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Resenha: Planeta dos Macacos – A Origem


PLANETA DOS MACACOS – A ORIGEM (Rise of The Planet of The Apes, EUA, 2011)
Duração: 106 min.
Gênero: Ficção Científica
Elenco: James Franco, Tom Felton, Freida Pinto, Andy Serkis, Brian Cox, John Lithgow, Tyler Labine, David Hewlett, Sonja Bennett, Jamie Harris, Leah Gibson,David Oyelowo
Compositor: Patrick Doyle
Roteiristas: Rick Jaffa, Amanda Silver
Diretor: Rupert Wyatt
Cotação: ****

Dificilmente alguém que tenha acompanhado a saga PLANETA DOS MACACOS a partir do antológico longa dirigido por Franklin J. Schaffner em 1968 não sentirá arrepios ao assistir este PLANETA DOS MACACOS – A ORIGEM (2011), dirigido com louvor pelo inglês Rupert Wyatt, de THE ESCAPIST (2008). O que de início salta aos olhos é que, pela primeira vez na história da franquia, os macacos foram totalmente criados em computação gráfica, pela WETA Digital de Peter Jackson. E o fato é que eles roubam a cena dos protagonistas humanos, em especial Andy Serkis, que via captura de movimentos interpreta o chimpanzé César. Serkis já foi o Gollum da trilogia O SENHOR DOS ANÉIS (e voltará a sê-lo em O HOBBIT, atualmente em filmagem na Nova Zelândia) e o KING KONG da refilmagem de 2005, e muitos já estão fazendo campanha para que ele seja indicado ao Oscar por esta nova interpretação digital.

Mas os acertos do filme não estão restritos apenas à sua parte técnica, já que ele é uma inteligente reinvenção da franquia, atualizando-a para os tempos atuais mas sempre respeitando e homenageando os filmes originais. O roteiro segue a linha de A CONQUISTA DO PLANETA DOS MACACOS (1972), e mostra a insurreição símia que será o primeiro passo para a dominação da Terra. James Franco interpreta Will, um cientista que, com os recursos de uma grande corporação farmacêutica, trabalha para encontrar uma cura para o Mal de Alzheimer, doença que afeta seu pai (John Lithgow, em grande desempenho). Como resultado ele cria um composto virótico que não apenas propicia a regeneração dos neurônios, mas também aumenta o QI dos chimpanzés utilizados como cobaias. César nasce de uma das macacas de laboratório inoculadas com a substância, e dela herda uma inteligência superior.

Will leva César para casa, onde passa a viver até que, após um incidente envolvendo seu pai, o chimpanzé ataca um vizinho (David Hewlett) e por determinação judicial é recolhido para um abrigo de primatas de São Francisco. A partir daí temos uma espécie de “filme de prisão”, que culminará com uma rebelião liderada por César. Os fãs certamente não deixarão de notar as homenagens e referências aos antigos longas: por exemplo, boa parte dos personagens (humanos e símios) foram batizados com os nomes de pessoas envolvidas na realização dos filmes originais; a célebre frase “Tire as patas sujas de mim, seu macaco imundo maldito”, dita por Charlton Heston no primeiro filme da série, é repetida por um dos personagens humanos; uma epidemia em escala mundial será crucial para a ascenção dos macacos; e não menos importante são as sutis referências a uma missão tripulada a Marte que foi dada como perdida – o que poderá ser o ponto de partida para o próximo filme, caso decidam utilizar como base o original de 1968.

PLANETA DOS MACACOS – A ORIGEM é candidato a melhor blockbuster do ano. É um filme que diverte e traz um rico conteúdo, herdado de uma das mais célebres franquias de ficção científica da história do cinema.

Jorge Saldanha

18 comentários em “Resenha: Planeta dos Macacos – A Origem

  1. Afonso

    Dou a maior força e acho que para as novas gerações será muito interessante. Para alguns “velhinhos” também, a título de reminiscências. É claro, as novas tecnologias empregadas também vão impressionar. Mas, para mim, toda a franquia se resume no primeiro filme, esse sim, original e antológico. Todos os outros na minha opinião são muito ruins, feitos a toque de caixa para faturar encima do sucesso do primeiro. Esse, posso assistir como mera curiosidade, mas esse assunto já é velho e por demais batido, e a tentativa anterior de reviver a franquia foi um verdadeiro fracasso. Posso me enganar, mas não levo muita fé nessa refilmagem. Pode até se tornar um sucesso momentâneo de bilheteria, mas desses que logo nos esquecemos e que vão obscuramente povoar as sessões da tarde ou as madrugadas das TVs a cabo.

