Filmes Resenhas - DVD e Blu-ray

Resenha: PIRANHA 3D (Blu-ray 3D)


Produção: 2010
Duração: 89 min.
Direção: Alexandre Aja
Elenco: Elisabeth Shue, Christopher Lloyd, Ving Rhames, Eli Roth, Jerry O’Connell, Steven R. McQueen, Richard Dreyfuss, Jessica Szohr
Vídeo: Widescreen Anamórfico 2.35:1 (1080p/AVC MPEG-4)
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 5.1), Português (DTS-HD HR 5.1)
Legendas: Português, Inglês, Espanhol
Região: A, B, C
Distribuidora: Swen Filmes
Discos: 1 BD (50GB)
Lançamento: 24/09/2011
Cotações: Som: ****½ Imagem 2D: **** Imagem 3D: ***½ Filme: ***  Extras & Menus: **** Geral: ****

SINOPSE
Sol, música, cerveja e mulheres de biquíni. A combinação perfeita para se passar o feriado em um lago. Mas um terremoto liberta um cardume de famintas piranhas pré-históricas, e a xerife Julie Forester (Elisabeth Shue) terá que fazer de tudo para interditar o lago e impedir que toda a galera se transforme em comida de peixe. O problema se agrava quando seu filho mais velho embarca em um cruzeiro como membro da equipe de um filme pornô, e seus dois caçulas ficam à deriva no lago.

COMENTÁRIOS
Em plena febre de remakes, 2010 viu com certo assombro a chegada aos cinemas deste PIRANHA, cuja proposta seria refilmar o cult homônimo produzido por Roger Corman e dirigido por Joe Dante em 1978. O original surgiu na esteira do TUBARÃO de Steven Spielberg, e esta nova versão dirigida por Alexandre Aja parece de fato mais uma refilmagem do dito cujo do que do filme de Dante, trocando o balneário marítimo Amity pela fictícia Lake Victoria, o sexo do xerife (agora uma mulher) e o tubarão por milhares de piranhas pré-históricas. A trama chega até a incluir elementos de TUBARÃO 2 (continuação lançada no mesmo ano do PIRANHA original), com a xerife tendo que salvar seus filhos que saíram para passear de barco.

Mas isto de certa forma não chega a surpreender tanto, então porque o assombro? Para começar ele decorre da abordagem dada por Aja e sua equipe ao filme, que virou uma espécie de homenagem aos filmes do final dos anos 1970 / meados dos 1980 misturada com sátira sócio-cultural, porém 100% trash em matéria de apelação à violência e à nudez gratuita feminina. Com censura “R” (equivalente no Brasil a 18 anos), o filme não economiza sangue, vísceras, mutilação, peitos e bundas, que ganham literalmente uma “nova dimensão” com o uso do 3D. Na verdade o novo PIRANHA é um “falso trash”, já que dispõe de recursos suficientes para criar efeitos de qualidade e em profusão.

Destaca-se o trabalho do especialista em zumbis Greg Nicotero (THE WALKING DEAD), que combinado com a computação gráfica cria cenas de inacreditável realismo – como mulheres cortadas ao meio por cabos, um fantástico escalpelamento por uma hélice de barco e pessoas saindo da água sem membros ou com os mesmos esfacelados pelas piranhas. Até por seu exagero, essas cenas acabam sendo mais engraçadas que chocantes, o que é reforçado pelo tom geral do filme, que apesar de não ser uma comédia não economiza humor e sátira, em seus diálogos e situações, à cultura norte-americana e à indústria pornô. Quanto a isso devemos agradecer ao toque francês que Aja deu à produção.

Mas os “méritos” do filme serão muito melhor apreciados se ele for visto em 3D, e aqui vai uma curiosidade a respeito: as filmagens com atores foram feitas em 2D e posteriormente convertidas na pós-produção. No entanto ele foi integralmente concebido como um legítimo filme 3D, e portanto os problemas que são típicos das conversões não aparecem aqui. De fato, avaliando pelo resultado final, é inacreditável que PIRANHA não tenha sido rodado nativamente em 3D já que usa e abusa dos clichês do formato, como objetos (via de regra piranhas e pedaços de corpos – incluindo genitália!) sendo jogados no rosto do espectador. No meio de tudo isso o elenco, mesclando novatos e veteranos como Elisabeth Shue, Ving Rhames e, principalmente Christopher Lloyd (o Doc Brown de DE VOLTA PARA O FUTURO), se sai bem. Richard Deyfuss, de TUBARÃO, faz uma ponta no início como a primeira vítima das piranhas.

Se tivesse que recomendar apenas dois filmes recentes para serem assistidos em 3D, não hesitaria em indicar AVATAR e este PIRANHA, certamente um filme que não agradará a todos mas que, puramente por seu elevado índice de diversão trash, poderá também em breve virar cult – isso se já não virou.

