foi matéria-prima para Masked Rider; e Metalder, Spielvan e Shaider foram usadas em V.R. Troopers. Os fãs ficaram decepcionados ao verem as séries transformadas em algo completamente fora do contexto original e seus atores favoritos sendo substituídos.

Mais importantes parecem ser o custo de tradução — há menos tradutores de japonês do que de inglês — e as dificuldades de dublagem. Segundo o dublador Ionei Silva (responsável pela voz do personagem Tutubarão e do Mestre dos Magos do desenho Caverna do Dragão), diretor de dublagem da série O Regresso de Ultraman, em uma entrevista à revista Comix Milênio (Editora Escala) nº 3, o texto traduzido precisava de uma adaptação para “bater” com os movimentos labiais dos atores, devido a peculiaridades na estrutura do idioma. Um trabalho, além de um custo, a mais que as distribuidoras poderiam não querer arriscar.

Outro fator de peso surgiu com a abertura às importações iniciada em 1991, que também atingiu o mercado de brinquedos: a venda de produtos correlatos como bonecos, camisetas, pôsteres, papéis de carta e alimentos é um componente indissolúvel das séries infanto-juvenis de tevê e quadrinhos em todo o mundo, e Power Rangers não é exceção. A importação do excedente desses produtos disponível no exterior barateou o custo de venda para o público brasileiro (ainda que tenha causado o desemprego nas fábricas do país) e a disseminação dos produtos pelo mundo tornou mais fácil o retorno financeiro para os produtores da série. Isso faz com que os mesmos brinquedos sejam vendidos em diferentes países, muitas vezes com as mesmas embalagens. Nesse panorama de redução de custos, sairia muito caro providenciar embalagens diferenciadas — ou, o que é cada vez mais freqüente, etiquetas adesivas cobrindo os nomes em inglês na embalagem—em português e com o logotipo, por exemplo, dos Jyu Rangers originais em vez do dos Power Rangers norte-americanos. Assim, sob este aspecto, é mais cômodo optar pelo seriado para o qual os brinquedos e objetos foram produzidos.

Este parece ser o motivo que levou, por exemplo, os responsáveis pelo marketing a obrigar a equipe de dublagem da nova versão do desenho He-Man a voltarem ao estúdio e redublarem vários trechos, mudando os codinomes dos personagens de português para inglês (por exemplo, “Mentor” tornou-se “Man-at-Arms”). Ou, ainda, a chamarem o longa-metragem do desenho As Meninas Superpoderosas pelo original The Powerpuff Girls. Ou, caso mais conhecido, a mudarem o nome da famosa série cinematográfica Guerra nas Estrelas para Star Wars.

No Brasil é mais provavel que existam mais detratores do que fãs de Power Rangers. Uma breve busca no Google ou Orkut mostra uma quantidade enorme de fãs que procura legendas e baixa pela internet as séries japonesas nas suas versões originais. Não só as exibidas aqui nos anos 1960 a 1995l, mas também os spin offs inéditos de Kamen Rider, Ultraman e os Super Sentai.

Zyuranger, Dairanger, Kamen Rider Kuuga e Kamen Rider Ryuki, entre outros, possuem uma quantidade enorme de fãs sem nunca terem sido exibidos em nenhuma rede nacional. Provavelmente as emissoras de televisão do Brasil teriam uma audiência maior exibindo as séries originais do que Power Rangers. Basta ver que não existe marketing sobre essas series, mas sua procura pelos fãs é enorme. A Ulbra TV tem o programa “Made in Japan”, onde exibe com sucesso as series antigas transmitidas no Brasil. Ou seja, as redes de TV estão jogando na lata do lixo uma massa enorme de audiência, que prefere os originais do que Power Rangers.

Kamen Rider Fourze começou há pouco no jJpão, mas os fãs já se mobilizam para assistir à série. Existem mais de 15 séries, seja de Kamen Rider ou Ultraman, que poderiam ser exibidas por aqui com uma base de fãs já forjada. Nos EUA as séries japonesas live action parecem ter poucos fãs, mas no Brasil Power Rangers não supre a falta das outras séries. Tanto é que, aqui, Kamen Rider Cavaleiro Dragão (versão americanizada de Ryuki) não fez sucesso. Mas tirando essa rixa no Brasil, Power Rangers é sem duvida um sucesso mundial.

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Power_Rangers
http://www.youtube.com/watch?v=SEe5YJxlQNw

Guilherme da Costa Radin

5 comentários em “POWER RANGERS e a polêmica reciclagem dos Tokus

  1. Power Rangers é tosco demais… vá lá que nos anos 1970/1980 séries como Ultraman, Ultraseven, Robô Gigante, Spectreman, etc. tinham o seu “charme” mas, atualmente, não dá mais…

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  2. Só os primeiros eram bons, a partir do força animal ficou uma merda. Eu ainda prefiro a fase com o Alpha

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