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    • Afonso, sugiro que assista ao filme para opinar. O filme original de fato é clássico e nunca será igualado, mas este novo é muito bom, e faz virar pó a esquecível refilmagem de 2011.

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      • Afonso

        Obrigado pela sugestão, mas esse é o tipo de filme que não vi e não gostei. Esse negócio de refilmagem ou “reabordagem” assuntos batidos vem acontecendo cada vez com maior frequencia. Parece que faltam boas idéias e então ficam nos impingindo velharias apenas com nova roupagem tecnológica. Não tenho nada contra o Planeta dos Macacos, Super Homem, Capitão América, Homem de Ferro, Homem Aranha, Batman, Zumbis, Lobisomens, Vampiros ou milhões de outros clichês de marketing americanos. Fizeram refilmagens pífias de “Omega Man” e “The Day Earth Stood Still” – Klatoo Barada Nicto!!! Ainda por cima ouvi dizer que vão refilmar Blade Runner!!! Para mim tudo isso não passa de marketing para um faturamento fácil.
        Sinto falta de novidades. Novos filmes, novos clássicos, novos argumentos inteligentes da real “Science Fiction Hard”, novos cults, enfim. Tirando “Avatar”, com sua paraferália tecnológica e roteiro ridículo – já no limbo do esquecimento povoando sessões da tarde e madrugadas de tvs a cabo – há quanto tempo não lançam algo realmente bom? Alguma real novidade? Talvez uma ou outra produção menor, como Firefly ou Aeon Flux, vá lá.
        Mas há quanto tempo não aparece um “Omega Man”, “Soylent Green”, “THX 1131”, “Fahrenheit 451”, “Logan´s Run”, “2001”, “Blade Runner” ou até mesmo um “Mad Max” ou “Waterworld” assim como dezenas de outros que cada vez vão ficando mais para trás no tempo?
        Planeta dos macacos? Respeito profundamente todas as opiniões. Dou a maior força, e que façam bom proveito. Divirtam-se. Mas pelo que me concerne, perdoem-me mas torno a afirmar sem o menor receio de parecer intransigente: Velharia. Assunto batido que já se tornou chato. Enfim: Não vi e não gostei.

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        • Você tem toda razão. Mas não faltam idéias novas. Falta é coragem de investir em idéias novas. Existem muitos filmes independentes de FC muito bons. É só procurar no underground da internet. Mesmo assim, enquanto não investem em idéias originais, vou me divertindo com os caça-níqueis de super heróis e refilmagens de clássicos.

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  2. Posso estar enganado, mas a premissa de A CONQUISTA DO PLANETA DOS MACACOS, de 1972, não era a de que o Cesar seria filhote do casal de símios (cujos nomes não lembro) que vieram do futuro ? E isso teria causado um paradoxo temporal (ou um “loop temporal” ?) no qual o Cesar seria o agente da conquista do mundo pelos símios ? Já faz muito tempo que assisti aos filmes antigos mas acho que essa nova versão mudou essa parte da estória. Quem estiver com as estórias mas frescas na cabeça poderia esclarecer. Valeu !
    Ah! Muito boa a resenha !

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    • Sim, na série original César era filho de Cornelius e Zira, que voltaram no tempo para os EUA de 1973. Mas creio que a resenha deixa claro que o novo filme não é uma refilmagem literal de A Conquista do Planeta dos Macacos, mas segue sua linha geral com uma rebelião de símios liderada pelo chimpanzé inteligente César. Aliás, na versão original a epidemia não atingiu os humanos, mas sim cães e gatos que foram substituídos pelos macacos como animais de estimação.

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      • Não critiquei a resenha. Li, entendi perfeitamente e achei muito boa. Em momento algum disse que era uma refilmagem literal, até porque ainda nem assisti o filme. Só quis esclarecer uma dúvida.

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  3. Legal.
    Uma resenha mais científica do filme pode ser lida aqui:
    http://biodevaneios.blogspot.com/2011/08/resenha-do-filme-planeta-dos-macacos.html

    abraços

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    • Sci Fi do Brasil

      Boa resenha, mas ao contrrio do que d a entender o autor no incio do texto, a antiga srie de filmes tambm mostrava como os macacos dominaram o mundo. O que o novo faz mostrar uma verso um pouco diferente. ** *Equipe Sci Fi do Brasil*

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  4. Bassvix

    Vou comentar como quem não viu este ainda, mas irá ver.