SOBRE O BD
Após disponibilizar no mercado nacional um Blu-ray da versão 2D de PIRANHA com vídeo e áudio mutilados e sem qualquer extra, a Swen Filmes (leia-se Imagem) surpreende ao lançar em BD 3D alguns filmes com som e imagem corretos, vários extras e – pasmem – por meros R$ 49,90. Este novo Blu-ray de PIRANHA também inclui a versão 2D do filme: se você não possui reprodutor e televisor compatíveis com o formato, ao carregar o disco aparecerá uma mensagem dizendo que não foram detectados os aparelhos 3D e que o filme será exibido apenas em 2D. Já se você possui o equipamento 3D, lhe serão oferecidas as opções 2D ou 3D.

O BD 3D norte-americano do filme, lá distribuído pela Sony, inclui apenas a versão tridimensional e os mesmos extras desta edição nacional – o que indica uma ótima autoração feita no Brasil, já que mesmo com a inclusão das duas versões foi possível preservar a alta qualidade de som e imagem em ambas. A transferência anamórfica 1080p/MPEG-4, em seu formato de tela original 2.40:1, impressiona em primeiro lugar pelas cores fortes, vivas, propositadamente saturadas para dar ao longa uma aparência “de verão”. Nesse contexto os tons de pele são alaranjados, não muito naturais. Detalhes e texturas são realistas, enquanto os pretos são fortes na maior parte do tempo. A versão 3D adiciona um forte senso de profundidade, com os diferentes planos de distância dos objetos sendo claramente perceptíveis. As cores permanecem fortes, e a maior parte dos detalhes finos e texturas são preservadas. Praticamente despercebidos ou mesmo inexistentes em 2D, nas cenas sob a água ou mais escuras banding e ghosting são mais proeminentes, porém não é nada que deixe de recomendar que o filme seja assistido preferencialmente em 3D. Sequências como o “poético” balé subaquático das atrizes pornô (nuas, obviamente) serão muito melhor apreciadas assim…

No quesito áudio, a faixa lossless DTS-HD Master Audio 5.1 em inglês é muito dinâmica, permanecendo assim praticamente desde o início até o fim. Efeitos sonoros e música são perfeitamente mixados, e mesmo em momentos de grande agitação podemos discernir diferentes tipos de sons. Os acentuados efeitos surround casam perfeitamente com os tridimensionais, fazendo com que o espectador por vezes se sinta totalmente envolvido por cardumes de piranhas – tanto visual como auditivamente. Os diálogos são claros e fáceis de serem compreendidos, a música soa forte e com fidelidade, e os graves são fortes e agressivos. Em suma esta é uma faixa de demonstração, que reproduz perfeitamente o dinâmico sound design do filme. Também temos a dublagem em português no formato DTS-HD HR 5.1, que é lossy mas sem dúvida superior ao comumente empregado Dolby Digital. As legendas disponíveis são português, inglês e espanhol.

EXTRAS
Sim, este novo BD de PIRANHA traz extras, não muitos mas bem expressivos. E se não temos as cenas eliminadas, as sequências deletadas em storyboards e trailers do BD 2D norte-americano da Sony, temos todos os do disco 3D – e tudo com legendas em português, inclusive os normalmente esquecidos comentários em áudio:

  • Comentários em Áudio – Esta faixa de comentários reúne o diretor Alexandre Aja e os produtores Gregory Levasseur e Alix Taylor. Além dos erros no inglês dos franceses Aja e Levasseur, a dupla é responsável por algumas observações bem divertidas. A produtora Taylor fica em segundo plano, mas também contribui com boas informações sobre a produção. Apesar de muita coisa ser redundante, em razão de já estar bem explorada no longo making of que vem a seguir, merece ser conferida – até por estar legendada;
  • Não Grite, Nade: Os Bastidores de Piranha (HD, 129 min.) – Parece improvável que um filme como PIRANHA tenha merecido um longo e detalhado documentário, mas aqui está ele: com suas mais de duas horas de duração, este ótimo making of  em 10 partes (que podem ser assistidas isoladamente ou em conjunto) aborda com detalhes os principais aspectos da produção do filme, e dá uma boa idéia do trabalhão que este divertido trash de Us$ 25 milhões deu para os seus realizadores. Com muitos depoimentos de Aja e seus colaboradores, os segmentos que formam o documentário são: “Bem-vindo ao Piranha”, “Aja, Elenco & História”, “Lake Victoria”, “Férias de Primavera”, “Sangue & Violência”, “Efeitos Especiais & Dublês”, “A Trilha”, “Piranha & Efeitos Visuais”, “Por que 3D?” e “Mordidas Finais”.

Jorge Saldanha

1 comentário em “Resenha: PIRANHA 3D (Blu-ray 3D)

  1. Afonso

    Só se for encarado como Trash, porque é disso mesmo que se trata: LIXO.

    Curtir

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