Resenhas - Séries

Resenha: TERRA NOVA: 1×04 – What Remains


[SPOILERS] Brannon Braga e René Echevarria, os actuais showrunners de “Terra Nova”, têm um extenso background na ficção científica, nomeadamente dentro do franchise “Star Trek”. E se há algo de usual na ficção científica televisiva clássica são os episódios standalone, especialmente nos primeiros anos em que as séries se estão a estabelecer.

“Space 1999”, “Space: Above and Beyond”, “Quantum Leap”, “Babylon 5”, “Farscape”, “Sliders”, “The Twilight Zone”, “The Outer Limits”, “The X-Files”, “Stargate SG-1” e, claro, “Star Trek” e todas as suas descendentes (“Star Trek: The Next Generation”, “Star Trek: Deep Space Nine”, “Star Trek: Voyager” e “Star Trek: Enterprise”) são, sem qualquer dúvida, séries de ficção científica de referência. E, pasmem-se aqueles que ainda não tiveram oportunidade de ver as ditas, estão repletas, pejadas mesmo, de episódios standalone.

Claro que todas estas séries tiveram oportunidade de estabelecer as suas histórias e, ao longo do tempo, criar arcos e linhas de argumento mais abrangentes dentro de uma ou várias temporadas, algo que as tornou mais cativantes e lhes conseguiu angariar uma enorme legião de fãs, mas a existência de episódios standalone sempre lhe foi intrínseca.

Porém, os tempos eram outros. Hoje não há paciência para episódios fechados (e eu sou uma dessas pessoas que facilmente perde o entusiasmo com fórmulas) e os públicos anseiam por episódios em que a história seja contínua entre eles e que não haja distracções com “monstros/mistérios da semana”. E, para mal dos seus próprios pecados (pois ao alienar a audiência perde espectadores e uma série de elevados custos como esta necessita de público ou está condenada ao cancelamento), é exactamente isso que “Terra Nova” está a fazer neste momento.

A sensação que tenho é que tanto Braga como Echevarria e todos os outros elementos da equipa de produção da série não terão calculado bem a necessidade que existia em fazer de “Terra Nova” um sucesso. Os custos são elevadíssimos para uma série de televisão e há que ter resultados em termos de audiência e, para atingir tais objectivos, um dos factores primordiais passaria por criar uma história cativante o suficiente para manter o público investido.

Com o contínuo sucesso da CBS e das suas séries com episódios fechados, seria de argumentar que a decisão de dar episódios standalone a “Terra Nova” era a melhor aposta para garantir audiências. O problema é que o universo das séries da CBS é destinado a um público duma faixa etária distinta daquele que é o público-alvo de “Terra Nova”. Há ali claramente uma tentativa de criar um produto direccionado para toda a família, mas a verdade é que “Terra Nova” nunca o será, restando-lhe o nicho (fãs do género e mais uns ou outros), nicho esse que nos dias que correm já não tem tanta paciência para os episódios standalone como antigamente.

E assim chegamos ao mais recente episódio da série.

Se havia dúvidas da existência duma fórmula para esta série, “What Remains” desfá-las. O episódio desenrola-se exactamente como o anterior: alguém que nós nunca antes vimos morre por uma razão qualquer; os personagens principais entram em acção para resolver o mistério; e, à medida que o vão fazendo, são-nos servidas pistas e pedaços de informação sobre o futuro da Terra e o passado dos personagens.

Em vez dos Pterosauros de “Instinct”, temos agora um vírus que faz as pessoas perder a sua memória de curta-duração e isso é catalisador de algum drama:

  • A Elisabeth (Shelley Conn) esquece-se que tem marido e filhos e temos então o Jim (Jason O’Mara) a tentar reconquistar novamente o amor da sua esposa, sempre com o outro vértice do triângulo, o Malcolm (Rod Hallett), por perto para tentar aproveitar-se da situação.
  • O Comandante Taylor (Stephen Lang) acredita estar algures na Somália durante uma guerra qualquer que ocorreu na Terra do futuro e onde decorreram algumas experiências menos próprias. Além disso, procura desesperadamente pela sua mulher (que morreu) e que era alguém de extrema importância para ele (ou ele não se teria tentado suicidar).