    Por mais nostálgico e diferente que seja o primeiro eu acho que bitolar muito no sentido de “nada se compara ao original” é besteira.
    Eu baixei há algum tempo o primeiro para assistir (antes de sair o atual) e não vi grande coisa, assisti sendo imparcial em tecnologia aplicada (óbvio) e sobre cultura da época (como o astronauta fumante dentro da nave). Tentei achar algo de interessante, mas sinceramente, é até mais “vazio” e cansativo que muito filme que há por aí hoje em dia.

    É complicado você pegar uma requalquercoisa de um clássico e não querer comparar com o original, não dá para trazer o impacto que causou na época para hoje, ainda mais sobre novidades de naves espaciais e etc, mas daí a dizer que a requalquercoisa é péssima isso não dá para considerar.

    Eu acho semelhante ao que no futebol tentam fazer endeusando o Pelé, que foi muito bom jogar, mas ele é como um clássico, assim como vários outros, e não tem como comparar com outros de gerações diferentes, assim como a é feito pela mídia sobre Pelé x Maradona. Eu ainda falo que não dá para comparar por exemplo Maradona com Romário, agora, Maradona com Zico tem como.

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  5. Ricardo Melo

    Sou fã da franquia símia. Gostei desta nova versão. Não sou contra reboots ou remakes, desde que não seja mais do mesmo. Pra falar a verdade, apenas o PRIMEIRO PLANETA DOS MACACOS (1968) foi considerado clássico, o resto, como foi dito, foi para ganhar uns trocados produzindo a toque de caixa. Este novo filme, é muito melhor e muito superior a tudo que foi feito anteriormente, excluíndo é claro, o original. Mesmo porque se pegou uma ideia de um ou dois filmes e refez muito melhor do que era. Nunca foi explicado direito o loop temporal de Zira e Cornelios após a destruição da Terra no segundo filme. Simplesmente eles apareceram no terceiro filme, porque conseguiram escapar (?). O novo filme atualiza o tema e é bem mais convicente. Ele fez o que o o novo Galactica fez ou o novo Batman fez, reimaginou e recriou o universo da franquia, de forma mais perfeita e cientificamente mais crível .

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  6. Boa noite, galera interessada em ficção científica, saudações! Assisti a essa nova reimaginação de O Planeta dos Macacos e devo confessar que, realmente, o filme tem aquela pegada que faltou no esquecível filme de Tim Burton, que já foi varrido pra debaixo do tapete, assim como os antigos Batman pro cinema antes da reimaginação, Superman returns, Hulk de Ang Lee etc. Para quem assistiu dá a entender que pode ter uma continuação em duas frentes: ou o filme caminha na continuação que mostra a propagação da infecção pelo ALZ 114 e a consequente queda da raça humana ou vai na linha do filme clássico e mostra os astronautas pousando num planeta já dominado pelos símios. No filme isso fica claro, pois mostra uma edição de jornal impressa com a manchete “perdidos no espaço”. Eu, pessoalmente, preferiria que fosse mostrado o avanço dos macacos sobre a humanidade decadente e doente com o avanço da infecção (quem assistiu sabe sobre o que estou digitando) e, num 3º filme, mostraria a saga dos astronautas que se perderam no espaço-tempo, retornando num futuro dominado pelos símios totalmente. O astronauta principal poderia ser Taylor como homenagem ao clássico, que encontraria sua Nova. Os humanos que voltaram ao estado primata poderiam ser aqueles descendentes dos humanos imunes ao ALZ 114. Acho que pode ir nesse sentido o desenrolar dos acontecimentos, restabelecendo a franquia no seu lugar merecido.

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  7. os macacos tem q dominar mesmo os macacos pelo menos se ajudam os humanos so pensam em dinheiro forçaaaaaaaaaaaaaaaaaa aos chimpanzes

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  11. Antonio Fernando Oliveira

    Olha aí Redator eu assisti este filme …e odiei ! Mas tudo bem, eu estava no meu cinema de bairro a várias décadas atrás assistindo ao sempre surpreendente Mr. Heston vivenciar na pele toda intolerância humana com animais (atenção estamos na década de 70 era o pré-mundo-politicamente-(bleargh)- correto dos nossos dias… E no final, o choque da eternidade. Miss Liberty semi destruída em uma praia em Coney Island… Afonso, assista, vais odiar mais ainda… rsrsrs… mas cinema é como Mae West, até quando é ruim, é ótimo !

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