Enquanto isso, em Terra Nova, os miúdos continuam a sua senda do acasalamento. A Maddy (Naomi Scott) vai num primeiro encontro e o irmão Josh (Landon Liboiron) começa a formar o seu próprio triângulo amoroso uma vez que a Skye (Allison Miller) tem a brilhante ideia de tentar ajudá-lo a trazer a sua antiga namorada da Terra do futuro para Terra Nova (e, consequentemente, envolvê-lo com essa malta da pesada que aparentemente são os Sixers).

Não há muito mais para dizer sobre este episódio. Foram 40 minutos que se passaram sem grande dificuldade? Sim. Mas dou o tempo empregue a vê-lo como desperdiçado? Provavelmente…

ZB
Via [TVDependente]

 

7 comentários em “Resenha: TERRA NOVA: 1×04 – What Remains

  1. Kelvin Paul

    O que a série precisa para chamar a atenção é abusar de paradoxos temporais e similares, algo como:
    – Descobrem que o passado em que estão é um nó de outras realidades que sofreram os mesmos efeitos de superpopulação e voltaram no passado pela fenda temporal; eventualmente descobrem que isso vem ocorrendo desde o começo dos tempos…
    – Ou colocam alguma peregrinação do ano 5.000 e lá vai pedrada…é legal esse conceito de épocas diferentes se encontrando numa mesma era…
    – Descobrem uma outra fenda que os leva para o verdadeiro passado jurássico da linha temporal deles; ao atravessarem a fenda, se deparam com outra Terra Nova, de uma outra realidade, que na verdade foi a origem da própria civilização humana, que destruiu o planeta, voltou no tempo de uma outra realidade, e nessa realidade encontra outra fenda que leva para o verdadeiro passado de sua realidade temporal, onde já outro grupo de humanos de outra realidade, que na verdade é a origem da humanidade em si….e vai um looping infinito…..ufa!

    Putz, tem muitos nós para prender o telespectador, é só ter coragem para fazer!!

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  2. Bassvix

    Eu imagino que eles vão usar esse “vírus” para algo no futuro, ok, mas já dá pena em saber que sendo JJ Abrahms e Steve (não jobs rsrs), Terra Nova vai cair para o lado sobrenatural ou de alienígenas que permitiram que o portal do tempo fosse aberto, só não pode acontecer como Lost, mataram a série com aquele final – bem antes dele, só pelo rumo que tomou a série antes da última temporada.

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    • Ok, só que o J.J Abrams não tem nada a ver com Terra Nova. Na produção dessa série o Spielberg está associado a Brannon Braga (FlashForward) e Jon Cassar (24 Horas).

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      • Bassvix

        Confusão!
        Exclui então os comentários sobre sobrenatural e JJ, continua só sobre os alienígenas. :)

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  3. Chega de paradoxox temporais!!!

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  4. mau com u

    Amigos por favor da para repetir tudo de novo!
    o virus que faz a pessoa esquecer ja ta aqui na terra, nesta epoca e acaba de atacar em BRASILIA, veja só la ninquem lembra na hgora que ocorre uma falcatrua, tudo acaba em pizza, coisa de virus violento, o microbinho safado. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Mais gosto da serie, lembra do seriado el perdido, espero q ñ caia, pois na hora q fica bom acaba tubo.
    um abraço a todos

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  5. Paulo Cirino

    Este oi um dos episódios mais obvios até agora da série. Era totalmente previsivel que a gripe faria com que a cara ficasse imune. Era óbvio que a doutora ficaria caida pelo cientista novamente, por ter regredido na memória. Embora o episódio não tenha um total desperdiciom foi uma excelente oportunidade jogada fora…..

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